Max Verstappen- Hate me more

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Tocar Música da Midia!

Max POV

Deixei o volante no banco do passageiro. O carro, um Porsche 911 azul-escuro, estava parado junto ao lago, onde as árvores altas e os seus reflexos na água formavam um quadro quase intocável. Um cenário que, em tempos, eu teria partilhado contigo. Mas agora, a única companhia era o silêncio, carregado de tudo aquilo que não foi dito.

Ajustei o espelho retrovisor, não para ver a estrada atrás, mas para evitar olhar para mim mesmo. O meu rosto trazia as marcas de noites mal dormidas e de batalhas internas que nem a velocidade conseguia silenciar. É irónico como um homem que controlava uma máquina a mais de 300 quilómetros por hora podia sentir-se tão impotente diante de algo tão humano.

Há uma vulnerabilidade cruel em falhar onde mais importa. Nunca pensei que a palavra "falhar", tão temida nas pistas, pudesse doer mais fora delas. Com o capacete, eu era invencível. Sem ele, era apenas um homem – um homem que não conseguiu segurar o que mais amava.

Recordo-me da última discussão, um confronto onde as palavras eram atiradas como carros em colisão. "Tu nunca estás realmente aqui, Max," disseste. Eu quis responder que estava, mas não de forma óbvia. Como explicar que, enquanto atravessava curvas e ultrapassava limites, o teu rosto estava comigo? Que cada troféu erguido era, de alguma forma, também teu? Mas, no calor do momento, essas palavras ficaram presas, e o silêncio tornou-se uma arma.

Liguei o motor do carro, mais por reflexo do que por necessidade. O ronco grave encheu o espaço vazio, como se tentasse abafar os ecos da minha própria mente. Sempre houve algo reconfortante no som de um motor; era como um batimento cardíaco que nunca me abandonava. Mas até isso agora parecia um conforto vazio. A velocidade não me levaria para longe do que aconteceu.

Tento reconstruir o que falhou. Foi a minha ausência? As viagens intermináveis, as temporadas que pareciam nunca acabar? Ou foi o meu ego, moldado por vitórias que, no final, não significavam nada se não pudesse partilhá-las contigo?

Na Fórmula 1, cada detalhe conta. Uma fração de segundo pode fazer a diferença entre a glória e o esquecimento. E no entanto, no amor, eu negligenciei os detalhes. Pequenos gestos, momentos roubados ao caos, palavras que deveriam ter sido ditas. Eu pensei que o amor pudesse sobreviver à inércia, mas percebo agora que ele precisa de cuidado, como um motor que requer afinação constante.

Olho para o lago – uma superfície calma que esconde uma profundidade desconhecida. É assim que me sinto por dentro: calmo na superfície, mas em turbulência nas profundezas. Pensei que, com o tempo, o vazio diminuísse. Mas cada dia que passa parece acrescentar mais peso. O mundo pode admirar-me pelo que conquistei, mas o que importa o respeito dos outros quando me falta o teu olhar de aprovação?

Pego no telemóvel, o ídolo moderno da conexão humana. Percorro as mensagens antigas, como se nelas pudesse encontrar uma pista para a nossa queda. As palavras que partilhámos, cheias de esperança e promessas, agora parecem vestígios de um universo paralelo. Quero enviar-te uma mensagem, mas o que diria? Que sinto a tua falta? Que lamento cada momento que não te dei? Tudo parece insuficiente diante da distância que criámos.

Não consigo evitar o pensamento de que te perdi para sempre. Não por um erro isolado, mas por uma série de escolhas que, na altura, pareciam inevitáveis. O mundo exige muito de nós, mas talvez eu tenha exigido mais de mim mesmo do que devia. E, ao tentar ser tudo, acabei por me perder.

A chuva começa a cair, fina e quase impercetível, como se o céu partilhasse da minha melancolia. Cada gota que toca o vidro parece um lembrete de que o tempo não para. Por mais que deseje voltar atrás, o presente é tudo o que tenho.

Saio do carro, deixando que a chuva me envolva. O frio é um choque bem-vindo, um contraste com o entorpecimento interior. Respiro fundo, tentando encontrar um fragmento de clareza. Talvez nunca consiga mudar o passado, mas isso não significa que não possa aprender com ele.

Talvez, um dia, encontre a coragem de te procurar. De dizer tudo o que ficou por dizer, não com a esperança de reconquistar o que perdemos, mas com o desejo de fechar este capítulo com honestidade. Porque, mesmo que nunca mais partilhemos momentos como antes, mereces saber que foste – e sempre serás – uma parte fundamental de quem sou.

Volto para o carro, a roupa ensopada e os pensamentos um pouco menos caóticos. Ligo o motor novamente, mas desta vez, não como uma forma de fuga. A estrada à minha frente está molhada e incerta, mas não é isso que a torna diferente de qualquer outra estrada que já percorri. O importante é continuar a conduzir, mesmo sem saber exatamente onde vou parar.

Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.

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