Tocar Música da Midia!
Lance POV
O final do ano tem um ritmo estranho. Tudo parece a correr num ciclo interminável de compromissos, viagens e pressão, mas ao mesmo tempo, há uma quietude nas coisas, como se o mundo decidisse abrandar por um instante para respirar.
Foi assim que comecei a ver o dezembro de 2024: com alguma exaustão e um vazio inexplicável no peito. O campeonato tinha terminado semanas antes, e apesar de tudo, aquela sensação não me deixava. O corpo ainda carregava as marcas de um ano desgastante: os treinos, as corridas, os voos constantes. Há alturas em que não sei bem onde termina a pista e começa o resto da minha vida.
Foi nesse contexto que conheci a S/N. Ou melhor, foi quando comecei realmente a vê-la. Não era uma estranha, pelo contrário. Ela já fazia parte da minha vida há algum tempo, orbitando entre os amigos comuns e os encontros ocasionais em paddocks e eventos. Mas naquele dezembro, parecia diferente.
Lembro-me da primeira vez que a reparei a sério. Estávamos em Mônaco, num jantar descontraído com amigos. A luz suave do restaurante tocava-lhe o rosto de uma forma quase irreal. Ria-se de algo que o Daniel tinha dito, aquele tipo de riso que é sincero e leve. As pessoas riam-se ao redor, mas eu estava preso naquele instante, a observá-la.
Nunca fui do tipo de homem que acredita em clichés românticos, mas havia qualquer coisa nela que me desarmava. Talvez fossem os olhos, tão expressivos que pareciam esconder pequenas tempestades, ou a maneira como falava, com aquela calma que parecia desafiar o mundo à sua volta.
— Lance? Estás bem? — A voz dela arrancou-me do transe.
— Sim, sim, estou ótimo — respondi, demasiado depressa. Ela sorriu, inclinando ligeiramente a cabeça como se me estudasse.
— Estavas noutro planeta. Não costumas ser assim.
— E como costumo ser? — perguntei, mais por reflexo do que curiosidade genuína.
— Normalmente, parece que há um escudo entre ti e o mundo — respondeu com honestidade. — Hoje não.
Engoli em seco. Poucas pessoas ousam dizer-me coisas assim. Mas a S/N parecia diferente, mais autêntica, como se visse através das camadas que nós, pilotos, criamos para nos proteger.
A partir dessa noite, começámos a passar mais tempo juntos. Não sei bem como aconteceu, mas em menos de uma semana, ela já fazia parte das minhas manhãs e das minhas noites. De alguma forma, tornámo-nos cómplices numa rotina que parecia fugir à pressão e às expectativas que me rodeavam.
Passeávamos pela marina ao pôr do sol, com as mãos nos bolsos dos casacos, o vento frio de dezembro a empurrar-nos para mais perto um do outro. Falávamos sobre tudo e sobre nada. Ela contava-me sobre os seus sonhos, os lugares que queria visitar e as memórias de infância que a faziam sorrir. Eu ouvia, absorvia cada palavra como se fossem peças de um quebra-cabeças que eu estava determinado a montar.
— E tu, Lance? O que é que queres? — perguntou-me uma noite, enquanto olhávamos para o mar escuro.
A pergunta apanhou-me desprevenido. Não sei bem como responder a coisas assim. Sinto que a maior parte das pessoas acha que sabe o que eu quero. Carreira, sucesso, vitórias. Mas ali, com ela, não me parecia suficiente.
— Não sei — respondi, finalmente. — Talvez paz.
Ela sorriu, olhando-me como se tivesse encontrado algo valioso na minha resposta.
— Então acho que já a encontraste — murmurou.
Nessa noite, deixei-a no hotel e fiquei no carro por um momento. Os meus dedos tamborilavam no volante enquanto tentava perceber o que se passava comigo. Era uma sensação nova, mas de certa forma familiar. Como a adrenalina antes de uma corrida, mas ao mesmo tempo, a calma de saber que estava onde devia estar.
Os dias passaram como um sonho. Já não conseguia imaginar as minhas horas sem a S/N. Ela estava em todo o lado: nas mensagens durante o dia, nas caminhadas ao final da tarde, na maneira como a minha mente parecia regressar a ela mesmo nos momentos mais silenciosos.
Comecei a dar por mim a reparar em detalhes que nunca me tinham importado. A forma como a luz do sol atravessava o cabelo dela, o jeito como franzia o nariz quando se ria, ou como a sua presença parecia preencher espaços vazios dentro de mim que nem sabia que existiam.
Foi numa tarde tranquila, perto do Natal, que tudo se tornou claro para mim. Estávamos sentados num café pequeno, ela a mexer no cappuccino distraidamente enquanto falava sobre um livro que estava a ler. Não me lembro do título ou sequer da história, porque a minha atenção estava toda nela. Na maneira como a sua voz soava, como os gestos acompanhavam as palavras.
Subitamente, sem aviso, ela olhou-me.
— Porque é que estás a olhar assim para mim? — perguntou com um sorriso.
— Porque gosto de ti — respondi, sem pensar.
O silêncio caiu entre nós, mas não foi desconfortável. Foi como uma pausa, um instante em que o tempo abrandou e ficou suspenso no ar. O coração batia-me descompassado no peito, mas não me arrependi.
Ela sorriu, e naquele sorriso vi todas as respostas de que precisava.
— Também gosto de ti, Lance.
Naquele momento, percebi que talvez fosse mesmo verdade. Talvez a paz que eu procurava estivesse ali, ao alcance da minha mão, naquela mulher que tinha entrado na minha vida sem fazer barulho, mas tinha mudado tudo.
Enquanto o ano chegava ao fim, senti que algo novo começava. Talvez fosse o amor, talvez fosse apenas a promessa de dias mais felizes. Mas naquele instante, sentado num café qualquer com ela, soube que tudo estava exatamente como devia estar.
Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.
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F1 Imagines
Fanfic*F1 Imagines* é um livro que mergulha na imaginação criativa dos fãs da Fórmula 1, oferecendo uma experiência única e imersiva. Cada página captura momentos vibrantes e intensos, permitindo aos leitores vivenciar histórias fictícias com seus pilotos...
