EPÍLOGO II

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Sindy Fassini

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Sindy Fassini

Quando fecho os meus olhos ainda consigo ouvir aqueles gritos de medo.
O avião balançava violentamente derrubando tudo sobre os passageiros.
Os olhos da aeromoça arregalados de espanto.
Meu pai segura na minha mão atraindo a minha atenção pra si.
Engulo em seco.
_ Vai ficar tudo bem filha.
Ele me dizia.
Mas a sua voz embora firme, deixava transparecer a sua insegurança.
No fundo, eu sabia que nada daria certo.

Um estralo forme e tudo começa a girar e girar forte e muito, muito rápido.
Uma explosão alta e em seguida um silêncio brutal.

Respiro ofegante...
De onde estou consigo ver árvores grandes e frondosas.
Os bancos sumiram...
As pessoas sumiram...
Ao meu lado, o meu pai não está mais, nem a minha mãe... Eu tento olhar para trás, a procura dos outros e solto um grito alto por causa de uma fisgada forte atrás da minha coxa.
Não chora... Não chora Sindy...
Peço mentalmente e tento não me mexer o máximo possível.

_Mae..?_ Eu a chamo.
Não obtenho resposta alguma.
_ Pai..?
Sufoco o no em minha garganta.
Não posso chorar. Preciso ser forte.
As horas se passam...
A noite começa a se aproximar quando escuto um grito... Uma voz masculina distante.
_ Aqui..._ Tento gritar, mas a voz não sai.
Então eu procuro algo ao meu redor. Algo que me ajude a chamar a atenção de quem quer que seja.
Há um pedaço de metal caído a pelo menos vinte centímetros de distância de mim.
Eu tento tirar o cinto de segurança, mas ele não sai.
Eu me estico, tento alcansa-lo e uma dor lancinante rasga minha perna ao meio.
Em meio ao grutural alto e me esforço ainda mais e pego o metal, batendo forte no destroço do avião ao qual me encontro presa.

Uma sensação de alívio me arrebata quando os bombeiros finalmente me encontram...

_ Está dormindo Sindy?_ André pergunta se aproximando de mim e me despertando para a minha realidade.
Eu o olho e abro um sorriso largo.

O que dizer do meu " amigo"?
André Massa é um carinha estupidamente lindo.
Sabe aquele carinha que por onde passa, arranca suspiros audíveis das garotas?
Esse é o André Massa.
Um loiro de olhos escuros e puxados, que uma um perfeito calvanhaque dando uma perfeição ainda maior ao rosto quadrado, de maxilar forte e um sorriso arrasador de calcinhas.
Hum... Se sou apaixonada por ele?
Pô!! Ele é meu amigo desde sempre e...
Sim... Sou arriada dos quatro pneus por ele desde que me entendo por gente.

A pergunta é... Porque não estamos juntos?
Não é porque ele não gosta de mim.
Sei disso porque por muitas vezes André solta alguma gracinha pra mim.
Teve uma vez, quando eu fiz o meu baile de quinze anos, que em um momento de distração do meu pai, ele me roubou um beijo.
Ai, ai...
Foi o meu primeiro beijo... E também o meu primeiro beijo roubado...
Queria que me assaltasse sempre que quisesse.
Respiro fundo encarando os globos escuros, me encarando especulativos.
_ Estava pensando na nota de matemática que acho que tirei hoje._ Minto.
Seu sorriso perversamente sexy se amplia.
_ Deixa de ser chata. Você só tira dez.
Faço um biquinho, franzindo a ponta do nariz pra ele.
_ Eu sei. Mas quero receber logo a prova, pra poder me inscrever logo no projeto.
_ Sei... O que vai fazer essa noite?_ Ele muda de assunto.
A pergunta sai animada dos lábios carnudos e avermelhados.

12. Ardente PaixãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora