Aquele Idiota 3 - 14_ Montada em mim

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Manoela

— Você não mudou. — sussurrei, quase sem perceber. Era mais pra mim do que pra ele.

Mas ele ouviu.

E sorriu.

Aquele sorriso torto, arrogante, que eu odiava tanto quanto desejava.

— Porra, Manoela… — Ele passou a língua nos lábios, devagar. — Olha pra você. Esse corpo. Esse olhar. O jeito que finge que não quer me agarrar aqui mesmo, contra essa parede.

Travei a mandíbula, sentindo o sangue ferver sob a pele. Odiava a audácia dele. Odiava o quanto aquela audácia me acendia.

— Você tem um ego doentio. — cuspi, tentando desviar, tentando fugir do olhar que me despia.

Ele se moveu antes de mim. Um passo só e o braço encostado na parede, do lado da minha cabeça, me cercando. O outro braço foi pro meu quadril, sem tocar, mas perto o suficiente pra eu sentir a tensão vibrando entre a gente.

— Tenho sim. E você sempre se amarrava nisso. — A voz dele saiu baixa. Grave. Suja de lembrança.

Minha respiração acelerou. O cheiro dele era o mesmo. Maldito perfume quente, amadeirado, com fundo de pecado. Meu corpo reagiu como se reconhecesse, como se implorasse. Como se sentisse falta.

— Sai da minha frente. — tentei empurrá-lo, mas era como tentar mover concreto. Ele não cedeu. Só abaixou o rosto até roçar o nariz no meu.

O toque leve. Quase um carinho. Quase uma ameaça.

— Tá tremendo. — ele sussurrou, a voz rouca, quente. — Você ainda sente. E não é medo. É desejo.

— Eu não sinto nada. — rebati, mentindo com cada célula do meu corpo.

Ele riu pelo nariz. Um som curto, cínico. Feito pra provocar.

— Não mente pra mim, Manu. Você sente. Sente tesão. Agora. Por mim.

O silêncio que veio depois era quase pornográfico. Um calor invisível tomou conta da sala. Denso. Carregado de história, de memória, de toque não dado.

Então ele fez o que eu mais temia.

Encostou o corpo no meu.

Devagar. Lento. Medido. Como se saboreasse cada milímetro. Me pressionou contra a parede, sem machucar, mas firme o bastante pra me fazer perder o ar.

A respiração dele batia direto na minha boca agora. A minha já vinha falha. Irregular. Entregue.

— Quer que eu pare? — ele murmurou, os olhos presos nos meus como se quisesse me foder só com o olhar.

Não respondi. Porque não sabia. Porque parte de mim gritava sim. E a outra… gemia não.

— Fala que quer. — ele continuou, a voz mais baixa, mais suja. — Fala que nunca pensou em mim enquanto se tocava à noite. Que esqueceu a forma que eu pegava no seu cabelo, mordia seu ombro… dizia que você era minha.

Minha mão se fechou em punho. Raiva. Tensão. Vontade. Tudo num furacão que me fazia tremer.

— Você é um desgraçado. — sibilei, o tom rouco, falho. Sem força.

Ele sorriu. Lento. Pecaminoso.

— Sempre fui. — A mão dele deslizou pela lateral da minha cintura, marcando a pele por cima da roupa. — Mas você adorava ser a minha perdição.

O toque era firme. Quente. E meu corpo... maldito traidor. Se arqueou, buscando mais.

Ele chegou mais perto. Mais. Até a boca quase tocar a minha. O calor entre nós virou incêndio. Um fio de ar nos separava. E ainda assim parecia demais.

Mas ele não me beijou.

Porque ele sabia.

Sabia que me deixar ali, à beira, era pior. Mais torturante. Mais viciante.

— Eu sei que você ainda me quer, Manu. — ele murmurou, o olhar cravado no meu. — Posso sentir no jeito que você respira. No jeito que seu corpo gruda no meu. No jeito que você não consegue me mandar embora de verdade.

— Vai pro inferno, Drake. — falei, ofegante. Mas minha voz saiu mais como um convite do que um insulto.

Ele sorriu contra meus lábios. Um sussurro de tentação.

— Só se for com você montada em mim.
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Continua...

Aquele IdiotaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora