Manoela
Sentei na minha carteira de sempre — terceira fileira, perto da parede. Apoiei os cotovelos na mesa e respirei fundo. Uma. Duas. Dez vezes.
Tentava parecer intacta.
Mas por dentro?
Caos.
Porque ele tava ali.
Drake.
Encostado na parede do fundo como se fosse só mais um aluno entediado, mas com o olhar cravado em mim como se estivesse me despindo. O corpo relaxado, a jaqueta pendurada no ombro, a corrente prateada no pescoço... e aquele maldito sorriso de canto que eu sempre soube o que significava.
Quatro anos se passaram.
Mas o olhar dele ainda me deixava em chamas.
Ele ainda não tinha dito uma palavra. Só observava, como se tivesse todo o tempo do mundo pra me destruir de novo.
Até que ele veio.
Devagar.
Passos arrastados, provocantes. Como se a sala fosse uma passarela e eu, o único foco.
Senti o arrepio antes da voz.
— É impressão minha... — ele começou, parando bem ao meu lado — ou você ficou ainda mais gostosa?
O jeito como ele disse foi cru, direto, sujo. Do jeito que sempre me desmontava. Minha garganta secou. O corpo reagiu antes da cabeça. Arrepio. Calor. Pressão entre as pernas.
Levantei o olhar, mas não consegui disfarçar. Os olhos dele estavam famintos. Obscenos. Sabiam demais.
— Você não devia estar aqui. — sussurrei, com a voz mais firme do que eu sentia. Mas frágil demais diante do furacão que ele era.
Ele sorriu. Aquele sorriso devasso, preguiçoso, de quem sabia exatamente o que tava fazendo comigo.
— Eu devia estar exatamente aqui. Bem aqui. — Ele roçou os dedos na borda da minha carteira, deixando o toque no ar. — Perto de você.
— Eu não tô com saudade de nada. — rebati, cruzando os braços numa tentativa falha de me proteger de mim mesma.
Ele deu mais um passo. Invadiu meu espaço. O perfume dele me envolveu como um veneno doce. Amadeirado, quente... inconfundível.
— Tem certeza, Manu? — Ele sussurrou meu nome como uma carícia íntima, os olhos fixos nos meus lábios. — Porque ontem... quando nossos olhos se cruzaram... você tremeu. E não foi de raiva. Foi de lembrança. Foi de vontade.
Engoli seco. Meu corpo gritava que ele tava certo.
Ele se inclinou, apoiando as mãos de cada lado da minha carteira, me prendendo entre ele e a parede. Nossas respirações se misturaram. Os rostos a centímetros. O olhar dele queimando o meu.
— Eu não vim causar problema. — ele mentiu, baixo, rouco.
— Você é o problema. — retruquei, quase sem ar.
Ele riu, e o som foi puro pecado.
— E você sempre foi viciada em mim. — murmurou. — No jeito que eu te pegava forte... e te beijava devagar. Lembra?
Minha pele queimava. Meu peito subia e descia rápido demais. O silêncio entre nós era denso, cheio de lembranças sujas e tardes escondidas.
— Você não pode voltar como se nada tivesse acontecido. — falei, tensa, os olhos grudados nos dele. — Acha que pode me encarar desse jeito... e fingir?
— Eu não tô fingindo nada. Tô olhando. Desejando. E você tá deixando. — Ele se aproximou mais, roçando o nariz no meu. — Fala que não sente o mesmo. Me convence.
Minhas mãos tremiam. Eu estava a um fio de puxá-lo pela gola e beijar até apagar tudo — ou de dar um tapa.
Mas aí a porta da sala se escancarou. O professor entrou com um barulho alto e seco. Alunos se ajeitaram. Alguém riu. Eu me afastei num pulo, o rosto em fogo.
Drake só sorriu. Lento. Vitorioso. Como quem sabia que já tinha vencido, sem precisar tocar.
Ele caminhou até a carteira ao meu lado — claro que era ali — e sentou como se nada tivesse acontecido. Tirou a jaqueta, jogou no encosto, e virou levemente pra mim.
— Isso vai ser divertido. — murmurou só pra mim, com aquele sorriso carregado de intenção.
E eu?
Eu estava trêmula.
Porque tudo já tinha acontecido.
E pior… parte de mim queria que acontecesse de novo.
.
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Continua...
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Aquele Idiota
RomanceAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
