Aquele Idiota 3 - 17_ Pode tentar

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Flashback (Manoela, 14 anos)

O mundo lá fora dormia.

Menos eu.
Menos ele.

Estávamos no quintal da casa da minha avó, deitados num colchão fininho que eu arrastei escondido da lavanderia. Tinha trazido também um cobertor leve, só por precaução. Mas o calor que me queimava por dentro... esse nenhum cobertor resolvia.

Drake estava ali. Deitado do meu lado, com aquela cara de desafio que me tirava do eixo.

- Você é doido. - sussurrei, virando de lado pra encarar ele.

Ele virou também, o rosto quase encostando no meu.

- E você adora isso.

- Meus avós vão matar a gente se acordarem.

- Então que a gente morra com estilo. - ele respondeu, e sorriu. Aquele sorriso torto. Aquele maldito sorriso torto.

Meu coração deu um pulo no peito.

Drake nunca foi de seguir regras. Nunca teve medo de nada. Aos 14 ele já parecia viver com o dedo no foda-se. Era irritante. E viciante.

- Você sempre tem que quebrar alguma regra, né?

- Só as que merecem ser quebradas.

- E ficar comigo no quintal escondido é o quê?

- É a melhor ideia que eu tive em semanas. - Ele se aproximou mais um pouco, o ombro encostando no meu. - Ou você prefere que eu volte pra casa?

- Você nem deveria ter vindo.

- Mas você pediu.

Mordi o lábio. Era verdade. Eu tinha mandado uma mensagem no meio da noite, dizendo que não conseguia dormir. Que precisava conversar. Que ele podia vir... se quisesse.

E claro que o idiota quis.

- Achei que você ia desistir. - falei baixinho.

- Eu nunca desisto de você, Manu.

De novo, meu peito apertou. Ele dizia essas coisas como se não tivessem peso. Mas tinham. Pelo menos pra mim.

- A gente é muito novo pra isso. - murmurei, desviando o olhar. - Pra gostar tanto assim.

- Foda-se a idade. - ele rebateu, firme. - Eu gosto de você. Muito. E você gosta de mim. Para de fingir que não.

Voltei a encarar ele. A boca dele tava perto. Perto demais. E mesmo assim, não o bastante.

- É que... a gente briga tanto. - sussurrei.

- Porque você é teimosa. - ele rosnou de leve, puxando um pouco o cobertor. - Mas você fica linda até quando tá brigando comigo. Com esse olhar de quem quer me matar e beijar ao mesmo tempo.

- Talvez eu queira mesmo.

- Qual dos dois?

- Os dois.

Ele riu. Baixo. Aquele riso safado e quente que fazia minha pele arrepiar.
Então, do nada, ele passou o dedo na minha bochecha.

- A gente ainda vai fazer muita merda junto. - ele murmurou. - Mas não vou parar. Não consigo. Você mexe comigo.

Meus olhos arderam. Mas não era de tristeza. Era só... intensidade. Um negócio que crescia dentro de mim desde o primeiro dia em que ele me chamou de "Manu".

- A gente nunca vai dar certo, né? - perguntei, com a garganta seca.

- Provavelmente não. - ele respondeu. - Mas isso nunca me impediu de tentar antes.

E então ele se aproximou. Devagar. Os olhos presos nos meus.

Mas ele não me beijou.

Não ainda.

Ele só ficou ali, com a boca a centímetros da minha. Respirando o mesmo ar. Tocando o mesmo fogo.

- Posso? - ele sussurrou.

- Pode tentar. - provoquei, sentindo o coração quase explodir no peito.

E então ele encostou os lábios nos meus.

Leve. Quente. Descuidado.

O primeiro beijo da minha vida. E talvez o único que tenha me marcado tanto.

Não teve pressa. Nem experiência. Só sentimento demais pra dois adolescentes que não sabiam o que fazer com aquilo.

Mas sabiam que não dava pra ignorar.

Nem naquela noite.
Nem nos anos que viriam depois.
.
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Continua...

Aquele IdiotaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora