Aquele Idiota 3 - 16_ Quero ela

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Drake

Estava ali, jogado no chão do quarto do Thiago, encostado na parede, ouvindo alguma música baixa de fundo e deixando o tempo passar.

— Mas, sério agora. — ele quebrou o silêncio. — Por que você voltou, cara? Tipo… depois de quatro anos? Você sumiu. E do nada aparece na cidade, entra no colégio, age como se fosse só mais um dia normal. Mas não é.

Olhei pra ele por alguns segundos.

Thiago sempre foi meu melhor amigo. Meu irmão. O único que sabia das merdas que eu carregava e das merdas que eu fazia.

Suspirei, apoiando os braços nos joelhos dobrados.

— Por causa dela.

— Da Manoela?

Assenti.

Ele ficou em silêncio. Um daqueles silêncios que dizem "puta merda, eu sabia."

— Achei que você tivesse seguido em frente. — ele falou, sem me olhar.

— Achei que eu também tivesse. — dei um riso sem humor. — Mas não dá. Não com ela.

Thiago me encarou com a testa franzida, curioso.

— Você podia ter mandado mensagem, tentado conversar antes. Mas sumiu, velho. Sumiu de tudo. E de todo mundo.

— Foi de propósito. — confessei, a voz mais baixa. — Quando a gente terminou… foi com raiva. Com orgulho ferido. A gente brigava demais, se machucava com palavras. Era tudo muito intenso. Ciúme, controle, insegurança. A gente tinha só quatorze anos, porra. Muito novos pra sentir o que sentia. E menos ainda pra saber como lidar.

Pausei.

As lembranças vinham como avalanche. O primeiro beijo. As risadas no portão da escola. As brigas no WhatsApp. O primeiro “eu te amo”. A primeira vez que ela chorou por mim.

— Só faltou a gente transar. — continuei. — Porque o resto… a gente viveu tudo. E mesmo assim, não soubemos segurar. A gente explodia demais. Era como fogo e gasolina.

— E seus pais? — ele perguntou.

— Queriam sair da cidade. Problemas no trabalho do meu pai. Minha mãe não queria mais ficar. Eu só… fui. Não lutei. Na época, eu já tava destruído com o fim com a Manoela. Então parecia até mais fácil sumir.

Thiago balançou a cabeça devagar.

— E agora?

— Agora eu tenho dezoito. — olhei nos olhos dele. — Sou adulto. E posso escolher onde quero ficar.

Ele ficou quieto.

— E você quer ficar aqui por causa dela?

— Não. — respondi. — Eu vou ficar aqui por causa dela.

Ele arqueou as sobrancelhas.

— Você acha mesmo que ela vai te dar abertura? A Manu é cabeça dura. E você quebrou o coração dela, cara.

Assenti, firme.

— Eu sei. Eu quebrei. Mas ninguém sabe o quanto o meu ficou pior. Ela… é o amor da minha vida, cara. Mesmo depois de quatro anos. Mesmo sem a gente ter se visto. Mesmo quando eu tentei apagar cada rastro dela da minha vida. Eu amo aquela garota. Amo mais do que eu mesmo.

— Porra. — ele murmurou, com um meio sorriso. — Isso foi... profundo.

— Não é poesia, é desespero.  Eu amo ela. E dessa vez, eu tô disposto a tudo. Não pra repetir o passado. Mas pra consertar ele. Pra reconquistar ela. Com calma. Com coragem. Com tudo o que a gente não teve antes.

Thiago respirou fundo, passando a mão no rosto.

— Vai ser difícil. Você sabe.

— Eu não quero fácil. — respondi, encarando o teto. — Quero ela.

E eu sabia.

Sabia que seria uma guerra.

Mas pela Manoela, eu tava pronto pra lutar com o mundo inteiro.

Até com ela mesma.
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Continua...

Aquele IdiotaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora