Aquele Idiota 3 - 08_ Merda

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Manu

Era escuro, mas não assustador. Era um escuro familiar. Daqueles que você conhece de olhos fechados.

O quarto estava do mesmo jeito que na última vez. Ventilador fazendo barulho no teto, luz do poste filtrando pela janela, e o colchão bagunçado no chão com nossos dois travesseiros embolados.

Drake estava ali.

Deitado de lado, camisa cinza, um braço sob a cabeça, o outro estendido na minha direção. O olhar preguiçoso. O sorriso lento.

— Vem cá, Manu. — a voz dele saiu baixa, rouca, do jeito que ele falava quando o mundo lá fora não existia.

Meu corpo foi antes de mim. Meus pés tocaram o chão do quarto, e de repente eu já estava deitada ao lado dele. Como se nunca tivesse saído dali.

Ele passou o braço pela minha cintura e me puxou pra mais perto. O toque dele me lembrava tudo: os dias bons, os ruins, e os que terminavam com a gente grudado, entre sussurros e lençóis molhados de suor e raiva e amor.

— A gente briga demais — eu sussurrei, encarando o teto.

— Mas a gente ama demais também. — ele respondeu, encostando o rosto no meu pescoço. O hálito quente dele fez minha pele arrepiar.

— Isso é um sonho?

— Depende... — ele sorriu contra minha pele. — Quer que seja?

Ficamos em silêncio. Só os sons da madrugada, o coração batendo, e a sensação de que nada no mundo fazia mais sentido do que estar ali.

Então, ele me virou de frente e passou o dedo devagar pelo meu rosto.

— Lembra da primeira vez que a gente se beijou?

Assenti, sorrindo.

— Você tava nervoso.

— Você também. — ele riu. — Fingiu que odiava, mas beijou de novo cinco minutos depois.

— Porque foi bom.

— Foi perfeito.

Ele se aproximou. A mão dele desceu pela lateral do meu corpo, parando na minha cintura. O olhar dele cravado no meu como uma promessa. Como uma bomba-relógio.

— Eu ainda penso em você. Toda noite. — ele disse, e era o Drake de antes, o de agora, todos os Drakes que eu amei em um só.

Nossos rostos estavam a centímetros. O coração disparado. O desejo palpitando entre a gente.

Mas quando os lábios quase se tocaram... tudo sumiu.

O quarto, a cama, ele.

Acordei com o peito arfando, o lençol embolado entre as pernas, o coração batendo como se eu tivesse corrido uma maratona.

Merda.

Eu ainda sonhava com ele.

Depois de quatro anos... Drake ainda era o caos que meu corpo lembrava de olhos fechados.

E agora, ele estava de volta.
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Continua...

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