Manoela
Foi a gota.
Minha mão voou contra o peito dele e o empurrou com força.
— Se afasta de mim. — rosnei, com a respiração descompassada, o coração disparado.
Ele deu um passo pra trás, mas não perdeu o sorriso.
— Tá bom, vai... — ele ergueu as mãos, rendido. — Mas você sabe que isso aqui ainda vai acontecer. Mais cedo ou mais tarde.
— Só nos teus sonhos. — murmurei, passando por ele e abrindo a porta da sala com força.
Saí antes que meu corpo me traísse de novo.
Antes que a vontade gritasse mais alto que o orgulho.
As batidas do meu coração ainda estavam fora do ritmo quando eu saí da sala e fechei a porta atrás de mim.
Ele não veio atrás.
Graças a Deus. Ou ao diabo. Porque se tivesse vindo… eu não sei se teria saído andando. Ou se teria jogado tudo contra a parede de novo. Inclusive eu mesma.
Minha respiração ainda vinha em ondas. Meu corpo ainda queimava nos lugares onde ele nem encostou. Porque bastava o olhar. Bastava a maldita presença. Bastava ele.
Apressei o passo pelo corredor vazio, com as mãos tremendo, ignorando os olhares que vinham das janelas das outras salas.
Diretoria? Nem fodendo. Não depois daquilo.
Desci as escadas sem rumo certo, dobrando corredores até chegar perto do vestiário do antigo ginásio — uma parte meio esquecida da escola, onde ninguém passava direito. Perfeita pra me esconder do mundo e tentar não explodir.
Encostei na parede fria e escorreguei até o chão.
Ali, no meio do silêncio, eu finalmente consegui respirar fundo.
Mas não aliviava.
Porque o cheiro dele ainda grudava na minha pele. A voz dele ainda vibrava nos meus ouvidos. O corpo dele ainda pressionava o meu… na memória que insistia em repetir como um filme maldito.
Eu odiava ele.
Odiava o que ele fazia comigo.
Mas o que eu odiava mais… era o que eu ainda sentia.
A raiva. A vontade. O fogo nos ossos.
— Desgraçado. — murmurei pra mim mesma, com a testa encostada nos joelhos.
Fechei os olhos com força.
E me vi de novo naquela sala. Na parede. Quase cedendo. Quase... merda.
Eu não podia deixar isso acontecer.
Não de novo.
Mas toda vez que eu pensava nele, meu corpo traía a minha decisão. Minhas mãos tremiam, minha pele esquentava, e meu orgulho virava poeira.
Soltei o ar com força, tentando colocar algum juízo na cabeça.
Primeiro dia de aula e eu já tava matando aula no fundo de um ginásio abandonado… com a mente fodida, o coração disparado e o cheiro dele grudado na minha roupa.
Parabéns, Manoela. Você tá de volta ao jogo mais perigoso da sua vida.
E o pior?
Você ainda não sabe se quer perder de propósito.
.
.
.
.
Continua...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Aquele Idiota
RomantikAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
