Manoela
Peguei o celular só pra olhar as horas.
SÓ.
Mas claro que, no meu caso, o universo resolveu ferrar com tudo de novo.
— Senhorita Manoela. — a voz do professor veio seca. Grossa. — Pode guardar o celular e se retirar da sala. Diretoria.
Pisquei.
— Professor, eu só ia olhar a hora. Juro que não era nada demais...
— Eu avisei no começo da aula. Nada de celular. — ele cortou. — Não tem discussão. Fora da sala.
— Mas é o primeiro dia de aula... — murmurei, com a vergonha explodindo no peito. — Eu nem fiz nada...
— Diretoria.
Eu já tava juntando as coisas, morrendo de vergonha e raiva ao mesmo tempo, quando a voz dele soou atrás de mim.
— Professor... — Drake disse, bem alto, com aquele tom debochado. — Quer um condicionador de cabelo?
A sala explodiu em gargalhadas.
Alguém bateu na carteira. Outro gritou "MEU DEUS!". E eu? Eu só fiquei parada. Em choque.
O professor ficou vermelho. VERMELHO. A careca dele brilhava mais do que o projetor.
— Pode ir com ela, Drake! — ele disse entre os dentes, furioso.
Drake pegou a mochila como se tivesse acabado de ganhar na loteria. Passou por mim, deu um sorrisinho e murmurou:
— Bora, minha criminosa favorita.
Saímos da sala no meio das risadas abafadas e olhares curiosos. Eu queria evaporar. Mas ele… parecia se divertir.
— Você é maluco. — falei assim que entramos no corredor.
— Um pouco. — ele deu de ombros, andando casualmente ao meu lado. — Mas me diz… desde quando olhar as horas virou crime?
— Desde que eu sou eu.
— Você ainda atrai confusão como ninguém, Manu.
Aquilo soou íntimo demais. Do jeito que só ele conseguia ser.
— A gente não devia ir pra diretoria? — perguntei, olhando pra trás.
— A gente pode. — ele respondeu, com aquele sorriso de canto. — Mas eu tenho ideia melhor.
— Qual?
— Vem comigo.
Hesitei por um segundo. Só um. Mas a verdade é que eu sempre fui boa em tomar decisões ruins quando envolvia o Drake.
Então fui.
Ele me levou por um corredor lateral, desceu uma escada meio escondida e abriu a porta de uma das salas de apoio. Estava vazia. Mesas empilhadas no canto. Quase escura. Silêncio total.
Ele entrou. Eu entrei. Ele trancou a porta.
— Que que você tá fazendo? — perguntei, com o coração batendo mais alto do que deveria.
Drake se encostou na parede, cruzando os braços.
— Matando aula com você. Que saudade disso.
— A gente tá no terceiro.
— E daí?
— E você não mudou nada.
Ele sorriu, devagar.
— E você continua me olhando como se quisesse me matar... ou me beijar.
Senti meu estômago revirar.
Ele deu um passo à frente. Só um. Mas o ar entre a gente ficou diferente. Mais quente. Mais pesado.
— Vai fazer o quê, Manu?
Eu não sabia.
Mas meu corpo já sabia.
E era exatamente isso que me assustava.
.
.
.
.
Continua...
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Aquele Idiota
RomanceAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
