Aquele Idiota 3 - 13_ Me matar ou me beijar

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Manoela

Peguei o celular só pra olhar as horas.

SÓ.

Mas claro que, no meu caso, o universo resolveu ferrar com tudo de novo.

— Senhorita Manoela. — a voz do professor veio seca. Grossa. — Pode guardar o celular e se retirar da sala. Diretoria.

Pisquei.

— Professor, eu só ia olhar a hora. Juro que não era nada demais...

— Eu avisei no começo da aula. Nada de celular. — ele cortou. — Não tem discussão. Fora da sala.

— Mas é o primeiro dia de aula... — murmurei, com a vergonha explodindo no peito. — Eu nem fiz nada...

— Diretoria.

Eu já tava juntando as coisas, morrendo de vergonha e raiva ao mesmo tempo, quando a voz dele soou atrás de mim.

— Professor... — Drake disse, bem alto, com aquele tom debochado. — Quer um condicionador de cabelo?

A sala explodiu em gargalhadas.

Alguém bateu na carteira. Outro gritou "MEU DEUS!". E eu? Eu só fiquei parada. Em choque.

O professor ficou vermelho. VERMELHO. A careca dele brilhava mais do que o projetor.

— Pode ir com ela, Drake! — ele disse entre os dentes, furioso.

Drake pegou a mochila como se tivesse acabado de ganhar na loteria. Passou por mim, deu um sorrisinho e murmurou:

— Bora, minha criminosa favorita.

Saímos da sala no meio das risadas abafadas e olhares curiosos. Eu queria evaporar. Mas ele… parecia se divertir.

— Você é maluco. — falei assim que entramos no corredor.

— Um pouco. — ele deu de ombros, andando casualmente ao meu lado. — Mas me diz… desde quando olhar as horas virou crime?

— Desde que eu sou eu.

— Você ainda atrai confusão como ninguém, Manu.

Aquilo soou íntimo demais. Do jeito que só ele conseguia ser.

— A gente não devia ir pra diretoria? — perguntei, olhando pra trás.

— A gente pode. — ele respondeu, com aquele sorriso de canto. — Mas eu tenho ideia melhor.

— Qual?

— Vem comigo.

Hesitei por um segundo. Só um. Mas a verdade é que eu sempre fui boa em tomar decisões ruins quando envolvia o Drake.

Então fui.

Ele me levou por um corredor lateral, desceu uma escada meio escondida e abriu a porta de uma das salas de apoio. Estava vazia. Mesas empilhadas no canto. Quase escura. Silêncio total.

Ele entrou. Eu entrei. Ele trancou a porta.

— Que que você tá fazendo? — perguntei, com o coração batendo mais alto do que deveria.

Drake se encostou na parede, cruzando os braços.

— Matando aula com você. Que saudade disso.

— A gente tá no terceiro.

— E daí?

— E você não mudou nada.

Ele sorriu, devagar.

— E você continua me olhando como se quisesse me matar... ou me beijar.

Senti meu estômago revirar.

Ele deu um passo à frente. Só um. Mas o ar entre a gente ficou diferente. Mais quente. Mais pesado.

— Vai fazer o quê, Manu?

Eu não sabia.

Mas meu corpo já sabia.

E era exatamente isso que me assustava.
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Continua...

Aquele IdiotaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora