Aquele Idiota 3 - 09_ Birra da tia Sienna

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Manoela

— Meninas, café na mesa! — a voz da minha mãe ecoou pela casa com aquele tom doce de quem já tá impaciente. — Vai esfriar!

Bocejei alto, me espreguiçando enquanto a Larah passava na porta do meu quarto com a toalha enrolada no cabelo e o celular na mão.

— Primeiro dia de aula, hein? Bora causar, irmã?

— Você que lute — murmurei, jogando as pernas pra fora da cama. Ainda era cedo demais pra aguentar a empolgação da Larah.

Ela era o caos. Gloss e drama. Só tinha quinze, mas se achava a próxima It Girl da escola. E eu? Eu só queria tomar café e não pensar no inferno que foi a noite passada.

Quando cheguei na cozinha, meu pai já tava à mesa, camiseta branca, cabelo bagunçado e aquele olhar sonolento de quem passou a madrugada desenhando.

— Bom dia, minhas princesas — ele sorriu, estendendo a mão pra bagunçar meu cabelo. Eu desviei com um tapa leve.

— Nem encosta. Eu ainda nem penteei.

— Ficaria linda até careca, Manu.

Revirei os olhos, mas sorri.

Larah chegou logo depois, de calça jeans clara e cropped rosa. O cabelo solto já arrumado.

— Pai, você viu a mensagem da Saphira? Ela vai estar linda hoje. A gente vai se encontrar no portão. — falou, animada.

— Lá vem. — resmunguei pegando o pão.

— Para, né, Manoela. Ela é nossa prima. A gente se dá super bem.

— E eu continuo sem entender como.

— Porque você tem birra da tia Sienna. Deixa isso no passado, vai.

Suspirei.

— A tia Sienna fez a vida da mamãe um inferno. A gente não tava lá, Larah. Mas sabemos que ela e o Marcos quase destruíram a nossa família. É óbvio que eu não consigo olhar pra filha dela com bons olhos.

Dylan olhou pra mim com aquele sorriso torto que só ele sabia dar.

— Sua mãe passou por muita coisa, Manu. Mas a Saphira não é a Sienna. E você também tem que viver sua própria história. E a Ayla já perdoou sua tia.

— Eu vivo. Longe dela.

Minha mãe se virou da pia, apoiando as mãos no balcão, com o mesmo olhar paciente de sempre.

— Manu, ninguém tá pedindo pra você gostar. Mas só não precisa transformar em guerra. A Larah se dá bem com ela, e tá tudo certo.

Larah rolou os olhos e continuou montando seu prato.

— Ela é super legal, sabia? Estilosa, engraçada... e super sincera.

— Hum. Demais até — murmurei.

— Vai com a Kimberly hoje? — minha mãe perguntou, tentando mudar de assunto.

— A gente combinou de se encontrar no caminho. O Wellington vai estar com a gente.
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Continua...

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