Aquele Idiota 3 - 07_ Teu ex?

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Manoela

O carro do Wellington mal parou na frente de casa e eu já desci, murmurando um “valeu” antes mesmo de fechar a porta. Ele tentou insistir pra conversar, mas eu só queria sumir. Respirar. Ou melhor: me esconder.

Entrei sem fazer barulho. A casa já estava mais silenciosa, só as luzes baixas da sala acesas. Passei pela cozinha direto, indo pro meu quarto, mas parei no corredor.

A luz do quarto da minha mãe estava acesa.

Bati duas vezes, meio hesitante.

— Mãe?

— Entra, Manu — a voz veio suave, mas alerta. Ela sempre percebia quando tinha algo errado.

Abri a porta devagar. Ayla estava deitada de lado, lendo algum livro, com o cabelo preso no alto da cabeça, vestindo uma camiseta do meu pai.

— Aconteceu alguma coisa, filha? — ela perguntou antes mesmo que eu sentasse na beirada da cama.

Suspirei. Meus ombros despencaram.

— Mãe… eu vi o Drake hoje.

Ela piscou. O livro caiu no colo. E a expressão dela congelou num misto de surpresa e alerta.

— O Drake… teu ex? Aquele... — ela fez um gesto com a mão, como se tentasse achar uma palavra menos pesada. — Que você namorou aos 14 e terminou chorando por semanas?

Assenti, apertando os joelhos contra o peito.

— Ele apareceu do nada. Tava no barzinho que a gente foi hoje à noite. Encostado no balcão. Igual antes. Jaqueta preta, olhar de canalha... o mesmo sorriso. Só que... pior. Ele tá mais bonito. Mais... mais tudo.

Ayla ficou em silêncio por alguns segundos. Analisando. Processando. O olhar dela se suavizou. Ela conhecia aquele tipo de caos. Tinha vivido algo parecido.

— E você? — ela perguntou baixinho. — O que sentiu quando viu ele?

— Tudo. De novo. — falei com a voz embargada. — Raiva, saudade, vontade de bater e beijar ao mesmo tempo. Eu achei que tinha superado. Juro que achei.

Ela estendeu a mão, puxando a minha pra cima da cama. Eu deitei com a cabeça no colo dela. Os dedos dela começaram a acariciar meus cabelos, daquele jeito que só mãe sabe fazer.

— Essas coisas... elas não somem. Se não são resolvidas, elas ficam ali, quietinhas. Esperando. — Ela respirou fundo. — O que importa é o que você vai fazer agora.

— Fugir parece bom. — murmurei.

— Fugir nunca resolveu nada. — ela sorriu, me olhando com doçura. — Você tem o direito de sentir tudo isso. Mas também tem o poder de decidir o que vai fazer com esse sentimento.

— E se eu fizer merda?

— A gente limpa depois. — Ela deu de ombros. — Mas tenta não repetir os mesmos erros. Principalmente os seus e os meus. Ok?

Sorri fraco.

— O pai sabe que você é tão sábia assim?

— O Dylan acha que eu sou perfeita. — ela piscou. — Melhor não tirar a ilusão dele.

Rimos juntas.

E ali, naquele colo, eu finalmente consegui respirar de novo.

Mas no fundo... eu sabia. A história com Drake estava longe de acabar.

Na verdade, ela tinha acabado de recomeçar.
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Continua...

Aquele IdiotaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora