Manoela
O carro do Wellington mal parou na frente de casa e eu já desci, murmurando um “valeu” antes mesmo de fechar a porta. Ele tentou insistir pra conversar, mas eu só queria sumir. Respirar. Ou melhor: me esconder.
Entrei sem fazer barulho. A casa já estava mais silenciosa, só as luzes baixas da sala acesas. Passei pela cozinha direto, indo pro meu quarto, mas parei no corredor.
A luz do quarto da minha mãe estava acesa.
Bati duas vezes, meio hesitante.
— Mãe?
— Entra, Manu — a voz veio suave, mas alerta. Ela sempre percebia quando tinha algo errado.
Abri a porta devagar. Ayla estava deitada de lado, lendo algum livro, com o cabelo preso no alto da cabeça, vestindo uma camiseta do meu pai.
— Aconteceu alguma coisa, filha? — ela perguntou antes mesmo que eu sentasse na beirada da cama.
Suspirei. Meus ombros despencaram.
— Mãe… eu vi o Drake hoje.
Ela piscou. O livro caiu no colo. E a expressão dela congelou num misto de surpresa e alerta.
— O Drake… teu ex? Aquele... — ela fez um gesto com a mão, como se tentasse achar uma palavra menos pesada. — Que você namorou aos 14 e terminou chorando por semanas?
Assenti, apertando os joelhos contra o peito.
— Ele apareceu do nada. Tava no barzinho que a gente foi hoje à noite. Encostado no balcão. Igual antes. Jaqueta preta, olhar de canalha... o mesmo sorriso. Só que... pior. Ele tá mais bonito. Mais... mais tudo.
Ayla ficou em silêncio por alguns segundos. Analisando. Processando. O olhar dela se suavizou. Ela conhecia aquele tipo de caos. Tinha vivido algo parecido.
— E você? — ela perguntou baixinho. — O que sentiu quando viu ele?
— Tudo. De novo. — falei com a voz embargada. — Raiva, saudade, vontade de bater e beijar ao mesmo tempo. Eu achei que tinha superado. Juro que achei.
Ela estendeu a mão, puxando a minha pra cima da cama. Eu deitei com a cabeça no colo dela. Os dedos dela começaram a acariciar meus cabelos, daquele jeito que só mãe sabe fazer.
— Essas coisas... elas não somem. Se não são resolvidas, elas ficam ali, quietinhas. Esperando. — Ela respirou fundo. — O que importa é o que você vai fazer agora.
— Fugir parece bom. — murmurei.
— Fugir nunca resolveu nada. — ela sorriu, me olhando com doçura. — Você tem o direito de sentir tudo isso. Mas também tem o poder de decidir o que vai fazer com esse sentimento.
— E se eu fizer merda?
— A gente limpa depois. — Ela deu de ombros. — Mas tenta não repetir os mesmos erros. Principalmente os seus e os meus. Ok?
Sorri fraco.
— O pai sabe que você é tão sábia assim?
— O Dylan acha que eu sou perfeita. — ela piscou. — Melhor não tirar a ilusão dele.
Rimos juntas.
E ali, naquele colo, eu finalmente consegui respirar de novo.
Mas no fundo... eu sabia. A história com Drake estava longe de acabar.
Na verdade, ela tinha acabado de recomeçar.
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Continua...
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Aquele Idiota
RomanceAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
