Aquele Idiota 3 - 03_ Tirava a blusa

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Manoela

— Mãe, você viu minha blusa preta de manga comprida? Aquela que tem o detalhe no ombro?

— No cesto de roupas limpas, Manu! — Ayla respondeu do quarto, com a voz abafada pelo secador de cabelo.

Apesar de não ser dia de festa grande, eu, Larah, Kimberly e Wellington combinamos de ir num barzinho novo que abriu perto da escola. Aquele tipo de lugar com bebida sem álcool, música boa e muita gente se fazendo de descolada. Não era nada demais, mas ainda assim, melhor do que ficar em casa.

Quando terminei de me arrumar, desci e encontrei Larah sentada no pé da escada, com o celular na mão.

— Pronta?

Ela olhou pra mim e deu um sorriso de lado.

— Pronta. Saphira me mandou mensagem agora dizendo que o barzinho é fraco. Mas ela não vai, então tanto faz.

Revirei os olhos, bufando.

— Saphira sempre tem algo pra falar. Não sei como você ainda leva ela a sério.

— Porque ela fala umas verdades que você não gosta de ouvir.

— Tipo?

— Tipo que você tem mania de se achar melhor que os outros.

Suspirei.

— Você puxou a mãe dela. Nossa adorável tia Sienna. Você sabe o que ela fez com a nossa mãe, Larah. Ela defendeu aquele desgraçado do Marcos, mesmo sabendo a verdade. Nunca pedi pra você cortar contato com elas, mas não me faz engolir esse veneno como se fosse vitamina, beleza?

Ela desviou o olhar, meio sem graça.

— Vamos logo, vai.

No caminho, encontramos Kimberly e Wellington. Kim tava um escândalo de linda, com aquele cabelo impecável e maquiagem perfeita. Wellington vinha todo estiloso, e como sempre, com aquele ar debochado que fazia todo mundo rir.

O barzinho tá cheio, iluminado por luzes coloridas e um som gostoso vindo de uma banda ao vivo. A gente pegou uma mesa mais afastada e pediu umas porções, refrigerante e começou a falar da vida.

Larah riu de alguma coisa que viu no celular.

— Saphira acabou de postar que esse lugar parece ponto de encontro de gente carente.

— E ela tá errada? — Wellington soltou, fazendo todo mundo rir.

— Ainda acho que você devia parar de dar tanto ouvidos pra ela, Larah — comentei.

— Ela me entende mais que você.

Revirei os olhos. Não valia a pena discutir.

(...)

Me afastei um pouco do bar, alegando que precisava ir ao banheiro. A verdade? Eu só precisava respirar. O som alto, os risos, as luzes — tudo estava ótimo. Mas tinha algo estranho no ar. Uma ansiedade esquisita dentro do peito, como se algo fosse acontecer.

Me encarei no espelho, ajeitei o cabelo com os dedos, retoquei o gloss nos lábios. Estava tudo certo. Eu estava linda. No controle. Certa de que nada — nem ninguém — conseguiria mexer comigo naquela noite.

Mentira.

Porque assim que eu sai do banheiro...

Meu coração errou a batida.

Ele estava encostado no balcão, um copo na mão, o corpo relaxado… mas o olhar? O olhar cravou em mim com uma fome antiga. Como se me despisse ali mesmo. Como se lembrasse de cada centímetro meu de olhos fechados.

O tempo parou. A música virou um ruído distante. Só existia ele.

E então, ele sorriu.

Lento. Ardente. Um convite disfarçado de provocação.

— Manoela. — A voz dele saiu arrastada, baixa, com aquele tom rouco de madrugada e lençóis amassados. — Continua perigosa.

Minha pele arrepiou. Meu nome na voz dele ainda era um gatilho.

— Drake. — Tentei soar firme. Tentei parecer inteira. Fracassei.

Ele se aproximou. Um passo de cada vez, com aquele andar descompromissado e ao mesmo tempo calculado. Como se soubesse que cada movimento acendia algo em mim que eu não queria reacender.

— Ainda linda. Cresceu. — Ele murmurou. Os olhos percorrendo meu corpo como um toque. — Tá diferente. Mas ainda assim... muito linda.

— O que você tá fazendo aqui? — Minha voz saiu mais baixa do que eu queria.

— Voltei. Pra ficar.  — E sorriu de lado. Aquele sorriso que me fez odiá-lo e amá-lo aos 14. — Senti falta. De casa... de certos gostos.

— Drake...

— Você ainda treme quando eu chego perto. — Ele disse, mais próximo. Tão próximo que eu senti o hálito quente dele tocar minha boca. — Igual antes. Igual nas noites que você dizia que me odiava... enquanto tirava a blusa com pressa.

Minhas pernas enfraqueceram. O mundo girava devagar demais ou rápido demais — eu já não sabia. Só sabia que ele estava ali. Real. Quente. Queimando minhas defesas.

— Isso é uma péssima ideia. — murmurei, lutando contra meu próprio corpo.

Ele sorriu de novo. Aquele sorriso de quem sabia. Sempre soube.

— Mas você sempre adorou ideias ruins comigo.

Minha respiração se tornou pesada. Ele chegou mais perto, mas não me tocou. Aquilo me destruiu mais do que qualquer toque.

— Ainda usa o mesmo perfume. — ele murmurou. — Era ele que me enlouquecia quando você me deixava esperando, lembra? Aquela noite no campo de futebol? Ou quando você ficou presa comigo na chuva dentro do meu quarto? Nunca vou esquecer esse cheiro. Era o que ficava no meu travesseiro quando você ia embora.

Tentei desviar o olhar. Ele bloqueou o caminho. Ficamos frente a frente, a menos de um palmo. Meu corpo esquentou. E eu odiei a mim mesma por isso.

— Isso é loucura. — murmurei.

Ele sorriu. Baixo.
Lento.
Quente.

— Eu gosto de loucura.

— Foi por isso que a gente acabou.

— A gente acabou porque era jovem demais pra entender que o que a gente tinha não era comum.

— A gente só tinha 14 anos...

— E agora não temos mais. — Ele segurou meu rosto com uma mão firme, mas delicada. O polegar roçando minha bochecha como uma carícia proibida.

— Vai embora, Drake. — Tentei de novo. Mas a voz saiu implorando. Mentindo.

Ele encostou a testa na minha. Os olhos nos meus. A respiração quente entre nós.

— Eu fui. Mas nunca deixei você. E agora eu voltei. E você sabe o que isso significa.

— A gente… não terminou bem.

— A gente não terminou, Manu. A gente pausou.

Ele roçou os lábios nos meus, sem beijar. Só ameaçou. E aquilo foi pior que um beijo. Muito pior.

— Ainda penso em você. Toda vez que deito. Toda vez que bebo. Toda vez que alguém tenta ser você.

Meus olhos se fecharam, e a imagem do nosso passado invadiu com força. As brigas. Os beijos. As mãos apertadas na pele. As palavras sussurradas entre gemidos e travesseiros.

Ele se afastou devagar.

Mas o estrago já estava feito.

Meu corpo gritava por ele. Minha mente berrava contra mim. E meu coração? Meu coração ainda lembrava exatamente como era amar o caos em forma de Drake.

Inferno.

Era ele.

E eu já não tinha certeza se queria resistir. Ou me render de vez
.
.
.
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Continua...

Aquele IdiotaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora