Capítulo 44 · Emma Karson ·

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Eu tenho que prender o Blake. 

Isso é uma das únicas certezas que tenho dentro dessa situação. E a outra certeza é que eu estar transando com ele é como um leão brincar com um cervo antes de matá-lo. 

É como tentar compensá-lo pelo que fui contratada para fazer. 

Prendê-lo.

Não foder com ele.

Até porque isso ficou meio misturado ao longo desses dias. 

Melina estava certa desde o começo. Pegar um caso apenas pela minha afinidade com os alvos — no plural porque, caso tenham esquecido, ainda há o Enzi no meio dessa história toda — não daria certo. Eu acabaria mais ferrada sentimentalmente do quê já sou e ainda machucaria alguém. 

Dito e feito. Eu provavelmente nutro algo pelo Gabriel. Talvez por nossa recorrente ficha passada e das coisas que aconteceram conosco. Porém, também sinto algo forte pelo meu lindo príncipe de Ébano, afinal ele me pediu em casamento e eu não aceitei por causa da minha aversão à relacionamentos.  

Uma frescura idiota, se querem saber. 

E aqui estou eu, novamente, de sobrancelha erguida e sorriso malicioso no rosto. Pronta pra executar os dois últimos "prazeres" com o Blake. Pronta para fazer o que é certo assim que eles acabarem. E, cá pra nós, aproveitar cada momento com esse "pseudo-metido-a-deus-Grego"

— Te chamar de "Treinadora"? Como ass...

Se esquiva! — ergui meu punho, lançando-o em direção do belo maxilar do Gabriel, que, completamente horrorizado, desviou e me olhou com cara de quem não fazia do que estava acontecendo. 

Que porra?? Por que está querendo me bater?! — falou e eu me concentrei em coordenar um soco de esquerda com um chute. Blake habilmente bloqueou o primeiro, mas foi golpeado com meu chute e cambaleou, tossindo um pouco. — Eu pensei que estávamos bem! — ralhou, no meio das tosses. 

Tive que rir. 

Eu já tinha visto muito. Assassinos, golpistas, policiais corruptos, ladrões... Todos os tipos de criminosos que possam imaginar. Sempre fui a responsável de lidar com eles. Porém, nunca vi um tão irritamente fraco. E não era por falta de treino. Gabriel parecia esquecer tudo que sabe e se tornava uma espécie de leigo quando posto em pressão.
Como agora.
Mas todos sabemos o porquê disso. 

A preguiça

Testei outro soco, gingando com ele, Blake esbarrou sem querer no saco de pancadas que quase o derrubou. Bufei, fitando aquela cena. Quando ergui meu punho esquerdo e ele o bloqueou, se distraindo, atingi aquele queixo lindo com apenas um de direita. 

Com um grunhido, ele se afastou, mexendo a mandíbula e cuspindo uma boa quantidade de sangue. 

Sempre tive uma boa direita. 

Emma... — iria começar com o monólogo e eu revirei os olhos, girando e falhando em acertá-lo com um chute na boca do estômago. Meu pé pousou no chão e totalmente a mercê dele, que só revezou o olhar durante alguns segundos.

Foi minha vez de grunhir com raiva. 

Reage! — gritei.

Gabriel meneou a cabeça, parecendo ter escutado a maior atrocidade da galáxia.

— Não vou lutar com você, tá louca? — se aproximou, com a testa enrugada e aquela expressão de menino perdido no aeroporto, sem os pais e sem nenhum contato que possa o ajudar. E esse contato, definitivamente, não seria eu. 

Empurrei-o pelos ombros com força. 

R-e-a-g-e! — disse, sílaba por sílaba, só pra ver se entrava naquela cabeça de passarinho. Empurrei de novo, escutando as costas dele bater na parede espelhada com uma força medida e o que fez gemer de dor. 

— Eu não sei o que está fazendo, mas eu não v...

Deixei que minha falta de paciência falasse, — e até o meu rancor também — e meu punho foi de encontro ao estômago dele, com força e o fazendo se encolher, e outro e mais outro... Desferi uma série de socos e ele não reagiu. 

— Para com a sua preguiça de reagir! — grunhi, tomando impulso e o virando para o espelho. A sala de lutas dele iria me fazer matar dois coelhos em uma única cajadada. — Você que é tão vaidoso, olhe como está... — puxei os fios negros pra trás, a boca suja de sangue, alguns hematomas da briga com os Reich. — Isso só são os vestígios da sua frouxidão... Você é medroso, imprestável... Não serve nem pra ser criminoso e ainda deixou a joia que sua vó lhe deu ser roubada de uma maneira tão fácil e corriqueira. Como tirar doce de uma criança que prefere um salgado, praticamente dada... 

Foi rápido. Ele enganchou seu pé por trás do meu e conseguiu me derrubar, numa rasteira rápida. Antes que o Blake pudesse sequer pensar em me chutar, fiz o mesmo com ele, mas não com o mesmo sucesso. 

—  OK! Você quer briga?! É briga que vai ter...— rosnou e quando estava se aproximando de mim, o celular em seu antebraço bipou. Como o bom filho da puta que é, com um sorriso sacana, ele parou no meio do caminho e pegou o aparelho calmamente. — Um momento... — deslizou os dedos pela tela, antes que eu pudesse ver o sorriso grande dele desaparecer, chutei o telefone e revirei os olhos. 

— Não sabia que os frangolinos liam mensagens enquanto lutavam... — provoquei e nós giramos, como dois animais que iriam se enfrentar. Sendo que não havia mais luz naqueles olhos castanhos-escuros. Eles estavam foscos e me encaravam como se eu não fosse nada. Por um momento, não entendi e arrisquei uma combinação de socos com um chute alto no fim.

Todos bloqueados com êxito e conseguindo me deixar mentalmente atônita

Gabriel, por sua vez, lançou seus punhos cobertos pelas faixas contra o meu rosto. Um pouco surpresa, me esquivei, sendo acertada por apenas um que bateu em meu ouvido de tal modo que o fez zunir e me distrair. 

Eu sabia que tinha provocado, mas há uns cinco minutos atrás ele mal estava reagindo!

Aproveitando meu momento de tontura, ele me abraçou pelo pescoço. E ao contrário do que pensam, não foi nada carinhoso ou erótico, foi doloroso. Era uma variação do"mata-leão" que ele deu no Igor, enquanto eu quebrava a cara do palhaço mais velho.

O ar já estava virando um privilégio que eu não poderia me dar o luxo de usar. Se não pensasse rápido, sairia dali numa maca e visitaria novamente o hospital.

O reflexo no espelho mostrava a minha cara de desespero e a frieza calculada dele. Não havia a hesitação de antes.

Me remexi com força e a única coisa que consegui foi fazê-lo apertar mais.

— Eu quero o meu rubi. — rosnou com a boca colada no meu ouvido bom. Ainda bem, porque se fosse um pouquinho longe eu não escutaria, já que estou temporiamente surda.

Todavia, voltando a questão que ele acabou de pedir o rubi e... Puta Merda!

Eu tinha que pensar...

Com a visão perto de ficar turva, lancei meu cotovelo com toda força na costela dele, que grunhiu alto, mas não soltou, porém, fraquejou o aperto e me deu a vantagem de poder impulsiona minhas costas, virando de frente pra ele.

Esperei ele tentar acertar meu nariz e o bloqueei, segurando o punho e o seu braço com uma firmeza de quem já sabia o que ia acontecer depois disso.

Com uma prática e destreza dá normalidade ocasional que isso acontece na minha rotina, virei o braço dele, e, com uma força que o fez gemer de dor, lancei seu corpo contra o espelho.

A algema sintética que estava escondida no meu top serviu em boa hora. E mesmo sem necessidade, a coloquei o mais apertado que pude, ele grunhiu, com a cara grudada no vidro.

E foi com dor e encarando a cara de choque dele ao escutar, que falei a frase a seguir:

Gabriel Luca Blake, você está preso.

7 PRAZERES CAPITAIS - As Whiter'sOnde histórias criam vida. Descubra agora