Capitulo 64

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"Não imaginam o prazer que é estar de volta"

Lara

Acordo com a Dolores abrindo as cortinas do quarto. Resmungo, mas levanto pela coragem de Deus.

Calço minhas pantufas e sigo para o banho, faço minhas higienes, lavo o cabelos e escovo os dentes.
Procuro uma roupa pelo closet olhando parte por parte.

Dolores: Posso ajudar menina? - pergunta

Lara: Não tenho nenhuma roupa Dolores- cruzo os braços e ela arregala os olhos

Dolores: Você tem uma loja dentro do quarto e esta reclamando? Você sabe o que se passa em subúrbios e periferias? Tem gente precisando pelo menos de um agasalho, ou um tênis e não tem - me da bronca. Ela é como uma mãe pra mim

Lara: Eu sei Dolor - suspiro lembrando da favela. Onde ainda la, minha casa era ótima comparada as outras. E hoje moro em uma mansão- so não quero vestir nenhuma dessas

Ela vai até la procurando algo e me estende um vestido longo de florzinhas. Assinto contra gosto e pego o vestindo.

Em seguida ela pega uma rasteirinha nude e eu calço.

Dolores: Estão te esperando para o café- diz saindo

Termino de me arrumar rapidamente e quando volto para o quarto tudo ja esta arrumadinho, pego meu celular e desço as escadas seguindo para sala de jantar.

Lara: Bom dia

Liana: Bom dia - meus pais respondem sem nem me olhar

Henrique: Bom dia querida - meu noivo desvia a atenção rapidamente me dando um selinho.

Lara: Então, será que podemos tomar um café da manhã em familia?

Liana: Fazemos isso todos os dias- tira os olhos do celular e me nota

Papai e Henrique fazem o mesmo me fitando.

Lara: Não fazemos. Vocês ficam vidrados em um aparelho, enquanto eu tento chamar a atenção de vocês.

Henrique: São negócios da empresa

Lara: Eu faço parte disso e nem por isso estou trabalhando- me levanto desistindo do café

Liana: Lara? - me chama- volte e se sente

Lara: Muito obrigada, mas dispenso. Boa apetite.

Caminho de volta para o quarto. Papai acha que ainda sou criança, a menininha de cabelos longos e castanhos. Doce e gentil.

Que na adolescência depois de anos de experiências dentro de uma favela, voltou para Porto Alegre para ajudar seus pais reconstruirem o casamento. E de quebra ainda ganhei uma irmã, a Lunna, que quase não vejo pois evita vim aqui.

Amigos? Se ganhei três foram muitos, fiz minha faculdade de administração com o foco somente na empresa Renetingh, onde meu pai é acionista e o Henrique administrador. Trabalhamos hoje juntos, mas é claro que o homem sempre ta no topo da pirâmide. E foi la que nos conhecemos e estamos juntos desde então.

Me deito fechando os olhos e lembrando da quantidade de problemas, casamento daqui a um ano, empresa com muitas papeladas, pais que não saem do seu pé.

Sinto beijos molhados em minhas costas e meu cabelo sendo jogado pro lado.

Henrique: Não fica assim princesa, sabe que são ocupados

Viro minha cara e ele tenta beijar minha bochecha.

Lara: Para Henrique

Henrique: O que eu faço pra tirar esse bico da boca? - fico quieta- Quer sair mais tarde? - não respondo- só eu e você? - gosto quando ele banca a princesa que eu sou, então assinto - nos vemos as oito então - rouba um selinho rápido e se levanta saindo.

Pra me convencer a não ficar com raiva, ele tenta sempre me conquistar fazendo uma coisinha. Manda flores, chocolate, joias. Me chama pra sair, programa uma viagem, faz uma coisa especial em casa.

Ele é o principe que toda mulher sonha em ter, carinhoso, romântico, trabalhador, rico e bonito. Ele é bom em tudo que faz. Mas meu coração ainda dispara quando falam no nome de outro.

Principalmente na hora do sexo, o Henrique é ótimo no que faz e nunca deixou de cumprir o papel. Mas o Ravi representa. Com ele tinha malicia, ansiedade, sensações fora do normal. Ravi jogava sujo e provavelmente ainda joga.

Desde que sair do morro recusei o contato com todos, no início ainda tinha com a Manoela, mas ela começou a trabalhar e nossos horários não coincidiam. Pra não sofrermos achei melhor afastar dela também.

Hoje me bate a curiosidade de tudo. Não só de ver virtualmente como ir até la.

Mas o medo de tudo voltar me persegue. É sentimentos, amizades, desconfianças.

As vezes me pergunto se ele ainda lembra de mim, e se o seu coração bate rápido quando ouve meu nome. Sorriu sozinha e ouço abrindo a porta.

Liana: Vamos ao shopping?

Lara: To sem roupa maezinha - ela abre a boca em um O e rir

Liana: Imagina se não tivesse realmente. Eu compro alguma coisa pra você.

Lara: Vou sair com o Henrique. Provavelmente vamos jantar fora. Compra alguma coisa pra ocasião- ela sente sorrindo

Liana: Vocês são tudo que pedir a Deus. Que esse casamento saia logo. To mais ansiosa que a noiva. - faz sinal pro céu

Lara: Até parece - sorriu- você nem escolheu o seu vestido ainda - ela caminha se sentando na cama pra conversar comigo

Liana: Aquela bruxa da sua sogra toda cor que escolho, ela quer também - reviro os olhos, se xingam o tempo todo, e pessoalmente bancam as melhores amigas do mundo.

Lara: Escolhe sem ela saber. Ai não coincidem, todo vestido bonito que você ver, ja quer falar pra ela pra fazer inveja.

Liana: Eu? Ela é quem pergunta - rir- mas finalizando aqui se não me atraso. Vou ver amanhã se acho algo pra mim em São Paulo.

Lara: Vai pra Sao Paulo? Que dia?

Liana: Tenho uma reunião importante na Renetingh, na sexta-feira. Na segunda preciso está no Rio, vou ver como anda o polo de lá e ajudar o senhor Renetingh em uma reunião. A funcionária dele não vai poder comparecer, parece que anda doente ou no hospital, algo assim.

Lara: Queria ir junto. Passear, preciso de ferias

Liana: Quem sabe da próxima. Você precisa administrar uma empresa

Lara: Pior que tem muito problema pra resolver mesmo - suspiro

Liana: Então. Deixa eu indo - beija minha cabeça saindo.

Dose Dupla⁴ - De Cor Âmbar Onde histórias criam vida. Descubra agora