CAPÍTULO LXVIII

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Fiquei deitada por um tempo pensando no melhor a fazer. O sono não chegava e eu não conseguia parar de imaginar o que Steve faria para evitar que Peggy contasse a Ana. Sem sono saí do quarto em busca de um copo com água e encontrei Melina sentada no sofá. Ela encarava a janela parecendo não enxergar nada. Foi impossível deixar de confrontá-la.

— Por que mudou a configuração do meu celular? – tentei não ser rude. Ela fechou os olhos e respirou fundo.

— Eu estive com ela.

— Como?

— A esposa dele. Peggy.

— Peggy? Como? Onde?

— Ela ligou hoje cedo me pedindo para encontrá-la. Disse que os seguranças não permitiriam que se aproximasse, também que poderia garantir que Steve estava mentindo e que se eu aceitasse encontrá-la poderia me contar a verdade.

— Mãe, você foi se encontrar com ela? Peggy mandou me matar. Meu Deus! – liguei imediatamente para Steve.

— Nat, ela me disse que ele...

— Steve – eu disse nervosa. — Peggy esteve com minha mãe.

— Como assim? – ele sussurrou como se não pudesse atender a ligação naquele momento.

— Eu não sei. Ela está me contando agora. Você acredita que ela aceitou se encontrar com Peggy? Que esteve com ela hoje? Isso é inacreditável.

Eu andava de um lado para o outro em minha pequena sala. Minha mãe somente observava.

— Droga! Estou indo pra sua casa agora – desligou o telefone.

— Você sabe o risco que correu ao se encontrar com Peggy? – voltei a minha atenção para minha mãe.

— Ela me disse que ele quer que faça um teste perigoso para a criança. Que não acredita que seja filho dele porque quer ficar com você. Natasha, ele tem várias amantes.

— Mãe! Pelo amor de Deus! Peggy é louca. Ela não é confiável. Olha o que ela fez comigo – apontei para meu braço ainda machucado. — Mas que droga! O que estava pensando quando colocou meu celular para vibrar? Achou que isso seria o suficiente para me afastar de Steve? Uma tentativa de assassinato não conseguiu.

— Só fiquei assustada. Não sei no que acreditar. Ela é a esposa dele. Disse que não vai aceitar o divórcio e que você é a culpada por tudo. Se ela está mesmo envolvida nesse atentado, não quero você neste meio. Droga! Sou sua mãe! Não posso ficar sentada assistindo você se envolver cada vez mais nesta confusão. Não quero que nada mais aconteça com você.

— Sou adulta. Sei quais são os riscos. Quero e vou encará-los. Não vou me afastar de Steve – falei ciente de que todos os vizinhos poderiam me ouvir. — Você não entende mãe. Não existe nada neste mundo que me faça voltar atrás. Eu amo Steve. É irreversível.

Ficamos em silêncio nos encarando enquanto minhas palavras ficavam suspensas no ar. Eu podia ouvir cada uma delas se repetindo dentro de mim. A cada segundo a constatação da veracidade delas era mais forte. Eu tinha certeza de que minha mãe sentia o mesmo.

— Sinto muito – desviou o olhar.

Ouvimos a batida na porta e fui atender certa de que era Steve. Ele estava tenso demais.

— Oi – disse entrando.

— Steve – minha mãe cruzou os braços no peito encarando-o.

— O que Peggy te disse? – ele não estava com medo do que minha mãe poderia fazer.

— Que você era um canalha. Que estava tentando fazê-la perder a criança, como fez com seu outro filho e que Natasha não era a sua única amante. É apenas a que você dá uma atenção maior. Ele não recuou diante das palavras dela.

Pleasure | Love (Romanogers)Onde histórias criam vida. Descubra agora