Capítulo Setenta e Sete

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Olhei, através do longo espelho, para Steve Rogers, lindo, imponente, outra vez seguro de si. Ele me encarou aguardando. Eu não conseguia respirar. O que aconteceria? O que eu poderia dizer? O que ele diria?

— Posso processá-lo por assédio, Sr. Rogers – virei-me para encará-lo diretamente. Forcei-me a manter um sorriso irônico nos lábios. Ele nada disse. Apenas me observava. — O que tem para dizer de tão importante que não podia esperar que eu deixasse o sanitário?

— Qual é o jogo, Natasha? – mantinha a voz baixa. Desafiadora.

— Jogo? – ri irônica. — Você está trocando as pessoas, Steve – ele deu um pequeno passo em minha direção, meu corpo reagiu com força ao sentir que ele se aproximaria ainda mais.

— Qual é o problema? O que aconteceu? – parecia mais gentil, porém seu olhar analisava todos os meus gestos.

— Eu já te disse o que aconteceu. O que mais precisa que eu explique? – recuei um pouco ficando limitada pela bancada da pia. Minha respiração estava acelerada e precisei fazer um esforço enorme para não gaguejar.

Droga! Não estava nos meus planos aquela aproximação. Era para ele me odiar. Era para desejar a minha morte. Então por que ele me olhava de maneira tão suplicante?

— Nat! – levantou a mão para me tocar.

Aquele mínimo segundo pareceu uma eternidade. Todo o tempo parou, o mundo deixou de girar, o som não existia mais. Apenas Steve e eu, presos naquele banheiro sufocante, que naquele momento valia toda a minha existência. Tudo porque ele me tocaria. Após três míseros meses implorando para que não desejasse tanto aquele instante, lá estava eu, ansiosa para que ele encurtasse a distância e acariciasse a minha pele. Ao mesmo tempo, implorava para que ele não o fizesse. Para que me deixasse em paz e pudesse concluir o plano.

E então ele me tocou. Foi como antes. Fechei os olhos. Meu corpo se acendeu, o sangue correu com força nas veias, o ar ficou preso nos pulmões. Era ele. Steve estava lá. Sua pele na minha. Seu toque quente. Droga! Eu não podia! Eu não podia! Eu não podia!

— Senti tanto a sua falta! – mais um pequeno passo e seu corpo estava muito próximo. Ele sussurrava. Sua voz rouca. Merda! Eu não podia! — Olhe para mim!

Respirei fundo forçando minha mente a aceitar que aquilo era perigoso e que ceder seria estragar tudo. Eu precisava entender, aceitar e continuar. Por mim, por Sharon e por todos que foram subjugados, humilhados e destruídos por causa daquele jogo inescrupuloso, imundo e desumano. Tinha que ter um fim. Porque ninguém recomeça sem finalizar. Não podem existir restos, sobras, pendências. Tudo precisava ser concluído.

Abri os olhos e encarei aqueles olhos azuis, cheios de amor e desejo. Era muito mais bonito e perfeito do que minha mente conseguia retratar. Ele aguardava por mim. Seus olhos vagando entre meus lábios e olhos.

— Tire suas mãos de mim – minha voz fraquejou. — Tire as mãos de mim, Rogers.

— Por quê? Vai levar tudo de mim, agir como se não valesse nada a nossa história, negar que também passou todos estes dias ansiando para estar comigo? Nat? Olhe para mim! – segurou meu rosto com as duas mãos forçando-me a encará-lo. — Eu amo você!

E aquelas palavras forçaram minhas barreiras ao limite. Fechei os olhos e pensei em todo o meu sofrimento. Tudo o que vivemos. Todas as lágrimas. Peggy. O carro me atropelando. Carol atingida, estendida no chão... Não! Não! Não!

— Olhe para mim – suplicou. — Nat, eu amo você! Só... Só me diga que isso tudo é um jogo. Que você está fazendo isso para tentar me ajudar a deter Peggy. Por favor! Natasha olhe para mim.

Pleasure | Love (Romanogers)Onde histórias criam vida. Descubra agora