— Só vamos precisar fazer algumas visitas com o ministro pela fábrica, apresentar o nosso interesse em manter a parceria e fazê-lo ver que a Rogers Medical Systems é realmente o melhor grupo para desenvolver o projeto que ele deseja.
— Como se fosse uma tarefa fácil! – Brinquei com meu amante.
Estávamos deitados. Havíamos nos livrado das nossas roupas e estávamos sob o grosso cobertor que cobria a cama. Steve me mantinha firme ao seu corpo, acariciando minhas costas com uma mão e com a outra segurando o relatório que lhe enviei. Discutíamos alguns detalhes da nossa visita à fábrica e a necessidade de não deixar que descobrissem o problema com a troca de planta, que, com certeza, colocaria em risco muitos contratos firmados.
— É uma tarefa fácil – ele riu. — Um dia você se acostuma. Eu já estou escolado em conversar com pessoas que pensam que possuem o poder e com isso acabam me dando a possibilidade de conduzi-las pelo caminho que eu desejo – beijou o alto da minha cabeça. Eu entendi a indireta, mas preferia me calar. — Vai dormir um pouco? Ainda tempos um longo caminho pela frente.
— Não estou com sono – encostei minha cabeça em seu peito deixando meus pensamentos vagarem por um caminho perigoso.
— Você está estranha, Natasha. Cheia de picos de humor, emoções afloradas, mudança de comportamentos que antes eu tinha como padrão para você. Já é a segunda vez que a vejo enjoar, tudo bem que hoje foi por um motivo justo, vai saber o que acontece para que as mulheres reajam sempre com vômitos ou desmaios quando passam por situações ruins – "eu estou grávida" pensei revirando os olhos. Graças a Deus Steve não podia ver o meu rosto.
— Esta loucura toda está mexendo comigo. Acho que só quando conseguir acabar com isso volto a me sentir normal.
— Duvido muito – ele sussurrou e eu bem sabia o motivo daquela tristeza em sua voz.
— Você pode achar que isso vai me traumatizar, mas não vai. Tenho certeza de que vou deitar minha cabeça no travesseiro e dormir o sono dos justos depois que conseguir trancafiar Peggy em um manicômio.
— O que não é uma mulher vingativa? – ele brincou, mas eu sabia que era apenas um disfarce para amenizar o clima. Aliás, ele também sabia que eu o conhecia suficiente para não cair mais naquele jogo.
Ficamos em silêncio por um tempo, ele ainda passando as pontas dos dedos em minhas costas, eu encarando a parede que nos separava dos demais ambientes daquele avião. Eu sabia o que estava por vir e me preparava psicologicamente para o que poderia se tornar.
— Precisamos acertar algumas coisas – ele tentava manter a voz firme e segura, porém eu ouvia o seu coração e este estava acelerado.
— Precisamos?
— É, precisamos – seus dedos pararam e ele me puxou para que pudesse encará-lo. — Não quero que nada dê errado. Você quer sua chance de arrancar do Laufeyson o que precisamos e eu vou confiar em sua capacidade, mas não quero precisar arrombar aquela porta e matar o Loki, e eu sei que é isso o que eu vou fazer caso ele coloque um dedo em você, Natasha! – engoli em seco. Ele realmente seria capaz disso, pelo menos eu sabia que ele poderia colocar tudo a perder apenas para impedir que Loki avançasse um pouco mais.
—Steve...
— Não! Espere eu acabar – ele puxou o ar e passou uma mão nos cabelos. — Eu não estou brincando quando digo que mato Loki Laufeyson. Conheço aquele merda melhor do que você pode imaginar, sei bem do que ele é capaz para ter o que quer, conheço todas as suas podridões e seu instinto desumano, Natasha. Vá por mim, você não gostaria de saber o que eu sei.
Estremeci visivelmente. Não adiantaria em nada tentar esconder do meu amante que aquelas informações me deixavam com medo. O mais importante ali era ser honesta com ele e comigo mesma. Eu poderia fazer aquilo? Só de imaginar qualquer coisa dando errado meu coração acelerava, no entanto Steve estaria lá e se encarregaria de evitar que algo desse errado.
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Pleasure | Love (Romanogers)
Fanfiction"Você já sentiu vontade de tocar em algo que sabe ser proibido? Já teve o desejo irresistível de experimentar alguma coisa que sabe não ser socialmente ou eticamente correto? Tão proibido e ao mesmo tempo tão desejável que poderia destruí-la?" Não p...