Capítulo Oitenta e Oito

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— Steve.

Arfei ao virar e encontrar aqueles olhos azuis me encarando com propriedade, como se soubesse que naquela noite eu não seria de mais ninguém. Ele não desviava o olhar, nem temia que estivéssemos chamando atenção.

— Quem mais poderia ser? – pisquei muitas vezes sem saber como quebrar aquele transe. — Quem você esperava? – e estava lá, a dúvida, o medo e a tristeza que o acompanhavam desde a minha volta.

— Ninguém – sorri desarmada. Ele sorriu também e naquele momento eu vi um Steve diferente.

Era o mesmo homem lindo, porém mais leve, jovem, como se nenhum problema fosse capaz de alcançá-lo. Ele estava perfeito.

— Amo o seu sorriso – desviei o olhar, mas foi impossível esconder a minha satisfação. Ele segurou minha mão e me conduziu até o meio do salão. A voz doce e suave do cantor tornava tudo ainda mais encantador.

Steve colocou uma mão firme na base da minha coluna, juntando nossos corpos em uma intimidade muito familiar, e confesso que ansiava por aquilo. A outra mão segurou a minha, mas ao invés de levantá-la afastada do corpo, como todos os casais estavam fazendo, ele a levou ao peito, próximo ao coração, e a manteve ali. Nossa dança não era apenas uma gentileza concedida por um bem maior, era uma dança de amor, repleta de desejo.

Seus olhos não saiam dos meus, como se quisesse realmente toda a minha atenção. Meus olhos não saiam dos dele, como se temessem que aquela sensação desaparecesse como fumaça assim que ele não estivesse mais como meu foco principal. A orquestratocava "You'll Never Find Another Love Like Mine". Meu coração acelerou. Eu sabia que ela seria todas as suas palavras. E foi o que aconteceu.
Muito próximo de mim, em um gesto que poderia facilmente anteceder um beijo, Steve cantarolou:

— "Você nunca irá encontrar, o tempo que você viver, alguém que te ame tanto quanto eu"

Não consegui reprimi-lo. Era encantador demais, romântico demais e revelador demais para que qualquer pessoa tentasse impedir. Naquele momento, cantarolando a música, invadindo-me com seu olhar e prendendo-me a seu corpo, Steve derrubava qualquer barreira existente entre nós dois. Não importava mais se Peggy estava em algum lugar próximo a nós dois, ou se Bucky não estaria de acordo com aquela quebra de protocolo. Importava apenas que ele estava ali, me segurando em seus braços e declarando o seu amor por mim.

— "Você nunca irá achar, isso vai durar até o fim da nossa vida, alguém que te entenda do jeito que eu entendo."

Ele sorriu. Era um sorriso que alcançava os olhos e deixava que sua alma transparecesse. Eu sorri também. Suas palavras inflavam meu ego e aqueciam meu coração. Aquele era o Steve que eu conhecia, presunçoso, cheio de confiança e controle, senhor de si, capaz de declarar, independentemente das circunstâncias, que eu nunca o esqueceria, porque ele era tudo o que eu precisava. E era a mais pura verdade.

— "Eu não estou tentando fazer você ficar, baby. Porque eu sou aquele que te ama."

Seus dedos fizeram uma pressão maior nos meus e aquele sorriso torto, característica marcante do homem que eu amo, estava lá para me fazer esquecer o mundo. De repente o salão ficou vazio. Nossos pés não tocavam o chão, o som era apenas da voz dele e nós voltamos a ser um só.

— "Você vai sentir falta do meu amor."

Meu coração afundou no peito, ciente da amargura daquelas palavras. Era como se confirmássemos que a separação existia. Eu não queria pensar naquele assunto. Não enquanto estivéssemos flutuando, enquanto a nossa realidade não conseguia nos alcançar. Passei minha mão que estava em seu peito até alcançar seu pescoço, aproximando nosso contato. Ele fechou os olhos por alguns segundos enquanto repetia "Você vai sentir falta do meu amor" de uma maneira sofrida. Quando voltou a abri-los, me encarou parcialmente recuperado.

Pleasure | Love (Romanogers)Onde histórias criam vida. Descubra agora