Tão logo Steve saiu do quarto, eu voltei a deitar e fechar os olhos.
Caramba, que confusão!Eu quebrei o nariz dele. Não. Eu machuquei o nariz dele. Machuquei feio. Ainda assim era melhor do que quebrar. Peguei o travesseiro e coloquei no rosto para espantar todas as lembranças. Principalmente as dele dizendo que precisava me deixar. Eu estava totalmente segura, achando que poderia exigir do meu amante uma posição mais firme e quando ele tenta terminar comigo eu simplesmente não aceito. O que estava acontecendo comigo?
Levantei da cama com cuidado e fui tomar um banho. Era melhor eu me apressar. Que horas eram? Liguei o chuveiro, entrando rapidamente. Meus cabelos caíram molhados pelos ombros e costas. Tentei colocar meus pensamentos em ordem. Peggy tentou matar Sharon. Eu corria o mesmo risco? Não. Eu não perderia meu tempo pensando nisso. Ela não seria louca a este ponto. Ou seria? Steve acreditava que sim. Eu deveria acreditar?
Saí do banho sentindo minha pele ficar gelada. Precisava parar de pensar. Principalmente nas consequências das minhas escolhas. Sharon já havia me alertado dos perigos de um envolvimento com meu chefe, quando soube que seria eu a selecionada para assumir o seu cargo e principalmente quando desconfiou do nosso caso. Mesmo assim eu o quis. E Steve? Graças a Deus ele havia desistido da ideia. Não queria ficar sem ele. Eu o amava. Loucamente. Desesperadamente. Incondicionalmente.
Peguei a roupa que Carol tinha escolhido, não fiz nenhuma questão de conferir com o espelho como estava. A maquiagem ficaria para depois. Só queria sair do quarto e encontrar Steve. Queria estar com ele, sozinha, para constatar que nada mudou.
Peguei a bolsa, minha mão doeu com o seu peso. Andei pelo corredor me sentindo perdida. O apartamento era absurdamente grande. Tentei me lembrar do caminho que fiz com Carol quando chegamos. Carol! Eu precisava agradecer a minha amiga.
— Natasha! – meu corpo inteiro se arrepiou com aquela voz pronunciando o meu nome como um palavrão. Olhei para cima já concentrada em compor uma máscara perfeita. Peggy não tinha nada para usar contra mim.
— Sra. Rogers – falei friamente fitando os seus olhos. Estávamos sozinhas no corredor. Se Steve estivesse falando a verdade ela poderia tentar algo ali mesmo.
— Isso! Senhora Rogers – enfatizou. O recado era claro. Ela era a esposa. Não desviei o olhar. Tenho certeza que ela percebeu o quanto fiquei desconfortável com o direcionamento da conversa. — Entendeu? – levantei uma sobrancelha me fazendo de desentendida. Eu havia entendido seu recado muito bem.
— Com licença – dei um passo à frente. — Tenho que trabalhar – antes que eu pudesse fazer ou dizer qualquer coisa ela me agarrou pelo braço.
— Você não passa de um inseto, Natasha Romanoff. Sabe o que eu faço com insetos? – Peggy apertava o meu braço com força, seus olhos me encaravam com triunfo. — Eu os esmago com meus sapatos importados – oi?
Foi inevitável o sorriso que se espalhou em meus lábios. Peggy estava sendo patética. Quase gargalhei, apesar da ameaça real.
— Eu não preciso de muito. Consigo esmagar um inseto indesejado utilizando apenas as minhas mãos. Com licença – seus lábios formaram uma linha fina enquanto apertava os olhos furiosa. Puxei meu braço com força forçando-a a me soltar.
— Não se meta comigo, Natasha! Steve tem uma dívida que, nem você nem ninguém, vai conseguir me impedir de cobrar.
— Sra. Rogers, acho que não estamos falando a mesma língua. Os seus problemas com o Sr. Rogers são seus problemas com o Sr. Rogers – ergui uma sobrancelha dando o meu recado, enfatizando cada palavra para que ela entendesse.
— Você não sabe do que eu sou capaz.
— Ah, eu sei. Eu sei muito bem do que você é capaz – minhas palavras deixavam claro que eu sabia de tudo.
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Pleasure | Love (Romanogers)
Hayran Kurgu"Você já sentiu vontade de tocar em algo que sabe ser proibido? Já teve o desejo irresistível de experimentar alguma coisa que sabe não ser socialmente ou eticamente correto? Tão proibido e ao mesmo tempo tão desejável que poderia destruí-la?" Não p...