Steve estava atrasado. Muito atrasado. Contudo não tive tempo para pensar em ligar ou qualquer coisa do tipo. Não deixava de ficar preocupada, afinal de contas ele era o "senhor do tempo", sempre tão ansioso com as horas, com a sua pontualidade e dos seus funcionários, com a política infalível de não atrapalhar o trabalho dos outros por chegar quinze segundos depois do seu horário.
Mal coloquei meus pés na empresa fui bombardeada por ligações, e-mails, fax, pessoas querendo falar com o meu chefe, tudo. Absolutamente tudo ao mesmo tempo. Foi aterrorizante. Se eu já não estivesse tão abatida daria conta do recado, pois esta era a minha rotina, mas no dia anterior, cheguei em minha casa me sentindo muito mal. Dor de cabeça, espirros seguidos de febre, nariz entupido, náuseas... Um verdadeiro inferno!
A noite foi bem difícil, por isso fiquei agradecida por não ter Steve por perto. Precisava mesmo descansar. Naquela manhã acordei me sentindo péssima. Espirrando muito e com dor de cabeça. Meu corpo parecia ter sido triturado. A febre eu controlava com remédios, porém não podia me descuidar do horário.
Levantei puxando o casaco em meu corpo para fechá-lo ainda mais. Peguei a caixa de lenços de papel e coloquei sobre a mesa e antes de conseguir me sentar, a porta do elevador se abriu revelando meu chefe. A forma como Steve me olhou foi estranha. Ele ficou paralisado, os olhos azuis me encarando com certo pavor, a boca um pouco aberta aparentemente incapaz de encontra o que dizer.
Por um segundo, só por um segundo, imaginei que algo de horrível acontecera, e então me lembrei que eu estava péssima. O resfriado estava acabando comigo. Ele deu dois passos inseguros em minha direção, o que não estava de acordo com a sua personalidade tão segura, e eu tive uma crise de espirros.
— Droga! – resmunguei com o lenço de papel colado no rosto. — Desculpe-me por isso. Estou realmente um lixo hoje.
Steve me olhou um pouco atordoado e então relaxou completamente. Toda a tensão estampada em seu rosto desapareceu. Ele era tão complicado e difícil de se interpretar.
— Você está doente? – a forma como falou chamou a minha atenção. Parecia esperar por outra coisa. Fiquei intrigada e tentei avaliar o motivo daquela reação, porém comecei a espirrar novamente.
Steve deu um passo para trás, me observando como se não acreditasse no que estava vendo. Homens! Qualquer situação que os tire da normalidade faz com que pareçam crianças assustadas. Revirei os olhos, indignada com a sua reação.
— É só um resfriado, Steve!
— Mas você está muito mal! – ele se recompôs, caminhou em minha direção me surpreendendo com um abraço.
— Não estou morrendo – ri quando ele enterrou o rosto em meus cabelos. — Calma! Calma! Vai ficar tudo bem – brinquei acariciando suas costas, dando tapinhas leves. Steve riu e me apertou ainda mais em seus braços.
— Não quero que nada aconteça com você, Nat – me olhou com carinho. Fiquei tensa. O que estava acontecendo?
— Por que está me dizendo isso? – piscou várias vezes e passou uma mão nos cabelos. Eu sabia que esta era a forma que ele tinha de tentar pensar em algo rápido para responder, disfarçando a realidade.
— Por nada. Porque você está doente – continuava me encarando, depois sorriu daquela maneira perfeita. — E porque está com um aspecto terrível, Natasha – riu me avaliando.
— Obrigada! – virei depressa para espirrar e desta vez a minha cabeça latejou. — Ai! – senti cada célula do meu corpo protestar por eu ainda estar de pé ao invés de deitada em minha cama, enrolada em uma manta grossa e tomando um chá quente.
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Pleasure | Love (Romanogers)
Fanfictie"Você já sentiu vontade de tocar em algo que sabe ser proibido? Já teve o desejo irresistível de experimentar alguma coisa que sabe não ser socialmente ou eticamente correto? Tão proibido e ao mesmo tempo tão desejável que poderia destruí-la?" Não p...