Minha mãe costumava dizer que quando a mulher se torna mãe, tudo muda ao seu redor. Não apenas o corpo, ou a disposição, também a garra para consertar o mundo e torná-lo um pouco melhor. Bom... Ela estava certa.
No dia em que fui forçada a me afastar de Steve pensei que tudo estava acabado. O tempo não seria o melhor remédio, muito menos a distância conseguiria apagar as lembranças ou esfriar os ânimos.
Eu tinha esta certeza. Steve nunca seria uma figura que ficaria em meu passado, desbotada pelas lembranças. Não. Ele seria sempre forte, presente e necessário.
Eu era uma mulher destruída, até que entrei naquele carro, sem saber ao certo o que deveria fazer e fui interceptada por Bucky e sua equipe no momento em que entrei no túnel, em uma ação digna de cinema. Ele criou toda uma situação para despistar Peggy e me salvar dela. Como ele soube?Só depois fiquei sabendo que Sharon tinha tudo planejado e, como sabia do dinheiro que Steve depositava em uma conta no meu nome, conseguiu reunir tudo o que precisava para iniciar a sua vingança contra a irmã.
Quanto à gravidez só descobrimos depois de quase um mês. Eu acreditava que meu abatimento, assim como toda a falta de disposição e enjoo eram frutos da tristeza e saudade que sentia. Por isso comecei a ser treinada como um soldado se preparando para guerra, porém, assim que Bucky soube da minha nova situação, me impediu de continuar e quase me tirou do jogo, porém minha determinação prevaleceu e o convenci a continuarmos com nossos planos.
Três meses após a minha partida a dor pelo que passamos e a saudade ainda era latente, piorava quando eu me olhava no espelho e conseguia ver a quase inexistente barriga. Era um sentimento que me dividia e confundia, porque aquele pequeno ser dentro de mim ainda era tão novo, quase um nada, mas já era o meu tudo. Por ele eu continuava de pé, também por ele eu temia consideravelmente. Tinha medo do que Peggy seria capaz de fazer se descobrisse, por isso precisávamos resolver tudo em no máximo dois meses.
Sem contar que, estar grávida e não poder dividir esta alegria com o pai do meu filho, era angustiante. Todos os dias as lembranças dele me implorando por um filho e fazendo planos para um parque no jardim da casa tiravam o meu ar. Era tão importante e essencial que estivéssemos juntos dividindo aqueles momentos.
Foi pensando nisso que estacionei o carro na garagem dos dirigentes naquela manhã congelante.
O ar frio sugeria a ideia de neve e exigia de todos um cuidado maior nos movimentos. Apertei o casaco em volta de mim, peguei minha bolsa e desci, então o vi estacionando sem muitos problemas. Por que Steve conseguia ser perfeito nas mínimas coisas? Colocar seu carro naquela vaga parecia uma tarefa tão fácil, como se houvesse um trilho conduzindo-o, enquanto eu precisava de três tentativas, várias rés de ajuste e o carro ainda ficava torto.Ele desceu do carro e rapidamente todo o ambiente foi ofuscado por sua beleza. Steve conseguia se impor mesmo quando esta não era a sua vontade. Ele olhou para o veículo com devoção. Revirei os olhos. Homens! Todas as vezes que eu via demonstração de amor daquela natureza me questionava o motivo.
Caminhei em direção ao elevador, ciente de que passaria por ele. Meu coração estava descompassado e minhas mãos suadas, mas consegui manter a compostura. Tinha medo do que ele poderia lembrar, ou de como estaria após uma noite tão complicada. Olhei-o rapidamente e o encontrei me observando. Sua expressão serena e um leve sorriso. Alisei meu sobretudo sentindo-me incomodada com o calor que aquecia meu corpo sob aquele olhar. Eu sentia tanta falta de seus toques.
Outra coisa que aprendi com minha mãe, na época era apenas um motivo para rirmos das vizinhas, era que mulheres grávidas estão sempre mais dispostas para o sexo. E sexo matinal então... Eu realmente sentia muita falta. Apesar do frio, comecei a sentir calor.
— Bom dia, Sr. Rogers! – de qualquer forma ele me interceptaria, então não era possível ignorá-lo. Apenas antecipei as coisas.
Meu objetivo era cumprimentá-lo e seguir o meu caminho. Não foi como eu esperava. Estando a dois passos de distância, ele sorriu, correu as mãos nos cabelos ainda molhados e abriu espaço para que eu passasse. Agiu como um criminoso que analisava todos os seus gestos para despistar a vítima e, quando passei, suas mãos fortes e ágeis agarraram a minha cintura, me fazendo girar, prendendo-me entre seu corpo e o carro. Em um segundo eu era a sua refém e em menos do que isso seus lábios estavam nos meus.
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Pleasure | Love (Romanogers)
Fanfiction"Você já sentiu vontade de tocar em algo que sabe ser proibido? Já teve o desejo irresistível de experimentar alguma coisa que sabe não ser socialmente ou eticamente correto? Tão proibido e ao mesmo tempo tão desejável que poderia destruí-la?" Não p...