Capítulo 61.

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Damon estava relaxado, os olhos negros focados na tela do notebook, mas suas mãos se moviam quase de forma inconsciente, os dedos desenhando padrões suaves na minha pele

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Damon estava relaxado, os olhos negros focados na tela do notebook, mas suas mãos se moviam quase de forma inconsciente, os dedos desenhando padrões suaves na minha pele. Cada toque enviava um arrepio pela minha espinha, mas em vez de me acalmar, apenas aumentava a confusão na minha mente.

Ainda eram cinco da tarde, e eu tinha mais uma hora e meia antes de Emerson vir me buscar. Eu mantinha os olhos fixos na tela, vendo as imagens se desenrolarem, mas sem ouvir uma palavra sequer ou conseguir me concentrar em nada.

O que ele queria dizer com tudo aquilo?

O tempo passava rápido demais, e um aperto crescente se formava em meu peito com a proximidade da hora de ir embora. Eu gostava do que sentia ao lado dele – a segurança, o carinho, a atenção. Gostava de me sentir importante e de poder, mesmo que por um breve momento, permitir-me ser feliz antes de retornar ao meu próprio inferno.

Os dias em casa estavam se tornando insuportáveis, cada vez mais sombrios. Norma tinha surtos frequentes, explosões de raiva que eram como birras descontroladas, resultado dos cortes que meu pai havia feito em suas despesas. Ela passava os dias bebendo; eram no mínimo três garrafas de vinho diárias. O pouco dinheiro que meu pai ainda liberava para ela ir ao mercado era gasto apenas em bebida.

O dia inteiro, ela me xingava e me culpava por suas próprias merdas. Quando meu pai aparecia, a casa virava um campo de batalha de gritos e acusações, sempre a mesma discussão. Sempre culpa minha. Eu me refugiava no meu quarto, trancada e em busca de segurança, colocava os fones de ouvido e fingia que nada daquilo acontecia. Fingia que não via os objetos que ela lançava na minha direção quando nossos caminhos se cruzavam pela casa, mas, por sorte, seu estado de embriaguez constante fazia com que sua mira falhasse e os arremessos nunca me acertassem.

Pelo menos me livrei dos hematomas. Damon não me deixaria em paz se os visse.

Estava cansada de suas promessas repetidas de que iria me matar, que eu deveria ter sido descartada, jogada no lixo ou enterrada viva junto com minha mãe. Jesus Cristo... eu era apenas um bebê... Não tinha culpa de nada, muito menos da vida dela ser uma merda bem grande e fedorenta.

Meu pai não traiu Norma apenas com minha mãe, disso eu tinha certeza; ele continua a traí-la em todas as suas viagens, durante todos esses anos. Mas, para ela, eu era o lembrete constante de sua humilhação, uma prova viva e diária do quanto nunca foi amada e, talvez, jamais seria.

E isso me faz pensar negativamente o tempo todo...

Meu pai está longe de ser um exemplo, e, sendo homem, ele confirma o que sempre pensei: homens tendem a ser todos iguais, um bando de idiotas que só pensam com a cabeça de baixo. Sei que não deveria fazer comparações, mas é inevitável.

Damon me diz coisas bonitas, me trata como se eu fosse tudo para ele...

Mas ele também tinha sua reputação de mulherengo, e acreditar que ele pudesse mudar e que eu realmente fosse a única é algo difícil. Mesmo que, ironicamente, isso seja exatamente o que mais desejo. Minha mente, por hábito, não confia nas pessoas de imediato, como se eu sempre esperasse pela decepção antes mesmo de ela acontecer.

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