Capítulo 91.

9.2K 819 386
                                        

— Toma

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

— Toma. — Eu disse, me sentando ao lado dela e entregando o copo d'água.

Angel pegou o copo com as mãos ainda trêmulas, e o som suave do líquido sendo bebido pareceu a única coisa estável naquele momento.

— Estou me tremendo até agora. — ela murmurou antes de beber outro longo gole.

Respirei fundo, lutando contra a vontade de soltar um "eu avisei" pela milésima vez. Que merda ela achava que ia acontecer? Que ia entrar na ala onde nem os funcionários daquele inferno vão, bater na porta e dizer: "Olá, viemos fazer uma entrevista, você pode responder algumas perguntas?" Era burrice desde o início.

Eu já tinha considerado que Rose Memphis provavelmente estava morta há anos, mas aquela merda toda me deixou com uma pulga atrás da orelha. Especialmente depois que o desgraçado na cela começou a berrar que Rose fugiu.

Pode ser paranoia, mas no meio dessa merda, eu não descarto nada. Quem sabe Rose não está vagando por aí, uma dessas mulheres que esbarramos na rua todo dia sem perceber? Tudo isso era uma grande merda. Mas eu sabia que, se eu não fosse com ela, Angel iria sozinha. E isso eu não podia deixar acontecer.

— Você pediu minhas batatinhas? — Angel perguntou, quebrando o silêncio, sua voz levemente hesitante.

— E o milkshake também. — assenti, dando uma mordida no meu hambúrguer.

Estávamos no Frankie's. Saímos de lá e viemos direto pra cá. Tanta loucura me deu fome.

— Ela não estava lá... — Angel murmurou, os dedos tamborilando no copo d'água.

— Não me diga. — resmunguei, sem levantar os olhos do meu prato.

— Então quer dizer que ela está solta. — ela retrucou, me olhando com expectativa, seus olhos brilhando como se esperasse que eu confirmasse.

Soltei um suspiro, largando meu hambúrguer.

— Ou está a sete palmos da terra numa cova rasa feita por um funcionário do seu pai. — retruquei, seco.

Angel abriu a boca para responder, mas foi interrompida por uma voz infantil.

— Com licença? — uma garotinha apareceu ao lado da nossa mesa, segurando algo nas mãos.

Ela não devia ter mais que sete anos, no máximo, e seus olhos grandes nos encaravam com uma mistura de nervosismo e timidez. Angel e eu viramos ao mesmo tempo para encará-la.

— Você é Angel? — a criança perguntou, sua voz suave e hesitante.

Angel franziu o cenho, surpresa.

— Ham... Sim. — ela respondeu, sem disfarçar a confusão.

— É pra você. — a menininha estendeu um pequeno envelope com uma fita rosa amarrada.

MIDNIGHT CLUB - #1 Histórias para pegar e não largar. Descubra agora