Capítulo 71.

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Acordei cedo, por volta das sete e meia, sentindo o cansaço do corpo, mas ignorando-o

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Acordei cedo, por volta das sete e meia, sentindo o cansaço do corpo, mas ignorando-o. Não queria me atrasar. Ontem foi sexta-feira e, como de costume, teve Midnight Club. Damon me convenceu a ir, e, embora parte de mim quisesse só ficar quietinha, enroscada nele, só nós dois no nosso mundinho, não tive coragem de dizer não. Ele estava animado, os olhos brilhando de expectativa, e eu não queria desapontá-lo. Afinal, ele faz todas as minhas vontades, sem pestanejar. Seria egoísmo da minha parte não ceder de vez em quando.

E, pra ser justa, foi bem mais divertido do que eu esperava. Ele me levou na garupa da moto para a corrida, e meu coração ainda acelera só de lembrar. A adrenalina correndo pelas minhas veias, a mistura de liberdade e perigo, o vento cortando meu rosto enquanto eu estava completamente agarrada a ele. Não tinha medo, não com ele. Damon conhece cada pedrinha daquele asfalto. É imprudente, claro, mas ele nunca colocaria minha vida em risco.

Nunca me fez sentir medo ou desconfiança. Estar com ele era tão bom que, às vezes, me pegava me odiando por tê-lo evitado por tanto tempo. Depois de bebermos e nos divertirmos bastante, juntando a fome com a vontade de comer, acabamos transando no meio do estacionamento, escondidos atrás dos carros, enquanto ele me empurrava contra o capô de um carro que, só Deus sabe de quem era. Meu Deus, foi tão gostoso. Nós ríamos o tempo todo, entre sussurros e gemidos abafados, com medo de sermos pegos ou de acabarmos amassando a lataria. Mas nada era motivo suficiente para parar.

Eu adorava a ideia, e ele também. Era o mesmo tipo de ansiedade gostosa que vem com o medo de algo que está para acontecer. Aquele frio na barriga, como quando você assiste a um filme de terror e sabe que algo vai pular na tela, mas você continua olhando, preso à expectativa. O suspense. O perigo. Era delicioso.

Depois que terminamos, ofegantes e com as roupas um pouco desalinhadas, ele me contou que era o seu aniversário. Fiquei um pouco constrangida por não saber antes, mas ele estava radiante, me olhando com aqueles olhos sombrios e lindos pra cacete, como se aquele momento tivesse sido o melhor presente que ele poderia ganhar. Já passava da meia-noite, o que significava que o dia dele ainda estava começando, e eu teria o restante do tempo para compensar.

Levantei da cama, tomei um banho, me arrumei, cuidei do Spider e saí com Emerson. Ele me levou a algumas lojas, onde comprei dois presentes. Bom, um deles ele provavelmente não vai usar e nem é exatamente "dele", mas ele vai entender a mensagem. Só de imaginar a cara dele ao abrir a caixa, eu já sorria. Quando terminei de organizar toda a surpresa, pedi que Emerson me levasse de volta para casa.

Subi com os presentes e desembrulhei um deles, borrifando um pouco do meu perfume. Queria que ele sentisse a minha presença em cada detalhe. No outro, coloquei uma cartinha que escrevi na madrugada, depois que ele me deixou em casa. Eu estava bêbada, mas, com certeza, fui mais sincera e ousada do que normalmente seria. Tudo bem, é até um pouco engraçado. Mal podia esperar para ver sua reação.

Assim que terminei de arrumar tudo, inclinei-me e deixei um beijo no topo da cabeça do Spider, me despedindo com um carinho rápido em seu pelo macio.

— Desculpa, vou passar o dia fora, prometo compensar depois — murmurei, sorrindo ao vê-lo ronronar baixinho.

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