Capítulo 74.

8K 735 271
                                        

— Desce do carro

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

— Desce do carro. — Ele ordenou, freando bruscamente ao chegar no lava-jato.

Meu corpo foi lançado para frente com o impacto, e instintivamente estendi as mãos para me apoiar no painel. Damon saiu do carro sem dizer mais nada. Respirei fundo, tentando acalmar meu coração acelerado, e fiz o mesmo, hesitante. Não havia escolha.

— Você vai me ajudar a limpar essa coisa. — Disse ele, vindo até o meu lado e abrindo a porta de trás com um gesto brusco.

Fiquei paralisada por um momento, confusa e com medo. Era estranho olhar para ele e não ver o meu Damon. Difícil encarar o homem que, dias atrás, fazia meu coração disparar, que me fazia sentir bonita, desejada, amada. Como se fosse possível apagar tudo de bom com o simples girar de uma chave no cérebro. Não era. E essa era a pior parte de todas.

— Eu te odeio. — Murmurei, enquanto o observava tirar o moletom e os tênis sem cerimônia.

— Sim, você sempre disse isso. Nunca foi verdade. — Ele retrucou, sem sequer me olhar, jogando suas coisas no banco de trás. Depois, voltou-se para mim, um passo à frente. — Se não quiser manchar alguma coisa, tira e coloca aqui. — Ele indicou o banco com a cabeça, dando um passo para trás para me dar espaço.

Engoli em seco, sentindo a garganta apertar, mas obedeci. Caminhei até a porta traseira, posicionando-me entre ele e o carro. Com dedos hesitantes, tirei o moletom e, em seguida, os tênis, colocando-os sobre o banco, exatamente como ele havia mandado.

Podia sentir seu olhar queimando na minha nuca, sua presença sólida, logo atrás de mim como um escudo. O calor que emanava dele parecia diminuir ainda mais o espaço entre nós. Respirei fundo antes de me virar, tentando ignorar a tensão que irradiava do seu corpo e a sensação quente que fazia minha pele formigar.

Sentia-me cercada, exposta, como se ele pudesse enxergar cada pensamento escondido na minha mente. Girei nos calcanhares lentamente, meus olhos varrendo o espaço ao redor em uma tentativa fútil de evitar os dele. Mas não adiantava. Ele estava bem ali, na minha frente, seu olhar me devorando em um silêncio esmagador.

Arrisquei erguer os olhos, encarando seu rosto por breves segundos antes de desviar rapidamente. Balancei a cabeça com um suspiro discreto, tentando me recompor, e comecei a me mover, queria sair dali. Mas, antes que pudesse dar um passo, Damon esticou o braço, apoiando-o na lataria, bloqueando minha passagem.

Merda. Eu sabia.

Recuei de imediato, o ar escapando dos meus pulmões enquanto engolia em seco novamente. Ele inclinou o rosto, os olhos cravados em mim sem piedade alguma, como se soubesse exatamente o que aquilo estava fazendo comigo. Como se soubesse que aquela proximidade, aquele olhar, estavam me destruindo por dentro.

— O que foi, diabinha? O gato comeu a sua língua de repente? — Damon murmurou, sua voz carregada de provocação, claramente se referindo ao que eu disse para a diretora.

MIDNIGHT CLUB - #1 Onde histórias criam vida. Descubra agora