Capítulo 70.

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O ginásio parecia um caldeirão fervendo, o som ensurdecedor da torcida se misturando com o rangido dos tênis no piso e o eco da bola batendo

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O ginásio parecia um caldeirão fervendo, o som ensurdecedor da torcida se misturando com o rangido dos tênis no piso e o eco da bola batendo. O calor ali dentro era sufocante, cada respiração carregada de suor e adrenalina. A bola quicava em minhas mãos como se fosse uma extensão do meu corpo, o ritmo frenético combinando com a pulsação acelerada no meu peito.

Semifinal. Esse era o momento. Cada movimento contava, cada passe, cada arremesso. O placar não estava a nosso favor, e isso fazia meu sangue ferver ainda mais. Eu não vim pra perder. Passei a bola para Jacob, que correu pela lateral antes de devolvê-la com precisão. Meus olhos analisavam cada detalhe, minha mente à frente de cada jogada, prevendo qualquer tentativa do adversário de roubar a bola. O jogo estava físico, os contatos intensos, cotoveladas discretas e ombros colidindo como se fosse uma batalha por território.

— Tá dormindo, Campbell? — O filho da puta que me marcava provocou, a voz carregada de escárnio.

Ignorei, meu foco na cesta à frente. Fingi ir para a direita e cortei bruscamente para a esquerda, deixando-o pra trás. Meu corpo já estava preparado para o salto quando a bola saiu das minhas mãos, girando no ar como uma promessa. O som da bola atravessando o aro foi como música para meus ouvidos. Dois pontos.

— Isso acorda você? — Murmurei de volta, ácido, enquanto passava por ele.

A torcida explodiu em gritos e palmas. Mas enquanto eu corria de volta para a defesa, meu olhar se desviou para as arquibancadas. E lá estava ela.

Angel.

Sentada, com aquele sorriso de matar que fazia meu coração disparar, as pernas cruzadas, uma áurea calma e suave que contrastava com toda a energia ao nosso redor. Ela bateu palmas levemente, como se estivesse comemorando só pra mim. Meus lábios se curvaram em um sorriso automático, meus olhos presos nela. Como é que alguém consegue ser tão linda? E minha?

O apito soou, me puxando de volta à realidade. Virei no momento exato para interceptar um passe e iniciar o contra-ataque. Não ia decepcionar. Não com ela olhando. Não hoje.

Enquanto avançava pela quadra, meu sangue fervia não só pela pressão do jogo, mas é foda quando o armador — o Michael do caralho — aparece de ressaca numa maldita quarta-feira, e o ala-armador — a porra do Pietro — está na sua fase de "putinho da silva," com a única coisa que ele faz direito sendo coçar as bolas e ficar emburrado pelos cantos.

Puta que pariu! Estou ficando estressado pra cacete. Esse jogo é importante pra todo mundo aqui, porra. Nós cinco temos o mesmo sonho desde crianças, combinamos em ser os melhores, e agora, quando estamos quase lá, eles não conseguem deixar de lado as merdas pessoais? Ah, vão se foder!

Eu largava tudo agora mesmo só pra ficar agarrado com a minha garota, beijando cada pedacinho dela, porque ela é uma delícia. Mas ela não merece um futuro com um idiota fracassado. Então não fode comigo agora, porra, porque eu não vou carregar esse time sozinho. Só preciso que esses idiotas façam sua parte.

MIDNIGHT CLUB - #1 Histórias para pegar e não largar. Descubra agora