Capítulo 89.

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Odeio mudanças

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Odeio mudanças. Odeio quando minha mente é tomada por perguntas incessantes, por questionamentos que nunca terminam, por uma desconfiança que parece me engolir viva. Fico apavorada. Não é que eu seja lerda, ou incapaz de lidar com a verdade, mas odeio ser pressionada. Principalmente por coisas que não consigo controlar, que não consigo calar.

Esse é o verdadeiro motivo por trás da minha fascinação pelo silêncio. Pelo quieto. Pelo vazio. No silêncio, nada te perturba. Nada rasga sua sanidade em pequenos pedaços. O silêncio não julga, não exige, não sufoca. Ele simplesmente existe. Um espaço onde sua mente pode descansar, onde você pode respirar sem sentir que está sendo puxada para o fundo de algo que nunca acaba.

Gostaria que tudo se calasse. Que os ruídos, os medos, as dúvidas... que tudo simplesmente desaparecesse e me deixasse em paz. Mas...

São tantas perguntas.

Meu cérebro já estava sobrecarregado tentando lidar com o que sinto por Damon. E agora, além disso, tenho que enfrentar a mentira que é meu pai, um homem que construiu um império em cima de cadáveres e mentiras. E, como se não fosse o suficiente, tem essa nova peça do quebra-cabeça: Norma. Que mesmo morta, inferniza os vivos.

Se ela tinha uma carreira, por que diabos largaria tudo para virar uma dona de casa com um par de chifres que devem alcançar, no mínimo, dez quilômetros de altura? Era uma escolha que me escapava completamente, como se houvesse algo muito mais sombrio escondido nessa decisão.

Talvez não fosse uma escolha...

Isso me leva a pensar... será que ela também foi uma vítima?

Pelo que vi no armazém, meu pai não é nem de longe um homem honesto. Ele empregou homens que acreditavam estar fazendo um trabalho fácil, prometeu-lhes uma renda boa, que pudesse dar uma vida melhor às suas famílias. No fim, o que receberam foi um buraco no meio da cabeça e corações que pararam de bater antes mesmo de saberem o que realmente aconteceu.

Talvez Norma tenha sido outra peça nesse jogo. Uma mulher que, de verdade, se apaixonou por um homem que sugou tudo dela. Um homem que transformou a psiquiatra ambiciosa em uma sombra de si mesma. Talvez esse seja o verdadeiro motivo para sua alma ter sido tão amarga, tão rude, tão cheia de ódio e revolta.

Não sinto pena. Não consigo. Norma está onde merece estar, colhendo o que plantou. Porque estar ferido não te dá o direito de ferir os outros. E ela não feriu só uma vez. Não feriu só de passagem. Ela fez disso a sua missão, um ciclo interminável de violência e crueldade, como se estivesse tentando punir pelo que perdeu. Como um castigo eterno.

— Ei, você está bem? — a voz dele ecoou no fundo do caos na minha mente, trazendo-me de volta à realidade com um puxão sutil.

Meu rosto estava contorcido em agonia enquanto eu encarava a papelada, como se as palavras pudessem magicamente me dar as respostas que eu precisava. Mas tudo o que faziam era lançar mais perguntas, mais dúvidas.

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