Capítulo 90.

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Mesmo dentro daquele lugar, meus ossos doíam

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Mesmo dentro daquele lugar, meus ossos doíam. Mas já não sabia se era por causa do frio ou pela sensação tenebrosa de estar ali. O ambiente pesava, como se cada parede absorvesse e devolvesse a energia negativa de décadas de sofrimento. Damon não parava de olhar ao redor, os olhos atentos como se esperasse que algo saltasse das sombras a qualquer momento. Essa vigilância constante estava começando a me deixar ainda mais nervosa.

E para piorar, aquela velha do caralho estava demorando uma eternidade para encontrar um único nome no sistema mais ultrapassado que já vi.

— Nada? — questionei, minha voz carregada de impaciência. Não consegui evitar. A espera estava me matando.

A mulher levantou os olhos para mim, com aquela mesma expressão de desdém entediado que parecia colada em seu rosto.

— Não temos nenhuma paciente com esse nome. Sinto muito. — declarou, com um tom que parecia tudo menos sincero.

Franzi o cenho, minha cabeça começando a trabalhar freneticamente. Tem sim. Tem que ter.

— Mas nós vi— — pausei, tentando encontrar palavras melhores. Não podia soar desesperada. — Minha sogra me deu certeza de que essa moça estava aqui. — insisti, me esforçando para manter a voz firme.

— Se esteve, não está mais. — ela respondeu, sem nenhum esforço para parecer convincente.

— Tem certeza? — Damon interveio, sua voz mais controlada, enquanto cruzava os braços.

A mulher hesitou, e a mudança na expressão dela fez meu estômago revirar.

— Nos meus registros não tem nada. Ela pode ter falecido ou... — ela pausou, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado.

— Ou? — questionei, inclinando-me levemente para frente, meu coração disparado.

Ela suspirou, como se estivesse prestes a dizer algo que não queria.

— Ou pode estar na ala de segurança máxima. — disse, finalmente.

Minhas esperanças voltaram num estalo.

— Isso! Talvez esteja lá. — assenti, tentando segurar a animação. É isso mesmo.

— Não temos registros dessa ala. — ela continuou, o tom sério, quase como um alerta. — São pacientes fora de controle, quase como casos perdidos. Posso levá-los até lá, mas, da porta em diante, o risco é por conta própria.

Minha mente travou por um segundo. Como assim o risco é por conta própria? Eles são o quê, animais? Aliás, não deveriam estar sedados ou presos com camisas de força? Que tipo de lugar era esse?

Damon se inclinou para o meu lado, sua voz baixa e tensa no meu ouvido.

— Pequena, não acho que seja uma boa ideia. Isso tá muito estranho. — ele sussurrou, a preocupação evidente.

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