Capítulo 108.

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Girei a maçaneta devagar, cada movimento calculado para não produzir o menor ruído

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Girei a maçaneta devagar, cada movimento calculado para não produzir o menor ruído. Não queria alertá-la, não queria que tivesse tempo de fugir. Eu iria pegá-la.

A porta se abriu com um leve rangido, e entrei na sala. O vazio me recebeu, gelado e silencioso. Franzi o cenho, meus olhos se ajustando à escuridão enquanto varriam o espaço de um lado para o outro. Foi então que vi — um par de asas de anjo caído no chão, deslocado como se tivesse sido abandonado às pressas.

Um sorriso tomou meus lábios, mesmo sob a máscara, enquanto me abaixava para pegá-las. O tecido era macio, as penas sintéticas já um pouco amassadas, mas ainda carregavam o brilho de uma fantasia que ela obviamente tinha planejado para me provocar. Ela estava brincando comigo. E eu adorava cada segundo.

Saí da sala, as asas nas mãos, e voltei à despensa. Minha mente girava, conectando os pontos, entendendo o jogo que ela queria jogar. Peguei as botas que tinha encontrado antes e segui para fora, decidido a rastrear cada passo dela.

Foi quando ouvi. Uma risadinha. Distante. Breve. Quase um sussurro entrecortado pelo som de pés descalços batendo no chão.

— Quente ou frio? — Questionei, a voz ecoando no corredor vazio.

Nenhuma resposta. Apenas o som abafado de uma respiração que parecia zombar de mim. Continuei, meus passos firmes e calculados, virando o corredor para me deparar com a escada. No meio do degrau, jogada no chão, estava a saia de tutu de tule. Sorri. Peguei a saia e a enfiei sob o braço, os dedos tocando o tecido macio por um breve segundo antes de começar a subir as escadas. Não tentei ser discreto. Minhas botas batiam no chão, o som reverberando pelas paredes.

— Moranguinho... — Cantarolei, minha voz baixa e arrastada, sabendo que ela estava ouvindo.

Cheguei ao andar de cima e parei no último degrau, os olhos atentos enquanto o coração martelava no peito. Ao final do corredor, vi um vislumbre dela — cabelos loiros esvoaçando como ouro ao vento, desaparecendo ao virar a esquina.

Meu coração disparou, uma onda de adrenalina percorrendo minhas veias como fogo líquido. Ela estava perto. E eu já estava quente, em alerta máximo, pronto para acabar com o joguinho dela. Continuei andando, os passos mais rápidos, os olhos varrendo cada detalhe. Mais à frente, no chão, outro item abandonado: um espartilho branco, as amarras soltas e caídas como se tivessem sido arrancadas às pressas.

Meu corpo inteiro sorriu. Ela devia estar um pecado vestida nisso.

Peguei o espartilho, o cheiro dela ainda preso no tecido, e continuei andando, virando na esquina onde a vi pela última vez. Mais um pouco, e outro vestígio surgiu — uma meia-calça rosa bebê, frágil e delicada, largada no chão como um sinal de que ela estava perdendo a paciência para continuar vestida.

Abaixei para pegar a meia-calça, mas quando levantei a cabeça, finalmente a vi. Ela estava no final do corredor, uma silhueta perfeitamente esculpida pela luz pálida da lua que escorria pela janela. As curvas do corpo dela eram tão delicadas quanto provocantes, o tecido fino de sua roupa deixando pouco para a imaginação, enquanto o brilho dos cabelos dourados parecia se fundir com a luz, criando um espetáculo que fazia o mundo inteiro ao redor desaparecer.

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