Capítulo 36.

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Assim que saí do banho, senti um certo alívio

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Assim que saí do banho, senti um certo alívio. O cheiro da bebida não estava mais impregnado em mim, meus dentes estavam escovados, e meus cabelos limpos. Enrolei-me na toalha e abri a porta lentamente, espiando pela fresta. Damon estava sentado na cama, de costas para mim, concentrado no celular. Bufei. Tudo isso era tão estranho, não temos nenhuma intimidade, e aqui estou, apenas de toalha no quarto dele.

Saí com cuidado, segurando firme a toalha, temendo que ela caísse. Ele vestia apenas uma bermuda casual, sem camisa, suas costas nuas chamando minha atenção sem a menor piedade. Lancei um olhar para a cama, notando uma camiseta preta dobrada em um canto, ao lado de um remédio e um copo d'água no criado-mudo. Caminhei até o canto oposto da cama, atrás dele, engolindo em seco enquanto procurava palavras.

— Por favor, não olha pra trás. — Pedi baixinho.

— Uhum. — Respondeu distraído, ainda focado no celular.

Com o coração disparado, comecei a desenrolar a toalha. Cada músculo do meu corpo estava tenso, meus olhos fixos nas costas dele, temendo que a qualquer instante ele se virasse. Vesti a camiseta rapidamente, o perfume que emanava dela fazendo meu estômago revirar. Joguei a toalha sobre a cama e peguei o remédio, bebendo um bom gole d'água enquanto meus olhos vagavam pelo lençol desarrumado.

Ótimo, Angel. Você está se transformando exatamente no que mais despreza.

Ontem ele acordou com Caroline; hoje, sou eu. Pelo menos não "fui para a cama" com ele, mas isso não importa. As pessoas vão comentar de qualquer maneira. Em que mundo alguém acreditaria que passamos a noite juntos sem fazer nada? Fechei os olhos, soltando um suspiro pesado.

A raiva começou a borbulhar dentro de mim. Abri os olhos, peguei a toalha e voltei para o banheiro, pendurando-a no box. Peguei minhas roupas do chão e saí como um furacão. Eu só queria desaparecer.

— Desculpa ter atrapalhado sua foda! — Exclamei, atravessando o quarto apressadamente. Abri a porta com força e saí, fechando-a com um estrondo.

Meu coração batia descontrolado. Não sabia exatamente o que sentia, apenas que era ruim. Doía, lá no fundo, no coração, doía. Meus olhos começaram a marejar enquanto eu caminhava rapidamente pelo corredor em direção ao meu quarto. Entrei e fechei a porta, respirando fundo, tentando controlar a onda que me invadia.

Eu queria chorar. Meu Deus, eu quero chorar. Gritar e arrancar cada fio de cabelo da minha cabeça. Respirei fundo, tentando manter o controle, mas o maldito perfume dele ainda pairava no ar. Rosnei de raiva e joguei minhas roupas no chão, cerrando os punhos até sentir minhas unhas ferindo a pele. Eu queria socar alguma coisa.

— Angie, o que foi? — Ouvi a voz suave de Kiara, flutuando como um bálsamo para os meus ouvidos. Só então percebi que ela estava no quarto.

— Eu odeio ele. — Minha voz saiu embargada pelo nó que apertava minha garganta.

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