Capítulo 17.

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Desci para a cozinha por volta das onze da noite

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Desci para a cozinha por volta das onze da noite. Minha barriga roncava há algum tempo, e acho que a última coisa que comi foi um bolinho na escola. Estava faminta, mas queria esperar que Norma dormisse antes de sair do quarto. Meu pai não estava em casa, como de costume; ele viajava muito a trabalho, e nunca sabíamos quando ele voltaria. A ideia de ficar sozinha com ela me deixava inquieta.

Adeline, felizmente, havia se mudado para a cidade vizinha por causa da faculdade neste ano, e só aparecia nos fins de semana ou feriados. Mas naquela noite, eu estava completamente sozinha com Norma. E depois do que aconteceu mais cedo, ela provavelmente estava só esperando eu dar um passo fora do quarto para me pegar. Deus, eu não aguentava mais.

Abri a geladeira e peguei a vasilha de macarrão que sobrara do jantar de ontem, ainda delicioso. Coloquei o resto no prato e esquentei no micro-ondas. Quando finalmente ficou pronto, peguei um copo d'água e o prato, me preparando para sair da cozinha.

No entanto, ao me virar, me deparei com ela, encostada no batente da porta, de braços cruzados, me observando fixamente. Naquele momento, senti uma pedra se alojar na garganta, congelando meu corpo no lugar enquanto equilibrava tudo nas mãos.

— Estava tentando me matar? — A voz dela soou calma, mas o tom passivo-agressivo de sempre fez um calafrio percorrer minha espinha.

Balancei a cabeça rapidamente.

— Não... Eu só... achei que tinha ouvido um barulho estranho. Estava sozinha e fiquei com medo. — Disparei a mentira que havia ensaiado mentalmente por horas.

— Sente-se. — Norma ordenou, arrastando duas cadeiras da mesa com um gesto casual.

Engoli em seco, sentindo meu coração bater forte no peito. Caminhei lentamente até a cadeira, meus músculos tensos, e coloquei o prato e o copo sobre a mesa.

— Coma. — Ela insistiu, sem alterar o tom.

Meus olhos alternaram entre ela e o prato, e o desconforto tomou conta do meu corpo. Já me preparava psicologicamente para o momento em que ela me atacaria. Pisquei algumas vezes, tentando reunir coragem.

Com as mãos trêmulas, peguei o garfo e enrolei um pouco de macarrão. Levei à boca e mastiguei devagar. O sabor, que antes parecia bom, agora pesava como chumbo na minha língua, tudo por causa do olhar fixo que ela mantinha em mim, como se esperasse algo.

Mastiguei, cada movimento lento e tenso, sentindo o medo subir com cada segundo que passava. Quando finalmente engoli, o nó na minha garganta quase me sufocou, mas ela não se moveu. Apenas continuou ali, me observando com uma atenção assustadora.

Olhei de soslaio, capturando brevemente o sorriso sombrio que curvava seus lábios. Norma tinha o cabelo castanho, os olhos da mesma cor, lábios finos e a pele pálida. Ela era bonita, ou pelo menos devia ter sido mais bonita quando era mais nova. Agora, seu rosto era marcado por rugas que ela lutava desesperadamente para esconder.

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