Capítulo 97.

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Entrei no carro e bati a porta com um pouco mais de força do que pretendia

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Entrei no carro e bati a porta com um pouco mais de força do que pretendia. Emerson me lançou um olhar de canto, mas não disse nada.

— Me leve de volta para a casa do Damon. — Pedi, soltando o ar que nem percebi que estava segurando. — Antes que ele coloque fogo na cidade atrás de mim.

Ele assentiu e ligou o carro, sem fazer perguntas. Enquanto as luzes da cidade começavam a passar borradas pela janela, olhei para o celular e vi o número de ligações perdidas: vinte e sete. Soltei um suspiro longo. Damon aparentemente havia desistido de ligar e optado por uma mensagem curta:

Damon: Eu vou te matar.

Eu: Já estou voltando.

Quase revirei os olhos. Dramático. Apesar de amar a atenção e o foco inabalável dele em mim, Damon precisava aprender a se controlar. Ele exagerava demais, sempre. Sua intensidade às vezes era insuportável, e eu sabia que, quando chegasse, ele provavelmente estaria espumando de raiva. Sua extremidade me irritava tanto quanto me encantava. Damon se estressa fácil, perde a cabeça mais rápido ainda, e quando isso acontece, é como tentar parar uma tempestade com um guarda-chuva.

Isso me fez lembrar de suas ameaças ao autor dos bilhetes misteriosos... Mal sabia ele que havia ameaçado a minha própria mãe. O pensamento me arrancou um sorriso amargo. Quando eu processasse tudo isso melhor, com certeza zombaria dele por isso. Mas, agora, meus neurônios estavam em conflito.

Era estranho demais pensar nisso.

Eu não queria acreditar até ter confrontado meu pai. Não queria acreditar que Diana estava viva, que ela realmente passou anos implorando por mim enquanto eu crescia acreditando que ela havia morrido. Que tudo o que eu sabia sobre minha vida era uma mentira bem arquitetada.

Na minha cabeça, eu ainda procurava desculpas, fragmentos de lógica que explicassem tudo isso de outra forma. Que minha mãe não fosse realmente quem escreveu aquelas cartas. Que meu pai não fosse o monstro que agora eu sabia que ele era.

Porque, aceitar isso? Aceitar que ele destruiu a chance de eu ter outra vida, de crescer em um ambiente diferente, de conhecer minha mãe? Era demais.

Olhei para fora da janela, observando as luzes piscando com as decorações de Natal nas ruas. Elas pareciam zombar de mim. Uma ironia cruel, considerando o caos que havia dentro de mim.

Mesmo com tudo isso acontecendo, uma parte de mim sabia que, quando chegasse à casa do Damon, seria recebida por ele com sua raiva fervente, suas perguntas e sua preocupação sufocante. Mas no fim ele sempre me embala em seus braços e sinto que posso respirar novamente. E, no fundo, por mais que eu não quisesse admitir, isso era exatamente o que eu precisava agora.

O carro parou na entrada da casa de Damon, e eu o vi imediatamente. Ele estava parado na porta, os braços cruzados e o semblante duro. A raiva brilhava em seus olhos de uma forma que fez meu estômago revirar. Ele estava furioso, e eu sabia que ia ouvir.

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