Capítulo 103.

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Senti algo molhado no meu ouvido, um incômodo que me arrancou dos limites entre a consciência e o apagão

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Senti algo molhado no meu ouvido, um incômodo que me arrancou dos limites entre a consciência e o apagão. Abri os olhos de supetão, a agonia disparando pelos meus sentidos, e dei de cara com a máscara de Ghostface, me encarando de perto. Os ombros dele tremiam com uma risadinha abafada pela máscara. Desgraçado. Quase revirei os olhos. Tentei piscar para afastar a tontura, mas estava fraco demais até para rir dessa merda.

— Cacete, indiozinho, você tá branco! — Pietro zombou, o tom irônico sussurrado direto no meu ouvido.

— Vai... se foder... — Minha voz saiu rouca, arrastada, mal se sustentando.

A máscara ridícula ficou embaçada por um segundo antes de retomar o foco. Minha cabeça girava. Tô fodido pra caralho.

— Fala sério, tá quase da minha cor! Olha! — Ele puxou a manga do casaco, exibindo a pele branca e saudável, zombando sem a menor vergonha. — Maluquice. Tá doendo isso, cara?

Se eu tivesse forças, já teria grudado a cara dele naquela máscara idiota. Três murros, no mínimo.

— Nada... tô tranquilo — murmurei, seco, forçando as palavras.

— De zero a dez, cê tá com uns 0,99% de vida. E olha só, não tô afim de ir no seu velório amanhã, isso se tiver um. Porque, pelo jeito, vão te largar numa cova rasa no bosque, pra alguém te achar só daqui a duas semanas, fedendo e com bichinhos te comendo... Urgh. — Ele estremeceu de nojo, sacudindo os ombros como se o pensamento fosse insuportável.

Que cara chato. Não era de zero a dez? Além de chato, é burro.

— Tá ardendo de febre e, vou ser honesto, cê tem cheiro de açougue. Tá ligado? — Ele continuou, tirando a faca de estimação do cinto com um floreio dramático. Pisquei, atordoado. — Entendeu a parada? Você fede, mano. E o pior? Eu não acredito que vou enfiar essa sua carcaça no meu carro limpinho.

Pietro rodeou meu corpo, falando enquanto cortava as cordas que amarravam meus pulsos. Quando as cordas cederam, meu corpo desabou pra frente, sem controle, mas ele foi rápido e me segurou antes que eu caísse no chão como um saco de batatas.

— Te peguei... E não se emociona, hein, porque eu só tô aqui por uma razão: vou arrancar uma boa grana da sua loirinha por isso. — Ele resmungou, me segurando firme enquanto me erguia da cadeira.

Minhas pernas cederam no mesmo instante, inúteis como o resto do meu corpo. Não conseguia sustentar meu peso.

— Não fode, Damon! — Pietro bufou, claramente irritado, tentando me manter de pé. — Você é pesado, caralho! Eu não consigo te carregar sozinho, seu merda!

Um gemido escapou dos meus lábios enquanto tentava me concentrar e dar o primeiro passo. Com esforço, passei o braço por cima dos ombros dele, me apoiando como podia. A cada movimento, meu corpo gritava, mas eu sabia que era isso ou desabar de vez.

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