Capítulo 101.

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Nunca imaginei que o frio, em seu estado mais cru e cruel, fosse capaz de me subjugar de forma tão aterrorizante

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Nunca imaginei que o frio, em seu estado mais cru e cruel, fosse capaz de me subjugar de forma tão aterrorizante. Não era apenas o gelo que mordia minha pele ou a água que queimava meus músculos. Era a sensação de perder o controle de si mesma.

Minha mente gritava para que eu me mexesse, para que eu reagisse, mas meu corpo não obedecia. O frio não era apenas físico; ele se infiltrava em cada canto da minha existência, roubando minha força, minha razão, minha noção de tempo e espaço. Eu estava ali, mas ao mesmo tempo não estava.

Era como se eu estivesse presa dentro de mim mesma, separada do meu corpo, sem saber se ele ainda funcionava. Meus braços tremiam, mas eu não conseguia senti-los. Minhas pernas batiam contra a água, mas parecia inútil, como se já não fossem minhas.

Meu peito doía com o esforço de respirar, cada fôlego como facas atravessando meus pulmões. O frio não parava de crescer, de se espalhar, me consumindo por completo. A pior parte não era o físico, era a ausência de consciência, como se minha alma flutuasse em um vazio de desespero.

Eu estava completamente à mercê de algo tão simples e tão brutal: a água, o gelo, a natureza em sua forma mais implacável. A única coisa que me mantinha conectada ao mundo era o som abafado da respiração de Damon e o toque firme de seus braços ao meu redor.

Mesmo assim, eu não sabia por quanto tempo conseguiria continuar lutando contra o que parecia ser inevitável. O frio não era apenas frio; era a ausência de vida, e ele estava me arrastando para sua escuridão. Eu não sabia se tinha forças para voltar.

Um corte na linha do tempo. Em um segundo, estava submersa, enxergando nada além de nada. Vazio. Escuro. E no outro, meu corpo se encheu de vida, expelindo água dos meus pulmões com força brutal. Quando meus olhos se abriram, tudo que vi foi meu anjo da morte. Damon.

Senti quando ele me virou de lado, minha cabeça afundando na neve. Cada tremor no meu corpo parecia um lembrete cruel de que eu ainda estava viva, mas à beira de despedaçar. Meus pulmões trabalhavam desesperadamente, expulsando mais água de mim, como se estivessem tentando se livrar do próprio medo.

Quando não havia mais nada para sair, o ar se infiltrou nos meus pulmões como uma invasão, me preenchendo de vida novamente, mas também de dor. Era como respirar pela primeira vez, mas com a alma em pedaços.

Eu estava confusa. Perdida. Tudo em mim clamava por algo que não poderia ter de volta. Meu coração estava em guerra, sentindo tanto ao mesmo tempo, desejando desesperadamente voltar para a manhã em que tudo parecia tão simples. Seu cheiro, seu sorriso arrogante, suas brincadeiras sacanas, seus cuidados, sua pele na minha, seu coração abraçado com o meu.

Eu queria voltar.

Não deveríamos ter saído daquela cama.

— Prende a respiração. — Ouvi sua voz, baixa, ofegante, entrecortada por um gemido gutural. Seu corpo caiu pesadamente ao meu lado, e o som foi como uma facada no meu peito. — E começa de novo... Argh... Porra!

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