Dark Romance [+18]
[Livro 1]
Damon Campbell é um vício perigoso e um pesadelo. Obcecado por Angel Miller, ele a persegue como uma sombra, oscilando entre provocação e desejo, enquanto ela o odeia com todas as forças - ou tenta. Mas nem tudo é o que...
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Acordei com as patinhas de Spider amassando meu ombro, como se eu fosse uma maldita massa de pão. Grunhi, sonolento, e estiquei o braço na direção do colchão, esperando encontrar o calor dela ali. Quando minha mão deu no vazio, meus olhos se abriram de imediato. Olhei ao redor, piscando contra a pouca luz que escapava pela fresta da cortina. O quarto estava escuro, mas dava pra ver o suficiente.
Cadê minha gatinha?
Spider passeava pelas minhas costas como se fosse dono do lugar antes de pular da cama. Suspirei fundo, passando a mão pelo rosto, e me sentei. O sono ainda pesava, mas o incômodo da ausência dela era maior. Joguei as pernas para fora da cama, e meu olhar seguiu o pequeno vulto preto. Ele estava prestes a subir em uma das minhas guitarras.
— Ah, não. Nem tenta, desgraçadinho... — Minha voz saiu rouca enquanto eu me levantava e o afastava da guitarra com cuidado. — Você não vai desafinar minhas cordas, ok?
Peguei a guitarra e a coloquei de volta no suporte da parede. Spider me olhou como se estivesse ofendido, miando baixo, antes de correr para o outro lado do quarto, parando bem ao lado da porta.
— O que foi agora? Quer sair? — caminhei até ele, abrindo a porta do quarto. — Vai lá, faz seu tour e encontra sua dona. E avisa pra ela que eu quero ela de volta. Agora.
Ele saiu devagar, se esgueirando pelos cantos como um explorador em território desconhecido, cheirando tudo no caminho. Soltei uma risada baixa e fechei a porta atrás dele. Passei a mão na nuca enquanto caminhava até o banheiro, os olhos ainda pesados de sono, mas atentos. Foi então que vi: a escova dela e o pente já tinham sido usados.
Peguei o pente, levantando-o no ar para inspecionar de perto. Alguns fios loiros ainda estavam presos ali, brilhando sob a luz fraca do banheiro. Inclinei a cabeça, um sorriso lento surgindo nos meus lábios. A presença dela estava em tudo. No cheiro que ainda impregnava o quarto, na bagunça discreta deixada para trás.
Ela achava mesmo que podia sair de perto de mim sem que eu permitisse? Sem chance.
Ela dormiu na minha cama. No meu quarto. Usou meu pente de cabelo. E, mesmo assim, parecia que eu ainda estava digerindo o fato de que ela era minha. Não só por algumas horas, não só por uma noite. Um mês. Minha. Não do jeito casual, mas do jeito que marca, que faz a vida dar voltas ao redor de alguém.
Era como se fosse o primeiro passo. Logo ela vai começar a deixar algumas roupas aqui, espalhadas pelo meu quarto. E depois, inevitavelmente, a gente vai começar a se irritar com o fato de ainda vivermos sob o teto dos nossos pais. Vamos pra faculdade, e já vou avisando: nem por um caralho ela vai dividir quarto ou apartamento com outra pessoa que não seja eu. Isso nem é negociável. Vamos morar juntos. Viver juntos.
A ideia me faz sorrir. Vou fazer ela comer direito, parar com essa mania de viver de besteiras fora de hora. E, depois disso, vou comer ela direito também, sem me preocupar com barulho ou paredes finas. Já estou ansioso. Puta que pariu, já consigo imaginar a gente tomando banho juntos, rindo enquanto ela me xinga por molhar o chão todo. Fazendo refeições juntos, ela me dizendo pra mastigar mais devagar. Dormindo juntos toda noite, sem precisar me preocupar com despedidas ou relógios.