Capítulo 86.

8.4K 692 180
                                        

Traguei lentamente, deixando a fumaça aquecer meus pulmões enquanto o vento gelado batia no meu rosto

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Traguei lentamente, deixando a fumaça aquecer meus pulmões enquanto o vento gelado batia no meu rosto. O parapeito do terraço era meu apoio, e lá embaixo a rua movimentada parecia um mundo distante, indiferente ao turbilhão dentro da minha cabeça.

— Que merda era aquela? — A voz firme do meu pai soou atrás de mim.

Fechei os olhos por um instante, respirando fundo. Já sabia que ele ia vir atrás de mim. A forma como ele me olhou durante o jantar não deixava dúvidas. Por isso preferi sair, procurar um lugar isolado onde a conversa não chamasse atenção. Pela cara dele, não ia ser amigável.

— Qual das? — Respondi, me virando devagar enquanto puxava mais uma tragada, tentando manter o tom indiferente.

Ele riu baixo, mas não de um jeito divertido. Seus olhos vagaram ao redor enquanto ele coçava o nariz, o gesto que eu reconheci de imediato. É exatamente o que eu faço quando estou prestes a enfiar um murro na cara de alguém. Permaneci quieto, com o olhar fixo no dele, sem desviar. Ele despreza vitimismo, o que, considerando sua profissão de advogado, é uma ironia gigante. Se eu abaixasse a cabeça e não assumisse minhas próprias merdas, nem haveria conversa.

— Você não fala sobre bocetas e lavagem de dinheiro na porra de um jantar, no evento que é importante pra sua mãe. — Ele começou, andando na minha direção, a mão esquerda enfiada no bolso da calça enquanto a direita apontava para mim com o copo de uísque firme entre os dedos. — Principalmente com ela e a sua namorada ao lado.

Travei o maxilar, sentindo o sangue esquentar, mas tentei manter a postura, fingindo que aquilo não me afetava.

— Não faça essa cara de puto pra mim. — Ele continuou, parando a menos de um metro de distância. — Você já é um homem. Sua língua estava solta lá dentro, enfiou ela no rabo aqui fora?

Seu olhar era afiado, cortante, enquanto ele erguia o queixo, me desafiando sem dizer mais nada.

— Eu só falei que não era uma boa ideia. — Dei de ombros, tentando soar despreocupado, mas meu corpo já estava tenso, pronto para tomar a pancada.

— Não. — Ele balançou a cabeça, levando o copo à boca para um gole demorado. — Você desrespeitou sua mãe e sua namorada. Sem mencionar que estava falando do pai dela. Já parou pra pensar que a merda que sai da sua boca pode machucar ela?

— Ela tá bem. — Respondi, jogando o cigarro no chão e apagando-o com a sola do sapato. Cruzei os braços, sustentando seu olhar. — Ela sabe melhor do que eu que o pai dela é um pau no cu do caralho.

— Isso não significa que não doa, seu imbecil. Acha que ela se orgulha disso? Ou ache graça como você? — Ele rosnou, a voz grave e dura.

— Tá, pai. Foi mal. — Falei, arqueando as sobrancelhas com impaciência.

— Não, foi péssimo. Eu te criei pra isso porra? — Seu tom aumentou um nível.

— Pai, desculpa. — Soltei, tentando apaziguar.

MIDNIGHT CLUB - #1 Onde histórias criam vida. Descubra agora