Dark Romance [+18]
[Livro 1]
Damon Campbell é um vício perigoso e um pesadelo. Obcecado por Angel Miller, ele a persegue como uma sombra, oscilando entre provocação e desejo, enquanto ela o odeia com todas as forças - ou tenta. Mas nem tudo é o que...
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Meus olhos vagaram pela geladeira, tentando encontrar qualquer coisa que despertasse o mínimo de interesse. Mas nada. Meu estômago não estava nada bem depois do que vi ontem à noite. Mal consegui dormir. Meus olhos estavam fundos, as olheiras tão marcadas que me faziam desviar de qualquer espelho.
Damon me deixou em casa, mesmo depois de implorar umas mil vezes pra que eu fosse dormir com ele ou, que ele se esgueirasse sorrateiramente pra minha cama. Eu recusei. Por mais que tudo o que eu queria fosse me enfiar no peito dele e esquecer do mundo, eu precisava de um tempo sozinha.
Minha cabeça girava como um tornado. Oscilações entre as visões do pai que eu achava que tinha e a triste realidade que agora estava escancarada. Nos raros momentos em que cochilei, as memórias invadiram meus sonhos... Passei a noite toda relembrando dos dias em que meu pai me ensinou a andar de moto. E a correr também. Eu só precisei mencionar uma única vez que achava legal. No mesmo dia, ele apareceu com uma moto.
Eu fiquei tão feliz. Mas tão feliz que nem Norma ou Adeline conseguiram me distrair daquele momento. Passamos dias treinando, eu caí incontáveis vezes. E, sempre que ele percebia que a queda seria feia, ele me abraçava e pulava da moto comigo. Ele se machucava muito mais do que eu, mas me embalava como um casulo, protegendo cada parte de mim.
Ele era o meu casulo.
Meu Deus, o que aconteceu com o meu pai?
Minha cabeça latejava com as lembranças. As noites em que ele invadia meu quarto, me acordava só pra me encher o saco e me dar um beijo de boa noite. Eu odiava aquilo, mas ficava brava se ele faltasse uma noite sequer. Sempre que voltava pra casa, era nossa rotina.
E agora, tudo parecia uma grande mentira.
Meu pai nunca me machucou. Nunca sequer me olhou com os olhos frios que vi ontem à noite.
Por que esse ano tudo começou a mudar de repente?
Eu não o conheço mais. E pior: será que algum dia cheguei a conhecê-lo?
Por que todo mundo ao meu redor mente pra mim?
Parece que eu vivo em um teatro onde todo mundo já sabe o papel que deve interpretar, enquanto eu fui jogada de paraquedas, sem saber nada do roteiro.
Fechei a geladeira com um suspiro frustrado, sentindo meu estômago embrulhar ainda mais. Peguei um copo d'água e o bebi de um só gole, tentando acalmar a sensação de náusea. Desisti de comer. Caminhei pela casa com passos curtos e desanimados, como se carregar meu próprio corpo fosse um peso. Ainda nem eram dez horas da manhã, e eu já estava exausta.
Bocejei, coçando os olhos, enquanto passava pela sala. De repente, senti meu pé bater em algo, o som seco e baixo de papel deslizando pelo chão.
Franzi o cenho, olhando ao redor, até encontrar um envelope branco amarrado com uma fita rosa que tinha um laço perfeito. Caminhei até onde ele havia parado e me agachei, pegando-o. Não tinha nada escrito por fora.