Capítulo 105.

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Eu não estava acostumada a ver Damon, aquele que me irritava por nunca — nunca — parecer abalado ou triste, nesse estado em que ele estava agora

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Eu não estava acostumada a ver Damon, aquele que me irritava por nunca — nunca — parecer abalado ou triste, nesse estado em que ele estava agora. Os dias no hospital estavam mexendo com a cabeça dele de um jeito que nem ele conseguia disfarçar, e eu entendia.

Por mais que quisesse que ele se sentisse melhor, não havia nada que pudéssemos fazer. Ele precisava ficar em monitoramento, pelo menos até que suas costelas o deixassem respirar sem dor e seu corpo estivesse forte o suficiente para que pudesse se mover sozinho, talvez até voltar à rotina normal, mesmo que à base de analgésicos.

Damon é inquieto. Sempre foi cheio de energia, e vê-lo agora, preso a essa cama, com essa energia acumulando dia após dia, era como observar um animal enjaulado. Ele estava... depressivo? Talvez. Não podia jogar basquete, não podia fazer nada do que gostava. Primeiro, porque ainda não estava totalmente recuperado; segundo, porque a lesão no ombro era uma ameaça bem maior do que qualquer um de nós imaginava. Só depois da fisioterapia saberíamos se ele conseguiria jogar como antes ou se ao menos poderia voltar a jogar.

Eu não havia pensado nisso. Nem me passou pela cabeça, até o momento em que finalmente tive coragem de perguntar no que ele tanto pensava. Quando ele me contou, meu coração quase se despedaçou. Damon sem o basquete parecia inconcebível. Era como tirar uma parte dele, uma parte grande demais.

Passamos o Natal no hospital. Levamos comida, assistimos a um filme natalino, e até conseguimos rir quando Carlos apareceu com uma foto revelada da árvore de Natal que eles montaram antes de tudo acontecer. Ele a colocou ao lado da cama de Damon, dizendo que não tinha sido "à toa", apesar das reclamações de Damon.

O Ano Novo não foi muito diferente, mas foi mais tranquilo e, de certa forma, especial. Depois que seus pais e minha mãe foram embora, ficamos sozinhos no quarto, sem grandes expectativas, mas satisfeitos de apenas estarmos juntos. Não podíamos fazer muita coisa, mas gostei da ideia de me deitar com ele e passar quase a madrugada inteira maratonando séries. Não era o que planejamos, mas era o suficiente.

Eu simplesmente não conseguia ir pra casa e deixá-lo sozinho. Só de pensar nisso, sabia que não dormiria nem por um segundo. Era desconfortável dormir ali, mas era o certo. Uma das enfermeiras, vendo minha insistência em ficar, arrumou uma maca pra mim, o que tornou as noites um pouco menos ruins. Não era o ideal, mas servia.

Os dias foram passando, e mesmo que Damon tentasse me tranquilizar com seus sorrisos e gestos carinhosos, eu via o que estava acontecendo por trás da fachada. Meu Damon, estava morrendo aos poucos por dentro. Era como se cada dia naquela cama roubasse um pedaço dele. Eu queria uma solução milagrosa, algo que apagasse tudo aquilo, mas não tinha. Tudo que eu podia fazer era ser otimista e tentar não deixá-lo pensar tanto sobre tudo o que estava fora do nosso controle.

Quanto ao meu pai... Ele estava sendo procurado no mundo todo. Aparentemente, quando voltou ao armazém e descobriu que Damon havia escapado, resolveu sumir no mapa com o rabo entre as pernas. Ele sabia que tinha perdido. Sabia que, se pisasse nos Estados Unidos, seria preso na mesma hora. Eu? Eu não queria nem saber. Que ficasse bem longe.

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