Capítulo 96.

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Desde que Angel acordou, minha mãe tem ficado de olho nela, praticamente não a deixando sozinha por um segundo

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Desde que Angel acordou, minha mãe tem ficado de olho nela, praticamente não a deixando sozinha por um segundo. Ela insistiu para que Angel bebesse um chá para "acalmar os nervos", como se um pouco de ervas fosse suficiente para reparar o estrago que aquela merda causou. Enquanto isso, ela lia as cartas. Todas elas. Uma a uma, com os olhos fixos nas palavras como se cada linha fosse uma facada lenta.

Não abriu a boca para dizer uma única palavra. Não falou comigo, não falou com meu pai, e mal respondeu à minha mãe, que fazia perguntas casuais tentando criar um clima menos tenso. Nem mesmo chorou mais. Nenhuma lágrima sequer. O rosto dela estava vazio, uma máscara de indiferença que só fazia minha preocupação aumentar.

Quando meu pai finalmente chegou, eu o arrastei para um canto da casa antes que ele começasse a questionar o estado de Angel. Falei tudo, sem rodeios. O armazém e os trabalhadores mortos. Os arquivos de lavagem de dinheiro, Norma, Rose Memphis e até o maldito Sanatório. Tudo.

Meu pai ficou em silêncio enquanto eu falava. Não interrompeu, não pediu explicações. Apenas ouviu, os braços cruzados e o olhar fixo em mim. Mas as pupilas dilatadas, os punhos cerrados quando mencionei certos detalhes... Eu não sabia se ele queria me matar por ter me metido em algo tão grande, algo que podia destruir a porra da nossa família, ou se queria me dizer que fiz a coisa certa.

O silêncio dele era tão denso quanto o meu ódio.

— E agora? — Ele finalmente falou, a voz baixa, quase controlada demais, como se estivesse segurando algo muito maior dentro de si.

— Agora a gente vai atrás do William. — Respondi, meu tom firme. — Ele precisa pagar.

Meu pai ficou me encarando por longos segundos, como se estivesse decidindo entre me apoiar ou me colocar no meu lugar. Eu não me importava com qual lado ele fosse escolher. A minha decisão já estava tomada. William tinha se safado por tempo demais.

— Não podemos agir como super-heróis, Damon. Temos que ser cautelosos, e eu sei que isso é pedir muito, mas precisa confiar em mim. — Meu pai disse, gesticulando com as mãos como se quisesse me manter calmo, como se isso fosse possível.

Balancei a cabeça, negando imediatamente. Cautela o caralho.

— Primeiro, acharemos Diana. Ela precisa estar do nosso lado se quisermos ganhar na justiça contra—

— Por que você nunca fez nada a respeito? — Interrompi, minha voz cortando como uma lâmina. Meu sangue já estava quente demais, e a última coisa que eu teria agora era papas na língua.

Ele franziu o cenho, confuso, como se não tivesse entendido.

— Como?

Cruzei os braços, firme, meus olhos fixos nos dele, sem desviar.

— Quando eu falei sobre a lavagem naquele dia, você nem piscou. Você sabia. Por que nunca fez nada? — Confrontei, cada palavra carregada de acusação.

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