Capítulo 88.

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— Vou perguntar uma última vez

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— Vou perguntar uma última vez... — Damon começou, mas eu o cortei antes que pudesse terminar.

— Você é surdo? Eu disse que não sei! — Sibilei, deixando a raiva crescer na voz.

Damon arqueou as sobrancelhas, claramente não intimidado, e levantou um dos bilhetes, começando a ler em voz alta:

"Há beleza no som do silêncio, na ausência que abraça o coração, um murmúrio suave, um toque gelado, o eterno pacto com a solidão."

Desviei o olhar, fixando-o na porta do quarto. Não queria vê-lo, não queria ouvir o tom de sua voz assim, como se eu fosse burra ou estivesse escondendo algo.

— Interessante, não acha? — Ele continuou, ignorando meu silêncio. — Quem quer que tenha escrito isso... parece que te conhece bem. Talvez melhor do que você pensa. — Damon inclinou a cabeça, os olhos fixos em mim como se estivesse desvendando meus segredos um por um. — E parece que sabe dessa sua... obsessão com o silêncio.

Não respondi, não olhei, fiquei imóvel. Era por isso que não queria que ele soubesse sobre os bilhetes. Ele não ia entender. Porque era estranho. Porque eu também não entendia.

— Não finja que não estou aqui. — Rosnou, sua mão agarrou minha mandíbula, firme, forçando-me a olhar para ele. — Olha pra mim.

Espremi os lábios e sustentei o olhar, calada. Não ia brigar com ele. Não tinha nada pra dizer.

"As rosas pálidas murmuram segredos, pétalas suaves escondem desejos, no tom do amanhecer, um véu a ocultar, verdades que a alma não pode revelar." — Ele leu o segundo bilhete, ainda segurando meu rosto.

Permaneci em silêncio, meu coração batendo mais forte, mas me recusei a reagir.

— Angel. — Ele rosnou, sua voz grave ressoando no quarto.

Fechei os olhos, fingindo que não o ouvia. Depois de alguns segundos, ele me soltou, empurrando meu rosto de lado com certa brusquidão. Mordi o lábio, segurando qualquer mínima reação que pudesse trair o que eu sentia, e abaixei a cabeça, encarando o chão.

Um som seco ecoou pelo quarto, e meus ombros saltaram ao ouvir o estrondo. Parecia o tapa de uma mão contra a mesa. Permaneci imóvel, o silêncio preenchendo o espaço por alguns segundos até que o barulho de uma cadeira sendo arrastada cortou o ar, seguido pelo farfalhar das roupas dele ao se sentar.

O som do isqueiro riscando soou logo depois, e o cheiro da fumaça começou a subir lentamente, invadindo o ambiente. Levantei o olhar devagar, vendo Damon tragar o cigarro, seus olhos fixos em mim, ardendo de raiva contida enquanto soltava a fumaça lentamente, como se fosse sua única válvula de escape.

Ele pegou um dos bilhetes, riscou o isqueiro e aproximou a chama. O fogo lambeu o papel e o bilhete começou a queimar, as chamas engolindo as palavras. Ele o segurou pela ponta até que restasse apenas uma pequena cinza. Nem se importando ao queimar a ponta do dedo.

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