Dark Romance [+18]
[Livro 1]
Damon Campbell é um vício perigoso e um pesadelo. Obcecado por Angel Miller, ele a persegue como uma sombra, oscilando entre provocação e desejo, enquanto ela o odeia com todas as forças - ou tenta. Mas nem tudo é o que...
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O rastro de sangue serpenteava pela neve, um contraste aterrador contra o branco imaculado, marcando cada centímetro do caminho por onde arrastaram o corpo dele. A visão me dilacerava, como se o sangue também escorresse de mim. Meu coração está sangrando.
Eu estava de bruços, ofegante, enquanto cuspia a água que insistia em sufocar meus pulmões. Cada tosse vinha com dor, uma que rasgava por dentro, mas nada se comparava à dor que explodia no meu peito. Ele tinha me salvado. Salvou ela também. Mas não a si mesmo.
Tudo o que minha visão embaçada conseguiu captar foi o corpo encharcado e ensanguentado de Damon sendo arremessado no furgão. O mesmo furgão onde, nós dois testemunhamos os homens do meu pai descartarem corpos como se fossem meros sacos de lixo. A dor no meu coração era tão aniquiladora que parecia sufocar qualquer tentativa de raciocínio.
Pra onde o levaram?
O som abafado do vento parecia zombar de mim, me lembrando da vastidão do nada onde estávamos. Eles nos deixaram para trás, descartados como se não valêssemos nada, como se fôssemos apenas mais um problema resolvido.
Lágrimas queimavam meus olhos, mas não caíam. Meu corpo estava tão frio que eu não sabia mais onde terminava o gelo e começava a carne. Meus olhos seguiram o rastro de sangue mais uma vez, como se pudessem me guiar até ele, mas me levaram ao corpo inerte jogado a alguns metros de mim.
Respirei fundo, puxando todo o ar que conseguia, mesmo que fosse pouco e nem um pouco suficiente. O frio queimava meus pulmões como brasas, e meu corpo tremia descontroladamente, cada músculo em espasmos como se milhões de volts atravessassem minha pele. Meu coração parecia se chocar contra minhas costelas em um ritmo frenético, e meus lábios tremiam tanto que não conseguia fechá-los.
Estou congelando. Deus, eu vou morrer congelada.
Um soluço escapou, rouco e sufocado, enquanto tentava me erguer de joelhos. A neve afundava sob mim, gelada e cruel, como se quisesse me devorar inteira. Minhas mãos, já dormentes, arranhavam o chão em vão, buscando um apoio que não existia.
— Mãe... — sussurrei, a palavra escapando como um sopro frágil, quase inaudível.
Minha visão embaçava pelas lágrimas que eu nem sentia mais escorrer. Meu rosto ardia de frio, mas meu corpo estava tão entorpecido que parecia não ser mais meu.
— Mamãe! — gritei, ou ao menos tentei, mas minha voz saiu rasgada, abafada pelo vento cortante que silenciava tudo ao meu redor.
Rastejei, o peso do meu corpo parecia uma âncora puxando-me para baixo, para dentro daquele gelo que parecia eterno. Minhas roupas encharcadas estavam coladas à pele, roubando o pouco calor que ainda tinha.
— Deus, por favor! — implorei, minha voz tremendo em meio aos soluços enquanto esticava o braço para me puxar pela neve.
Cada movimento parecia arrancar um pedaço da minha alma. Eu gemia, gritava por dentro, mas usava toda força que restava.