capítulo 138

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Amanheceu. Durante a madrugada, enquanto Dulce dormia Christopher se levantou, pondo mais 4 pedaços de lenha no fogo que morria. Logo as chamas estavam vivas novamente. A chuva se acalmou um pouco pela manhã, travando uma batalha com o vento forte. Dentro da cabana as tochas haviam apagado, restando só a lareira. Dulce estava deitada no peito de Christopher, de costas pra ele, que a abraçava firmemente com os dois braços. Os dois olhavam os fogo, quietos, apenas se sentindo.

Dulce: Nós podemos ficar aqui. – Disse, se aninhando a ele – Para sempre. Ficar velhinhos juntos. – Disse, manhosa.

Christopher: Nosso "para sempre" aqui não ia durar muito. Iríamos morrer de fome. – Lembrou, e sorriu com a careta dela – Mas nós vamos ficar velhos juntos. – Prometeu, beijando a orelha dele.

Dulce: Vão dar por nossa falta logo. – Comentou, franzindo o cenho.

Christopher: Amor, já deram por nossa falta há horas. – Corrigiu e ela riu, se virando pra ele, ficando deitada de barriga pra cima em seu peito. Ele tirou o cabelo dela do rosto, acariciando-a.

Dulce: Eu amei ter fugido com você. – Ele sorriu.

Christopher: Mesmo com nosso pequeno banho no rio? – Brincou, ela revirou os olhos.

Dulce: Principalmente por nosso banho no rio, é claro. – Ele riu, inclinando o rosto para beijá-la. Ele a abraçou com força, expulsando o ar que ela tinha nos pulmões, o que a fez rir dentro do beijo. Ele rolou com ela pela cama, pondo-a pra baixo, e a encheu de beijos mordidos, fazendo-a gritar pelas cócegas.

Quando eles saíram, por fim, da cabana, já havia amanhecido. A chuva perdera para o vento, e o tempo estava frio. Os dois caminharam tranquilamente pela volta. Ao chegar no rio, com sorte, a correnteza havia baixado um pouco, revelando o caminho de pedras. Eles tiveram que molhar os pés ao passar, mas nada que incomodasse demais. Ao chegar no castelo...

Christopher: Bom dia. – Disse, entrando na cozinha pela entrada dos funcionários. Tinha a mão dada com Dulce. A cozinheira e Nina olharam, se curvando em seguida. A expressão do rosto de Nina ficou, se era possível, ainda mais fechada. Ela observou as roupas dos dois: Christopher de capa, a camisa e a calça amassados, os cabelos arrepiados, e Dulce com a capa fechada (para ocultar a camisola), os cachos soltos pelos ombros, levemente aerados pelo vento. Ambos descalços. – Onde estão os outros?

Cozinheira: Tomando café, senhor. – Respondeu.

Christopher: Ótimo. – Disse, virando o rosto para olhar Dulce, que sorriu – Com licença. – E saiu com ela.

Eles se despediram com um beijo no corredor do quarto dela, cada um tomando seu rumo. Dulce, feliz e satisfeita, quase saltitante, entrou no quarto, tirou a capa e foi direto para o banho. Parou em frente ao espelho após tirar a camisola, se olhando: Seu corpo estava TODO marcado. Marcas de boca, de mão, de unha, de tudo. Mas ela sorriu. Tomou um banho quente e demorado na banheira, e seus pés doeram quando ela saiu; Havia corrido feito uma condenada pela floresta, as pedras do rio, tudo... Descalça. Os pés tinham roxos e até uns cortes.

 Ela se penteou, vestiu outra camisola e se deitou, feliz, em sua cama. Cansada. Exausta. Morrendo. Mas ainda podia sentir o perfume dele na pele, e só isso lhe bastava. Christopher por sua vez tomou um banho normal, rápido, sorrindo as vezes ao se lembrar de passagens da noite anterior. Ao sair do banho constatou que seus pés também estavam em um estado deplorável, com direito a uma lasca de madeira presa na pele, que ele retirou. 

Ele se vestiu, se penteou, e quando se sentou para resolver como faria para se calçar... Se descobriu exausto. Riu consigo próprio, passando as mãos nos olhos, e decidiu que poderia se atrasar um pouco pro café. A pobre Dulce havia dormido apenas uma hora quando seu sono foi interrompido.

Kristen: Qual o problema com seus pés? – Perguntou, parada, aos pés da cama, olhando os as solas dos pés de Dulce. Dulce gemeu, se encolhendo.

Anahi: Acorde e brilhe, estrelinha. – Disse, se encostando na cama.

Dulce: Pelo amor de Deus. – Murmurou, cobrindo o rosto com os braços. Pelo menos os braços não tinham marcas... Só os pulsos.

Maite: Não seria melhor pedir uma salmoura? – Perguntou, avaliando.

Dulce: Não é nada, gente. – Disse, suspirando e abrindo os olhos. Maite e Kristen se sentaram. Anahi ficou de pé.

Anahi: É, não foi nada, ela só fugiu para Deus sabe onde descalça. – Disse, prendendo o riso.

Dulce: Dulce, porque não se senta conosco? – Perguntou, observando. Dulce Maria estreitou o olhar e Anahí sorriu, satisfeita.

Anahi: Estou bem de pé. – Agradeceu. Dulce ergueu a sobrancelha, esperando. Anahi respirou fundo e se sentou nos pés da cama... Porém com uma dificuldade notável. Dulce riu.

Dulce: Fala de mim e é igual. – Acusou, e Anahi riu também.

Anahi: Há uma diferença entre nós: EU sou casada. – Disse, fazendo as três rirem.

Dulce: Me deixem dormir. – Disse, derrotada, se afundando nos travesseiros.

Kristen: A costureira está ai. Você esqueceu, mas tem prova do vestido hoje. Mas pelo visto mandarei dispensarem ela por hoje. – Disse, observando as marcas no pescoço e colo de Dulce – Nós não queremos um escândalo. – Assinalou, debochada.

Resultou que Dulce não conseguiu voltar a dormir. Se contentou em saber que dormiria a noite. Porém ela não sabia o que a noite reservava. Estavam todos na sala de estar, conversando antes do jantar, quando Alfonso entrou na sala. Estava mais pálido que o normal.

Alfonso: Anahi desapareceu. – Anunciou, em um silvo, alertando a todos os outros na sala.

Apenas Mais Uma De Amor (Adaptada)Onde histórias criam vida. Descubra agora