Capítulo 39

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No dia seguinte levei as crianças no colégio de manhã contra vontade da Priscilla, avisei a ela que eu passaria a tarde no SPA só que relaxando com a Sam e ela gostou da ideia. Ela queria me levar, não queria que eu dirigisse, mas eu me sentia bem para dirigir, não era um problema pra mim. Cheguei no SPA uma hora mais cedo resolvi umas coisas no escritório, abri a carta de uma premiação, fomos nomeados novamente como o melhor SPA de NY, e ganhamos o símbolo de 10 estrelas e a estrela de diamante, aquilo era incrível para nós. Logo me avisaram que a Sam tinha chegado.

Eu: Olá, bem vinda... – eu já tinha avisado que era para trata-la como uma celebridade ali. Nós já tratávamos todo mundo muito bem, mas queria mais que um tratamento vip que era o dado aos famosos que frequentavam diariamente o SPA. Quando a vi, ela estava com uma taça na mão.
Sam: Mentira que isso é champanhe?

Eu: Suco de uva gaseificado. A gente não pode beber álcool.

Sam: Pode ver?

Eu: O que?

Sam: O brilho sumindo dos meus olhos... – demos risada.

Eu: Vai gostar desse suco eu tenho certeza. Ele é bem exclusivo. – ela tomou.

Sam: Nossa... Que delicia, parece champanhe mesmo, até parece ter álcool.

Eu: Não é? Eu adoro... Aqui muita gente não bebe, mas gosta da sensação do champanhe então tenho sempre. Encomendo de um fornecedor exclusivo, depois te dou algumas garrafas.

Sam: Que delicia, obrigada...

Eu: Vamos conhecer o lugar e nos trocar?

Sam: Vamos... – eu fui mostrando tudo pra ela e ela estava adorando. Fomos nos trocar, colocar um biquíni para as massagens e os tratamentos de pele. – Você está tristinha o que foi? – saímos do vestiário.

Eu: Ontem eu descobri uns remédios que a Pri está tomando. Ela não me contou que está tomando sabe.

Sam: E você sente que ela está te poupando de tudo porque você está doente não é? – entramos na banheira de hidro primeiro.

Eu: Sim, é bem isso. – suspirei. – Ai que água maravilhosa.

Sam: Eu não sabia que precisava disso até entrar... – suspirou e eu ri. – Sua esposa é nova nisso Natalie. Ela está com medo, ela ainda vai te tratar muito como um cristal e eu sei o quanto isso é irritante. Eu surtei no meio da sala de quimio com a minha família toda. Acredite, no começo, na primeira vez que eu tive câncer meus filhos e meu marido pareciam me velar viva naquela quimioterapia, iam todos. Literalmente não me deixavam sozinha, não me deixavam fazer nada. Até tomar banho tinha alguém no banheiro. Sabe o quanto é constrangedor ter alguém na porta do seu banheiro quando você está fazendo necessidades? – rimos – Eles estavam tão obcecados por mim e pela minha doença que pararam de viver e isso é uma das partes ruins da doença. Perder o pouco da normalidade que podemos ter. Surtei com todos eles e depois disso, nossa relação melhorou, a confiança deles com relação a tudo melhorou. A casa que antes tinha um ar triste e depressivo ficou mais alegre. Ninguém vivia, ninguém sorria mais e isso me machucava e me deixava ainda mais doente. Eu não queria isso para minha família e eu não queria passar por essa doença horrível no meio de tanta tristeza como se esperassem que eu fosse morrer a qualquer momento.

Eu: Como convive com isso? É a segunda vez que está passando pela doença. – ela sorriu.

Sam: Por mais horrível que seja, a gente se acostuma. Aprende a lidar, fica mais forte por mais fraco que a doença nos deixe. Eu descobri o câncer aos 40 anos e a minha cabeça quase explodiu com isso. Eu cheguei em casa e bebi uma garrafa inteira de vinho, depois eu contei para o meu marido no meio do sexo que eu estava com câncer – começou a rir – E ele ficou chocado.

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