Capítulo 100

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PRISCILLA NARRANDO...

Eu não estava bem... Meu emocional estava destruído. Acho que tudo que aconteceu durante todo o ano bateu agora, com uma dor e uma angústia imensa. Estávamos no meio de confusões desde o inicio do ano. Brigas, câncer, homofobia, vídeo intimo, estupro, depressão da minha filha, atentado, era muita coisa. Eu estava exausta, eu estava desmotivada, triste e muito cansada mentalmente e emocionalmente. A recuperação da minha filha era um pouco demorada, mas estava indo bem e ela estava encarando bem agora. Meu filho ainda tem um pouco de dificuldade para dormir, mas também está encarando bem agora. Eu chorava muito de madrugada sozinha eu estava mal eu sabia que estava doente. Eu chorava por tudo, eu estava me sentindo tão perdida como eu não me sentia a muito tempo. Eu não queria externalizar isso, não queria que minha família sentisse o que eu estava sentindo. Eu tinha que cuidar deles e não eles de mim. Eu estava consumida por uma tristeza e um cansaço muito grande. Acordei de manhã e não quis levantar. Eu precisava trabalhar um pouco, era final de semana mas precisava fazer algumas coisas que ficaram pendentes e eu não fiz, voltei a dormir e dormi a manhã toda. Na hora do almoço a Natalie me chamou.

Nat: Amor... Vamos almoçar...

Eu: Obrigada amor eu não quero almoçar. – virei para o outro lado.

Nat: Está se sentindo mal Pri?

Eu: Só estou muito cansada.

Nat: Vou trazer comida pra você tá? – me deu um beijo e saiu. Ela logo voltou com uma bandeja e desceu. Eu comi menos da metade, tomei só o suco e deixei a bandeja na mesa. Fui ao banheiro fiz a minha higiene e deitei de novo. Meu celular vibrou era ligação da Virginia.

Virginia: Oi Pri... Não paro de pensar em você, está tudo bem?

Eu: Oi Vi está sim. Só ando bem cansada com a mente exausta.

Virginia: Já almoçou? Deu uma volta pra respirar?

Eu: Não sai da cama hoje. Não quero fazer nada. Comi um pouquinho aqui no quarto.

Virginia: Pri, você precisa ir ao medico.

Eu: Chega de médico Virginia. Foi um ano inteiro indo em hospitais, vendo médicos de todos os jeitos eu não quero mais isso eu estou traumatizada.

Virginia: Você está deprimida. Está segurando a barra faz tempo. Precisa de ajuda também, você segurou a barra de todo mundo isso não é legal.

Eu: Eu sei... Eu sei...

Virginia: Vou marcar uma consulta pra você com meu psiquiatra, doutor Fred você vai gostar dele, precisa cuidar da sua mente Pri.

Eu: Obrigada. Vou voltar a dormir.

Virginia: Ok. Qualquer coisa me liga.

Eu: Tá. Obrigada.

Virginia: Se cuida.

Eu: Você também... – eu chorei... Chorei muito por um bom tempo. Eu chorava muito nos últimos dias e eu só chorava assim no começo da minha gravidez. O Ethan... Meu menino ainda tinha pesadelos. A Bia estava se recuperando, estava sendo paciente com ela mesma e entendendo que a recuperação dela era um processo vagaroso. Eu dormi o resto do dia tive pesadelos e acordei chorando muito no fim do dia. Tomei um longo banho e me deitei de novo, liguei a TV e fiquei vendo uma série. O Ethan veio se despedir ia dormir no amiguinho do prédio uma festinha do pijama.

Ethan: Eu já estou indo mamãe.

Eu: Você tá lindo com esse pijama filho. Divirta-se tá? Quando a tia Mary falar que é para ir dormir obedeça ok?

Ethan: Tá. Te amo boa noite.

Eu: Te amo meu filho boa noite – o abracei e beijei e ele saiu. Meia hora depois veio a Bia com andador. – Oi vovozinha... – ela riu.

Bia: Eu jogo esse andador em você – ria e eu ri também. Ela levava na esportiva então a gente brincava muito, e deixava as coisas mais leves. Ela deixou o andador de lado, no canto da porta e veio sozinha sem se segurar. Ela deu 20 passos sozinha, era bem devagar ainda, mas era importante fazer isso todos os dias, assim como ela já subia e descia as escadas para se exercitar. – Esse quarto nunca foi tão grande. Uffa...

Eu: Foi ótimo filha, está cada vez melhor, está sentindo dor?

Bia: Não, só o corpo pesado mesmo. Estou indo dormir na Julie, vamos ver filme, comer pizza, falar mal dos outros. As meninas vão pra lá também.

Eu: Hoje é festinha do pijama na casa de todo mundo, já já a Nininha vai também.

Bia: Sim... Boa noite mamãe te amo.

Eu: Boa noite filha te amo qualquer coisa liga tá?

Bia: Tá. – ela voltou para o andador.

Eu: Se for rápido demais vai deslocar de novo o quadril. – debochei.

Bia: Eu já estou quase correndo.

Eu:Para uma tartaruga está sim. –rimos. Ela logo saiu. Eu voltei a chorar eu sentia medo o tempo todo. Natalieestava colocando a Nina para dormir eu desci peguei uma garrafa de uísque fuiaté o cofre do meu quarto e peguei um baseado e subi para o terraço. Fiquei alinão sei quanto tempo, mas já estava bem alta. Acendi o baseado e me sentei noparapeito... Qual o sentido da vida? Qual o sentido de tudo isso até agora? Oque a vida queria de mim? Da minha família? Aqueles 45 minutos ecoavam na minhacabeça o tempo todo. 

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