Capítulo 5

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Eu: Eu... – respirei fundo tentando engolir o choro – Eu fiz alguns exames hoje.

Pri: Sim e ai?

Eu: Eu tenho câncer de mama Pri. – solucei.

Pri: Natalie, me explica direito eu não entendi. – ela ficou atordoada.

Eu: Tem dois caroços no meu seio. Um de dois centímetros e meio no esquerdo e um de um centímetro no direito. É um pouco incomum isso acontecer nos dois seios, mas aconteceu comigo, está acontecendo e amanhã eu tenho uma consulta com o doutor Max Sullivan oncologista as 8:40 da manhã. Eu não consegui conversar direito hoje, saber minhas opções de tratamento, eu ainda estava em choque com as informações. Então ele marcou para amanhã de manhã se você quiser ir comigo – dei de ombros.

Pri: É claro que eu quero ir com você, é claro que eu vou com você. Você é minha esposa, você não está sozinha nisso Natalie. Achou que eu fosse ignorar?

Eu: A gente não está bem, achei que fosse querer distância – deixei cair uma lágrima.

Pri: Natalie quem quis distância foi você, foram as suas desconfianças sem motivos eu já te falei isso. Eu sai de casa porque eu não aguentava mais brigar. Você o tempo todo querendo separar e desconfiada de mim, me enlouquece e... – eu a cortei.

Eu: Priscilla, chega... Não precisa fazer isso comigo ok? Não precisa, você não tem obrigação.

Pri: Natalie, eu sou sua esposa, eu te amo, coloca isso na sua cabeça. Eu estou do seu lado para o que for. – segurava meu rosto e deixou duas lágrimas caírem. – Não me afaste de você, não faz isso agora. Chega de desconfianças, chega disso. Eu e você nos amamos, temos uma família linda, uma casa dos sonhos, construímos muitas coisas juntas. Eu te amo mais que tudo, e estamos nessa juntas ok? – me abraçou. Eu não resisti e me entreguei ao choro.

Eu: Eu estou com muito medo amor... – soluçava.

Pri: Eu sei... Vem aqui – me pegou no colo e me levou para o quarto me colocando na cama. Ela subiu na cama e me puxou para cima dela. – Eu te amo, e vamos passar por isso da melhor maneira possível ok? Amanhã vamos ao médico juntas, vamos entender seu caso, se for preciso e se você quiser vamos procurar outras opiniões.

Eu: Eu não queria parar de amamentar a Nina assim. – falei triste e ainda chorando.

Pri: Eu sei amor, mas é necessário, para o seu bem. Ela não é uma recém nascida mais, ela tem um aninho, ela come, ela mama na mamadeira, ela já está quase andando.

Eu: A gente precisa contar para as crianças.

Pri: Sim, a gente precisa contar. Vamos contar depois que soubermos de tudo no médico, porque eles farão perguntas, principalmente a Beatrice.

Eu: Ela tem 15 anos, tudo nela é aflorado e ela nos enlouquece, como ela vai receber isso?

Pri: Amor, não vamos sofrer por antecipação ok? Vamos viver um dia de cada vez, vamos devagar.

Eu: Tá...

Pri: Vai ficar tudo bem.

Eu: Tá bom... Volta pra casa, fica aqui comigo?

Pri: Eu volto, e eu não vou te largar nunca. Tudo tem que ser conversado ok? Nada de suposições.

Eu: Tá.

Pri: Te amo.

Eu: Eu te amo. – fiquei ali em silêncio abraçada a ela. Eu não queria sentir nada naquele momento, só ficar ali, morar naquele abraço antes que a tempestade chegue. O sono chegou e eu apenas adormeci. Acordei na manhã seguinte as 7:30, estava sozinha na cama. – Droga... Droga... – levantei correndo achando que estava atrasada para acordar as crianças, cheguei no corredor e ouvi a voz da Priscilla. Ela saia do quarto do Ethan com a Nina no colo.

Pri: Já falei pra trocar essa calça Ethan, não vou falar de novo. – bateu na porta da Bia – Beatrice se você não descer e tomar seu café da manhã você vai sem comer, anda logo.

Bia: JÁ VOU MÃE...

Pri: Oi amor bom dia. Toma banho se troca senão a gente vai se atrasar. – me deu um selinho e desceu rapidamente. Por alguns segundos me esqueci totalmente da correria que é para sair de casa de manhã. Eu tomei um banho rápido, coloquei uma calça térmica por baixo da legging, calcei uma bota, uma blusa de manga comprida térmica uma camisa por cima peguei um sobretudo, luvas e uma touca. Peguei minha bolsa e desci. Nancy estava chegando, Priscilla dava mamadeira pra Nina. Dei um beijinho na minha pequena.

Eu: Bom dia minha princesa.

Ethan: Mãe eu não quero panqueca eu quero cereal.

Eu: O cereal está na mesa só se servir Ethan, pode fazer isso sozinho.

Bia: Mãe grava um vídeo comigo mais tarde?

Eu: Sobre o que é?

Bia: Sobre a vida nos EUA e vida no Brasil, coisas comuns no Brasil que não são comuns nos Estados Unidos. Eu nasci no Brasil, mas vim pra cá com 2 anos então eu não sei como é viver no Brasil.

Eu: Tá bom a gente grava, agora come senão vamos atrasar.

Bia: Quem vai levar a gente?

Pri: Nós duas.

Bia: Por que?

Pri: Temos um compromisso agora cedo.

Bia: E que compromisso é esse?

Pri: Curiosa hein minha filha?

Bia: Eu sou filha da Natalie mãe, queria o quê? – eu a encarei.

Eu: Abusada. – demos risada.

Pri: É verdade. – riu – Vamos ao médico.

Bia: Não pretendem ter outro filho não né? – resmungou.

Pri: Não. Vocês três já nos fazem rir e chorar o bastante. É só rotina. – tomamos nosso café.

Eu: 8:10, vamos logo. – peguei a Nina. – Tchau amor da mamãe, eu já volto tá? – a enchi de beijo. Ela já estava sonolenta querendo dormir de novo. A entreguei para Nancy dei algumas instruções e saímos. Priscilla ia dirigir, deixamos as crianças na escola as 8:20 e fomos para a consulta. Eu cheguei só assinei as guias do seguro saúde e me sentei. As 8:45 doutor Max nos chamou. Priscilla pegou minha mão e apertou.

Pri: Fica tranquila ok?

Eu:Tá... –assenti.

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