Capítulo 96

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Fui até o quarto da minha filha, a cama ainda estava do jeito que ela deixou quando saiu de manhã. Não consegui evitar as lágrimas. Que saudade da minha menina que medo absurdo, que dor gigantesca eu senti quando disseram que ela havia morrido. Eu ficava pensando naqueles pais que passaram 45 minutos aguardando a cirurgia de uma filha que não era a deles e tiveram as esperanças destruídas. Arrumei a cama dela, dobrei as roupas que estavam ali, guardei no closet dela. Desliguei o celular dela e coloquei na gaveta. O uniforme que ela usava na hora do acidente ainda estava no saco plástico. – Vamos jogar fora, está rasgado, muito sujo.

Eu: Vou cortá-lo com a tesoura embalar e jogar fora. O crachá da escola está inteiro só está sujo. – falei baixo e me sentei na cama dela.

Nat: Que pavor...

Eu: Eu não paro de pensar na sensação que foi receber aquela noticia e em ver aquele corpo ser descoberto e ver que não era ela. Um misto de alivio e de dor ao mesmo tempo.

Nat: Alivio por não ser ela e dor por ser outro pai e mãe a ter que lidar com aquilo. – sentou do meu lado.

Eu: A gente tem um desafio enorme pela frente. Não sabemos como ela vai acordar e eu estou com muito medo disso, de como ela vai acordar.

Nat: Eu também... – suspirou. – Vamos descansar, amanhã vamos visita-la, precisamos descansar, temos que cuidar do nosso pequeno também que está muito assustado.

Eu: Sim. – larguei a sacola num canto, no dia seguinte eu cuidaria daquilo. Fui deitar, dei uma olhada no Ethan que dormia pesado no colchão. Demoramos um pouco a dormir, eu não tirava aquela imagem da minha cabeça. Minha mãe vem para NY no dia seguinte, meu sogro e minha cunhada vem na segunda feira, minha sogra não poderá vir por causa do trabalho dela. Acordei as 4 da manhã com o Ethan gritando.

Ethan: MAMÃE... O CARRO... A BIA... VAI PEGAR TODO MUNDO MAMÃE... – sentei na cama e a Natalie também, eu desci da cama acendi o abajur e me sentei no colchão.

Eu: Filho... Filho... Filho... Olha pra mim é a mamãe... é a mamãe... Está tudo bem... Pega água pra ele Natalie.

Ethan: O carro vai pegar a gente mamãe... – chorava muito.

Eu: Não vai filho, não vai... Você está em casa, no quarto da mamãe, olha... Está tudo bem meu amor, fica calmo... – logo Natalie voltou com a água.

Nat: Toma filhinho... Bebe essa água... – ele bebeu devagar. – Vem, vamos pra cama, dormir agarradinho na mamãe. Está tudo bem, nada vai te acontecer mais ok? – o beijou.

Ethan: Quero fazer xixi... – eu fui com ele até o banheiro e logo nos deitamos. Ele deitou no meio e me abraçou.
Nat: Vamos ver com a terapeuta hoje o que fazer pra ele dormir melhor.

Eu: Sim, vamos. – eu não dormi mais o resto da madrugada, fiquei vendo meu filho dormir. A Nina acordou as 7 da manhã e veio para nosso quarto. – Oi minha pequena bom dia. – sorri.

Nina: Bu dia mamaim – sorriu. Eu amo esse sorrisinho pela manhã.

Eu: Fez xixi?

Nina: Fez...

Eu: Então vai lá no seu quarto, pega lencinho e fralda pra mamãe te trocar, vai... – ela foi correndo e logo voltou. Eu me sentei na cama, Natalie e Ethan ainda dormiam. Eu troquei a fralda dela – Prontinho está limpinha de novo. – a beijei. – Ai que cheirinho de bebê mais gostoso. Toma sua fralda vai lá no seu quarto jogar no lixo – dei a ela e ela foi. A gente a ensinou a pegar fralda e lenços, a jogar a fralda suja no lixo, a guardar os brinquedos, vamos ensinando as coisas aos poucos. – Muito bem filha... – lavei as mãozinhas dela - O que você quer de café da manhã?

Nina: Juice... Eggs... bread... (Suco, ovos e pão)

Eu: It's okay my baby... Está falando as palavrinhas em inglês que coisa mais linda da minha vida. – desci com ela e fui fazer o café da manhã, coloquei o café para fazer, fiz o suco, fiz torradas, o pãozinho quente que ela gosta com requeijão, os ovos mexidos. Tomei café com ela escovei os dentinhos dela e ela ficou vendo desenho. Minha mãe ligou dizendo que estava embarcando e minha avó Sandra ia com ela. Eu tinha que pega-la no aeroporto as 11:30. Liguei no hospital conversei com o médico a Bia estava estável e poderíamos vê-la as 14 horas. O telefone de casa tocou e eu atendi – Alô?

XX: Bom dia, a senhora Natalie ou Priscilla Pugliese por favor?

Eu: Aqui é Priscilla, quem fala?

XX: Aqui é a Vera Stevens, a diretora da Trinity. Está podendo falar agora?

Eu: Sim senhora Stevens. Como vai? Soube que se feriu também.

XX: Eu só tive escoriações. A Senhora Kimberly está em estado grave – suspirou – Eu soube da confusão que fizeram com a sua filha no hospital.

Eu: Aquilo foi horrível.

XX: Sim foi, e inadmissível. Como as crianças estão?

Eu: O Ethan teve pesadelo dormiu comigo e com a mãe dele. Está assustado, com medo. A Bia está em coma, mas está estável. – expliquei como eles estavam.

XX: Sabe que foi a senhora Flint não é?

Eu: Sim eu sei. Ela está toda quebrada no hospital e quando se recuperar, se é que ela vai se recuperar, ela vai direto para cadeia.

XX: Duas crianças morreram Priscilla... Duas... E sabe qual é a grande ironia disso tudo? A adolescente que confundiram com a sua filha, é sobrinha da senhora Flint, ela é filha do irmão dela.

Eu: Meu Deus... E a outra criança?

XX: A outra criança estava passando por lá naquele momento, tinha 05 anos, não tinha nada com isso ou com a escola. – suspirou.

Eu: Que coisa horrível.

XX: Sim, é horrível. Estamos organizando uma homenagem a aluna falecida, e a criança no Central Park em uma semana. Vou enviar um e-mail com o dia e o horário certinho, se a senhora e sua família quiserem participar.

Eu: Claro, vamos sim.

XX: Por favor, me deem noticia da Beatrice, e qualquer coisa que precisarem estou a disposição. A escola vai oferecer todo o suporte psicológico para as crianças – eu a agradeci e logo desliguei. Ethan dormiu a manhã inteira. Natalie foi cuidar do almoço era sábado não tínhamos cozinheira nos finais de semana. Eu dei banho na Nina junto comigo e fomos buscar minha mãe e minha avó no aeroporto. Chegamos lá e elas já tinham desembarcado e me mandado mensagem perguntando qual estacionamento eu estava eu respondi e elas foram encontrar comigo. Eu desci do carro as abracei e abri o porta malas guardando as malas delas.

Mãe: Oi Nininha da vovó que saudade – a beijou e sentou do lado dela. Minha avó foi na frente comigo.

Vó: Como o Ethan está?

Eu: Assustado vó... – contei a elas tudo o que aconteceu. Logo chegamos em casa. O Ethan quando viu minha mãe a abraçou começando a chorar. Minha mãe chorou muito. Ele contando que a Bia estava no hospital machucada que vários amigos dele estavam machucados. Na TV local só falava do atentado e da motivação que era nossa filha e a escola por causa do que houve com o filho dessa mulher. 2 mortes, 4 pessoas gravemente feridas uma dela é a minha filha, e 59 com diversos ferimentos.

Nat: Falei com a terapeuta, e ela vai atende-lo agora a tarde e vou para o hospital e sua mãe traz ele pra casa e eu fico no hospital com você.

Eu:Tá... – atarde fui ver minha filha, minha mãe foi comigo, minha avó ia ficar com a Nina,a Natalie foi levar o Ethan na terapeuta. 

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