Capítulo 13

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NATALIE NARRANDO...

O dia da minha cirurgia estava chegando, estava marcada para o dia 05 de fevereiro e já era dia 03 de fevereiro. Eu estava ansiosa, nervosa, com medo. A Nina não pede peito e isso é até bom. Acho que ela desapegou muito antes de mim e eu que insistia em dar. Ela estava ensaiando uns passinhos e meu coração disparava cada vez que ela soltava as mãos e ficava em pé sozinha. Minha mãe chega hoje do Brasil e eu vou busca-la no aeroporto. Fiz uma chamada de vídeo com ela dias antes falando sobre tudo, porque a ultima vez que ela esteve em NY ela fez da nossa vida um inferno se metendo em tudo. Ela disse que vai se conter se sentiu ofendida o drama queen dela de sempre. Priscilla contou para a minha sogra, a Patrícia mora na Flórida. Ela, o irmão da Pri, a avó materna, a tia com o marido e os primos se mudaram para Flórida a 06 anos. NY é muito frio e corrido para eles e eles queriam praia, então se mudaram para Fort Lauderdale. Minha sogra abriu um supermercado brasileiro que dois anos depois virou mais outro em outro ponto da cidade que é administrado pela tia da Pri e todos vivem super bem financeiramente lá e dominam super bem o inglês também. As crianças amam passar o verão por lá. Patrícia fez uma chamada de vídeo comigo, disse que sentia muito e que tudo ficaria bem e que se eu precisasse ela iria para NY ou se eu quisesse poderia mandar as crianças para Fort Lauderdale pra ela tomar conta. Ela disse que não iria agora para não tumultuar e ter atrito com a minha mãe e eu super entendia. Patrícia odiava confusões e ela e a minha mãe juntas era a mesma coisa que acender um barril de pólvoras. A gente se dava muito bem, muitas vezes eu pedia conselhos a ela, minha mãe que não saiba disso. Acordei bem cedo, era terça feira.

Eu: Amor – fiz carinho na Pri.

Pri: Oi? Que horas são?

Eu: São 6:30. Eu estou indo buscar minha mãe no aeroporto tá? Ela desembarca as 7:10. Acorda as crianças e as leve para o colégio ok? Eu já fiz o café, e o suco, lavei as frutas, passei manteiga nos pães, só colocar na torradeira, já fiz a massa das panquecas também. Está tudo organizado.

Pri: Tá bom, vai com cuidado.

Eu: Tá bom. Te amo.

Pri: Te amo. – eu dei uma olhada na Nina que dormia pesado ainda e fui para o aeroporto. Quando cheguei lá já eram 7:10 minha mãe já tinha chegado. Depois de vinte minutos ela veio empurrando o carrinho com duas malas grandes e uma média e atrás dela o papai...

Eu: Ai meu Deus... – falei para mim mesma. Meus pais são separados por uma suposta traição do meu pai, mas a minha mãe ainda gosta dele e eles discutem por tudo. O combinado não foi esse. Era só para ela vir.

Mãe: Minha filha – veio me abraçar.

Eu: Oi mãe. O que ele está fazendo aqui?

Mãe: Ele é seu pai e quis vir.

Pai: Oi filha, como assim não ia me contar que está doente?

Eu: Eu ia contar só não precisava largar tudo pra vir pra cá.

Pai: Eu vou ficar só duas semanas filha, tenho muitas reuniões marcadas.

Eu: Vamos pra casa então?

Mãe: Vamos... – fomos para o carro. No caminho até o estacionamento mandei uma mensagem para a Priscilla.

Você não vai acreditar... Meu pai veio... A gente não vai sobreviver...

Eles colocaram as malas no porta malas e entraram no carro. Discutiram até pra saber quem ia na frente.

Mãe: Eu vou na frente, preciso esticar minhas pernas.

Pai: Eu vou, eu sou mais alto que você.

Eu: Meu carro é enorme, tem espaço suficiente para os dois na frente ou atrás. Nem meus filhos brigam por isso. Tenham dó. -

Isso tinha tudo pra dar errado. Priscilla não viu minha mensagem e com certeza vai pirar. Fomos pra casa e chegamos por volta 9 horas da manhã. Instalei minha mãe no quarto que já tinha pedido para arrumar para ela. Por sorte as meninas limparam outro quarto de hospedes pensando que minha sogra viria então instalei meu pai também. Eu desci a Leila chegava.

Eu: Oi Leila, bom dia.

Leila: Bom dia dona Natalie.

Eu: Não surta.

Leila: O que houve?

Eu: Minha mãe está ai e meu pai veio de surpresa.

Leila: Não... – fez cara de pânico.

Eu: Eu já falei com ela que não aceito pitaco de nada no que você faz ok? E pode cortá-la, tem total liberdade pra isso. Meu pai você sabe que não se mete, os dois brigam entre si.

Leila: Eles vão embora quando? Amanhã? – demos risada e colocamos a mão na boca.

Eu: Deixa de ser má... Minha mulher vai separar de mim, certeza.

Leila: Muito provável e no divorcio eu fico com ela...

Eu: Traidora – rimos. Reorganizei a mesa do café para eles, fiz bacon, fiz panquecas e a Pri chegou.

Pri: Oi Leilinha bom dia. Oi amor, nosso filho falou com você sobre um negocio de ser presidente? Esse garoto anda com um papo esquisito e eu não estou entendendo nada... Que cara é essa?

Eu: Minha mãe chegou.

Pri: Eu sei, você foi busca-la no aeroporto.

Eu: Acontece que...

Pai: Priscilla... Quanto tempo...

Pri: Ai meu Deus... Oi Leandro – foi abraça-la e olhou pra mim assustada.

Pai: Surpresa.

Pri: Surpresa mesmo – ria nervosa.

Deborah: Oi Priscilla como vai? – sorriu.

Pri: Oi Deborah, bem e você? Como foi de viagem?

Deborah: Muito bem.

Eu: Sentem-se vamos tomar café.

Pri: Eu vou para o escritório tenho uma reunião online agora.

Deborah: Não vai tomar café conosco? – já começou.

Pri: Eu tomei com as crianças antes de leva-las para o colégio. Tenho reunião em 10 minutos. Dá licença... Bem vindos... – foi para o escritório. Leila me olhou com uma cara de "isso vai dar merda". Tomamos café da manhã com meus pais se alfinetando. Os dois subiram para descansar e eu tirei a mesa, guardei as coisas na geladeira e fui falar com a Priscilla. Ela estava numa reunião então eu subi pra ver a Nina que brincava no tapete com a Nancy. Falei com ela sobre meus pais e para não aceitar intromissões da minha mãe. Brinquei com a Nina um pouco e fui trabalhar pelo computador. Me ligaram da escola.

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