Eu estava exausta... Ela está doente, nossa filha está com depressão, ainda tem mais duas crianças para cuidar, a casa, o trabalho dela, o meu que embora eu esteja de licença fica uma coisa e outra pra fazer e eu já deixava pronto para não ter muito trabalho acumulado quando eu voltasse. Depois de uma discussão calorosa no quarto eu decidi que ficaria no quarto de hospedes. Eu só vi a Natalie naquele dia para dar os remédios a ela na hora certa e chama-la para jantar. A noite quando todos já dormiam peguei uma garrafa de vinho e fui para o terraço, me sentei no sofá que tinha lá em cima e fiquei olhando para a linda vista de NY que tínhamos. Central Park estava iluminado, a noite estava bonita. Um pouco fria, mas estava bonita. Acendi a lareira lá de fora e fiquei sentada ali. Meu celular vibrou mensagem e eu fui olhar quem era e era a Virginia. Pensei em não responder, mas não tinha nada de mal nisso ela era só uma amiga.
Virginia: Oi Priscilla, boa noite...
Eu: Oi Virginia boa noite tudo bem?
Virginia: Tudo e você?
Eu: Bem...
Virginia: Está ocupada?
Eu: Não... Estou tomando um vinho no meu terraço. A casa toda dorme. – tirei uma foto da taça em frente a lareira e da vista do meu terraço e mandei pra ela.
Virginia: Bela vista.
Eu: E você o que está fazendo?
Virginia: Estou sentada no chão do meu closet.
Eu: Por que? – achei estranho.
Virginia: É aqui que venho chorar quando todo mundo dorme.
Eu: Como seu marido está?
Virginia: Deprimido, muito deprimido. Hoje falou comigo em tom de despedida, chorou muito... É triste vê-lo assim.
Eu: Eu imagino.
Virginia: E como a Natalie está?
Eu: Está bem na medida do possível. Me expulsou de casa.
Virginia: Por que?
Eu: Ela acha que eu estou tendo um caso.
Virginia: Meu Deus... Como assim? Espera... Não é comigo não né?
Eu: É. Kkkkkk... Mas não se preocupe, não vou sair de casa e não vou foi ficar discutindo com ela por coisa que não existe, ela já sabe que você é só uma amiga e que ela está paranoica atoa.
Virginia: Desculpa Priscilla, não queria passar impressão errada.
Eu: Você não tem culpa de nada, fica tranquila. As coisas que não andam muito bem por aqui. Dizem que a doença separam casais, e talvez essa seja nossa realidade.
Virginia: É... Desculpa concordar...
Eu: Eu sei que essa é a verdade. Quer tomar um café comigo amanhã de manhã?
Virginia: Claro... Onde?
Eu: No Garden na 5ª Avenida. Eu levo as crianças para escola as 8 e te encontro lá.
Virginia: Tudo bem. Te vejo lá.
Eu: Ok. Fica bem.
Virginia: Você também. Boa noite.
Eu: Boa noite.
Bebi meia garrafa de vinho apaguei o fogo da lareira e desci.
Eu: Não posso beber assim, vou acabar uma alcoólatra desse jeito. – falei para mim mesma. Deixei a garrafa na cozinha lavei a taça. Entrei no meu quarto Natalie dormia. Peguei minhas coisas no banheiro, como cremes, escova de dentes, escova de cabelo, peguei sabonete. Depois peguei meu travesseiro e um edredom, levei tudo para o quarto de hóspedes. Dei uma olhada nas crianças e fui dormir. De manhã tomei um banho fiz o café acordei as crianças, acordei a Natalie dei o remédio dela e ela voltou a dormir. Ela não falou nada comigo e eu também não forcei que falasse nada, era melhor assim. A babá da Nina chegou e eu sai com as crianças os deixei na escola e fui para o Garden. Virginia já estava me esperando. – Oi... – sorri e ela sorriu de volta se levantando.
Virginia: Bom dia... – me abraçou.
Eu: Está me esperando a muito tempo?
Virginia: Cheguei a 2 minutos.
Eu: Ah tá... Vamos pedir?
Virginia: Vamos – pegamos o cardápio e pedimos um super café da manhã.
Eu: Percebi agora que tenho tomado café da manhã tão rápido ultimamente que não tenho comido direito não tenho sentindo o sabor de nada. – falei mastigando um pedaço de panqueca.
Virginia: Eu também. É sempre um café com leite, uma torrada ou um omelete rápido, ou um Mc Donald's. Almoço então, ficou raro. Só quando meus filhos almoçam em casa mesmo e o jantar é uma pizza fria, ou um sanduiche também.
Eu: Nossa acho que isso é um padrão de familiares com uma pessoa doente. – fiz a observação. Realmente parecia um padrão.
Virginia: A correria e a preocupação. A gente acaba se esquecendo de nós, de comermos bem. No começo eu fiquei doente, minha imunidade caiu, porque eu vivia para cuidar de tudo e de todos e fui ficando de lado. Quando eu fiquei doente eu vi que eu precisava me cuidar senão acabaria na cama e isso não seria legal, afinal eu tinha 3 filhos para cuidar e o meu marido precisava de mim. Então eu cuido de tudo e de todos, mas tiro meu tempo pra mim também. É preciso respirar, é preciso chorar, é preciso gritar também. Se não encontrarmos algo para tirar o peso que tudo isso trás para nossa alma, a gente surta. Então eu corro todos os dias, as vezes vou para um lugar afastado de onde moro e grito bastante choro e fico uma nova mulher – rimos.
Eu: Acho que estou precisando fazer isso.
Virginia: Acredite, vai te fazer super bem. E vocês duas se falaram hoje?
Eu: Não. A acordei, dei o remédio dela e ela nem me olhou.
Virginia: É complicado. Ela está na fase de achar que incomoda, que tudo que acontece é culpa dela, que você está sem paciência, que você está tendo um caso e vai te maltratar por isso sempre. Ai quando você ignorar essas atitudes, ela vai dizer que você nunca a amou de verdade, que você nunca quis estar com ela e que você não era o que ela pensava. Depois disso ela vai querer desistir do tratamento, vai ficar em negação, dizer que não faz sentido continuar com nada disso ignorando que tem três filhos para cuidar e que precisam muito dela.
Eu: Você e seu marido tiveram essa fase? De desconfiança, de implicância, de ver coisa onde não tem?
Virginia: Sim. Da primeira vez que descobrimos o câncer. Depois do quarto mês, se eu falasse no telefone longe dele, ele já achava que era um amante. Já quis sair de casa dizendo que era um fardo pra mim e que eu merecia um homem completo já que ele não poderia ser naquele momento. – era isso que eu estava passando.
Eu: E o que você fez? E o que eu faço?
Virginia: Não desisti dele... Rebati por um tempo, até que passei a ignorá-lo. Dava os remédios, cuidava do que era preciso enquanto ele me ofendia de todas as formas e doía ouvir tudo aquilo, mas eu continuei fazendo o que eu deveria fazer. Não desista dela. Dê o espaço dela, mas não a deixe desistir e nem desista dela, por mais que muitas vezes você perca a paciência e queira largar tudo. Escolha um lugar da casa para chorar se precisar. Tome um taça de vinho como fez ontem, desabafe sozinha. Tire um minuto para você sentir tudo isso e não explodir e siga em diante. Eu passei a me esconder no meu closet. Eu chorava todos os dias lá. Eu me trancava e chorava por horas lá dentro. E faço isso até hoje.
Eu: Tem ficado cada vez mais difícil. Eu não quero brigar e ela instiga uma briga o tempo todo e eu não sou de ferro Virginia, eu vou acabar explodindo...
Virginia: Eu sei. Eu sei bem como é... Encontre algo para extravasar Priscilla, para que no fim disso tudo, quando a cura dela chegar, o casamento de vocês e a felicidade da família de vocês não tenham ido embora, que vocês duas não tenham partido dessa relação. Atrás de vocês duas existem 3 crianças e por mais que vocês discutam escondidos, finjam que nada está acontecendo, elas sentem, elas sabem. –ficamos ali por uma hora e meia. Ela foi embora eu fui numa farmácia tinha que comprar fraldas pra Nina que esqueci de comprar no supermercado e já estavam acabando. De lá passei numa loja da Apple e comprei outro celular pra mim, o meu estava terrível já, e desligando sozinho, o da Natalie também não estava legal então comprei outro pra ela e fui pra casa.
VOCÊ ESTÁ LENDO
NOSSOS DESAFIOS
FanficMeu nome é Priscilla Álvares Pugliese, tenho 35 anos sou CEO do Grupo Meta que possuem o Facebook, Instagram e Whatsapp, moro no Upper East Side, em Nova York. Tenho 3 filhos. Isso mesmo, 3 filhos e as vezes me pergunto o que se passou pela minha ca...
