NATALIE NARRANDO...
Meu casamento não ia bem a algum tempo. Priscilla e eu não conversávamos mais, tudo era briga, tudo era discussão, tudo era atrito o tempo todo. A gente não se entendia mais, a gente não conseguia mais ser um casal. Quando ela decidiu ir embora doeu e doeu muito. Eu tentava não pensar que ela tinha uma amante devido suas incontáveis horas na empresa, e tudo se acumulava com uma adolescente que acha que pode fazer o que quiser em casa e postar na internet, um filho que quando não está quebrando tudo ou aprontando horrores, está sendo um péssimo exemplo para os coleguinhas de escola e uma bebê. Nunca foi tão difícil ser mãe e esposa como tem disso agora. Amamentar a Nina tem sido difícil. Venho sentindo muita dor, em um dos seios quando amamento e isso não é nada normal. Eu não dormi a noite toda preocupada com isso e triste pela minha esposa ter saído de casa por conta das nossas brigas. De manhã bem cedo liguei para a minha médica e ela me atenderia naquela manhã. Ela me examinou com cuidado e me pediu um exame de sangue e uma mamografia. O resultado ficaria pronto em algumas horas então eu almocei ali por perto mesmo já que ela me atenderia de imediato por ter pedido urgência nos exames. Eu estava ansiosa demais, eu estava agitada demais. Liguei para a Priscilla para lembra-la e pegar as crianças na escola e esperei mais uns 30 minutos. Quando Sandie me chamou sua cara não estava nada boa.
Sandie: Senta Natalie...
Eu: Está preocupada. O que houve?
Sandie: Eu vi seus exames, e as noticias não são boas.
Eu: O que deu? – engoli seco.
Sandie: Você tem um nódulo de cerca de 2 centímetros e meio no seio esquerdo e um de 1 centimetro no seio direito Natalie.
Eu: Ah meu Deus... – soltei o ar. – Eu tenho... – respirei fundo – Eu tenho câncer de mama?
Sandie: Sim, você tem câncer de mama. Eu enviei seus exames para um oncologista e ele está esperando você lá daqui 15 minutos é aqui no quarto andar, doutor Max Sullivan, ele é o melhor, é especialista em câncer de mama, você estará em boas mãos.
Eu: Como? Eu tive um bebê a um ano e não tinha nada.
Sandie: É recente, e não é tão incomum assim. Ele deve ter se manifestado a alguns meses e você não notou porque confundia com leite empedrado, ou com os seios cheios de leite e doloridos, então confundia as dores. Por isso te pedi uma mamografia mesmo amamentando, foi doloroso com certeza e deve ter saído leite, mas foi necessário.
Eu: Sim... E agora?
Sandie: Vá até o consultório do doutor Max, ele vai te explicar os próximos passos e eu vou acompanhar de perto seu caso. Eu agora só posso acompanhar de perto, mas você precisa de tratamento oncológico infelizmente.
Eu: Eu vou ter que parar de amamentar?
Sandie: Sim, vai... Em hipótese alguma você poderá fazer o tratamento e continuar amamentando. – eu sai da sala dela a agradecendo e fui até a sala do doutor Max Sullivan, ele já me esperava.
Max: Quer um copo d'água?
Eu: Queria uma taça de vinho na verdade. – ri nervosa.
Max: É eu sei... Escuto isso com frequência – riu. – E então Natalie como se sente?
Eu: Em choque, assustada, não sei.
Max: Entendo, é um choque muito grande ainda mais por ser nas duas mamas, isso não é tão comum assim. Geralmente as mulheres tem em uma e depois de muito tempo na outra.
Eu: E como isso aconteceu comigo?
Max: Provavelmente o que está maior surgiu primeiro e se desenvolveu muito rápido e é com ele que devemos nos preocupar. O outro tem 1 centímetro ele é novo deve ter aparecido a uns 2 meses no máximo.
Eu: Por que? Minha família já teve caso, uma tia minha teve, mas foi só ela...
Max: Pode acontecer Natalie, e os medicamentos para engravidar podem ter acelerado o processo também. A sua tia teve, mas sua mãe não, e você tem, e futuramente uma das suas filhas podem ter, é praticamente um roleta russa quando os casos são esporádicos na família. Eu tenho uma paciente tão jovem quanto você, ela tem 33 anos e ela está no estágio 2 da doença. Ela vem de uma linhagem de câncer na família. A bisavó, a avó, duas tias, a mãe, a irmã mais velha e ela. A predisposição dela era infinitamente maior que a sua.
Eu: Eu não consigo processar nada agora... É demais pra mim... Eu preciso conversar com a minha esposa... Eu amamento, eu não sei o que fazer.
Max: Precisamos conversar sobre o tratamento e quando começar o tratamento não poderá mais amamentar sua filha. Introduza mamadeira a partir de hoje para desacostuma-la do peito, infelizmente não é uma escolha é uma necessidade, uma obrigação. Eu tenho um horário amanhã as 8:40 da manhã. Quer deixar marcado para vir aqui com a sua esposa e conversarmos?
Eu: Quero, por favor... – ele digitou algumas coisas.
Max: Está marcado. Converse com ela, diga o que está acontecendo e voltem aqui, vamos traçar os objetivos, os planos juntos. Você vai ficar bem, vamos cuidar bem de você.
Eu: Obrigada doutor...
Max: Por nada. – me deu um cartão – Esses são meus números qualquer coisa me liga.
Eu:Obrigada. –sai da sala dele. Eu entrei no elevador cheio e parecia que estava tudo em câmera lenta pra mim. Eu cheguei no estacionamento por alguns segundos esqueci onde tinha colocado meu carro.
XX: Moça, posso ajudar? – me assustei com o responsável pelo estacionamento me chamando.
Eu: Eu... Eu não me lembro onde coloquei meu carro.
XX: Qual é o carro da senhora?
Eu: Um Audi Q7 vermelho... – sacudi a cabeça – Não... Eu estou na BMW hoje. BMW X7 prata.
XX: Só um segundo... – ele saiu e logo voltou. – Está no segundo piso senhora, vaga B12 é a segunda fileira da esquerda.
Eu: Ok. Obrigada – sorri nervosa.
XX: Está bem para dirigir? Quer que eu ligue para alguém?
Eu: Eu estou bem, muito obrigada.
XX: Tenha uma boa tarde.
Eu: Você também. –eu entrei no elevador novamente e subi para o segundo piso do estacionamento. – Vaga B12 segunda fileira a esquerda. –falava para mim mesma. Avistei meu carro desativei o alarme e entrei. Eu soltei todo o ar preso em meus pulmões eu estava com medo, eu tenho câncer. Chorei por10 minutos no carro e finalmente consegui criar coragem para ligar o meu carro e sair. O trânsito próximo a minha casa estava caótico naquele momento, havia nevado muito durante a noite e o trânsito estava bem lento. Entrei no meu prédio um dos carros da Priscilla não estava ali, ela deveria ter ido buscar nosso filho na escola já eram quase 15 horas. Desci do carro entrei no elevador digitei a senha errada duas vezes, estava nervosa. Digitei a senha correta do meu andar e subi. Entrei em casa coloquei o casaco no armário e subi fui tomar um banho eu precisava de um banho.
VOCÊ ESTÁ LENDO
NOSSOS DESAFIOS
FanfictionMeu nome é Priscilla Álvares Pugliese, tenho 35 anos sou CEO do Grupo Meta que possuem o Facebook, Instagram e Whatsapp, moro no Upper East Side, em Nova York. Tenho 3 filhos. Isso mesmo, 3 filhos e as vezes me pergunto o que se passou pela minha ca...
